Se no fim do mês você sente que o dinheiro sumiu antes mesmo de você conseguir cumprir seus planos, saiba que você não está sozinho. A verdade é que o orçamento das famílias brasileiras está cada vez mais reduzido. Sabe quando parece que o cobertor está curto em uma noite fria? É mais ou menos isso que acontece com o nosso dinheiro.
E essa realidade que deixa todos nós preocupados foi comprovada em uma pesquisa realizada pela Serasa, em parceria com o Instituto Opinion Box, que ouviu mais de 6.000 brasileiros entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026.
O resultado revelou um cenário que muita gente já sente na pele: supermercado, moradia e contas recorrentes consomem, juntos, 57% do orçamento das famílias brasileiras. Ou seja, mais da metade do salário vai para essas três categorias antes de qualquer outra decisão financeira.
Custo de vida alto
A pesquisa também mostrou que o custo de vida médio do brasileiro chegou a R$3.520,00 por mês, considerando as principais contas, como alimentação (supermercado e comer fora), transporte, saúde, educação, lazer e autocuidado. E o dado que mais chama a atenção é que apenas 2 a cada 10 entrevistados consideram fácil gerenciar pagamentos e despesas no dia a dia.
Em meio a esse sufoco de sempre ver as contas sendo maiores que o salário, o orçamento das famílias traz um desafio gigante: como reduzir despesas essenciais? O levantamento sobre o qual o nosso artigo está baseado hoje trouxe alguns apontamentos interessantes.
Orçamento das famílias: contas difíceis de reduzir
Quando falamos do orçamento das famílias, algo que não pode faltar é a moradia, que inclui aluguel, condomínio ou parcela do financiamento. Essa categoria, no levantamento da Serasa, representou em média R$1.100,00 por mês para os brasileiros, com valores ainda mais altos no Sul do país, onde a média chega a R$1.310,00.
Você até pode tentar negociar o aluguel ou refinanciar a dívida da casa, mas não tem como simplesmente deixar de pagar. De igual modo, o supermercado aparece como o maior gasto isolado: R$ 930 por mês em média.
Alimentação é inegociável, mas os preços seguem pressionados pela inflação dos alimentos, que afeta especialmente proteínas, óleo e verduras. Já as contas recorrentes, como água, luz, internet e streaming, somam em média R$520,00 mensais, e muitas delas também têm variação limitada, especialmente as tarifas de serviços públicos.
Além disso, essas categorias são apontadas pelos próprios entrevistados como as mais difíceis de manter em dia, o que mostra que não se trata apenas de falta de planejamento, mas de uma pressão estrutural real sobre o orçamento das famílias brasileiras.
Onde estão as brechas para cortar?
Mesmo dentro de gastos considerados fixos, há espaço para ajustes no orçamento das famílias, desde que feitos com cuidado e consciência. No supermercado, trocar marcas líderes por equivalentes mais baratos, planejar o cardápio da semana antes de ir às compras e usar listas para evitar compras por impulso podem reduzir o gasto, sem comprometer a alimentação.
Nas contas recorrentes, vale revisar assinaturas de streaming que você não usa mais, comparar tarifas de internet e telefonia e verificar se a conta de luz pode ser reduzida com pequenos hábitos, como reduzir o tempo de banho, deixar as lâmpadas desligadas quando não houver ninguém no ambiente ou usar a máquina de lavar de forma otimizada.
São economias pequenas individualmente, mas somadas ao longo do mês podem fazer a diferença no orçamento das famílias. Na moradia, a margem de manobra é menor, mas existente.
Quem paga aluguel pode tentar renegociar com o proprietário, especialmente se for um bom pagador. Quem tem financiamento imobiliário pode buscar a portabilidade para outra instituição com taxa menor, o que pode reduzir as parcelas sem mudar nada no seu dia a dia.
O que fazer com os 43% que sobram?
Com 57% do orçamento comprometido com o essencial, sobra menos de metade para transporte, saúde, educação, lazer, roupas e imprevistos, além da parte que idealmente deveria ser poupada ou investida.
Por isso, o primeiro passo com o que sobra é separar uma reserva de emergência, por menor que seja. Começar com R$50,00 ou R$100,00 por mês já é um avanço. Guardar dinheiro é um hábito, e hábitos se constroem aos poucos.
Com o tempo, esse valor vai crescendo e dando mais segurança para lidar com imprevistos sem recorrer a empréstimos caros, uma prática muito comum entre brasileiros, mas que pode deixar o orçamento das famílias ainda mais estrangulado.
A pesquisa da Serasa é um espelho da realidade financeira do brasileiro, e os dados mostram que o aperto não é fraqueza de ninguém, e sim um desafio estrutural, de todo o país.
Mas mesmo dentro dessa pressão, há escolhas que fazem diferença. Conhecer seus gastos, revisar o que pode ser reduzido e priorizar o que é essencial são os primeiros passos para sair do sufoco, mesmo que seja um passo de cada vez.