26/06/2026
11h47
assessoramento financeiro

Você está com dívidas em atraso há meses, recebe ligações de cobrança com frequência, mas nunca recebeu uma ligação do banco oferecendo ajuda para reorganizar sua situação. Isso tem nome, e agora tem solução.

Desde maio de 2026, as instituições financeiras são obrigadas a oferecer assessoramento financeiro ativo a clientes com dívidas em atraso de forma recorrente ou persistente. A Resolução Conjunta CMN/BC nº 20/2026 alterou as regras de educação financeira no sistema bancário e criou uma obrigação concreta para os bancos. Não basta cobrar, é preciso orientar.

O que mudou com a nova resolução

A resolução determina que as instituições financeiras identifiquem clientes com atraso recorrente ou persistente e ofereçam assessoramento ativo, sem esperar que o consumidor peça. Na prática, o banco é obrigado a apresentar um panorama completo das dívidas do cliente, oferecer alternativas de renegociação compatíveis com a capacidade de pagamento e fornecer informações claras sobre as consequências de cada opção antes de qualquer assinatura.

Isso é diferente de uma simples proposta de parcelamento. O assessoramento financeiro é uma etapa anterior, em que a instituição ajuda o cliente a entender a própria situação antes de propor qualquer solução. É orientação genuína, não apenas oferta comercial.

O que você pode exigir na prática

Você tem o direito de solicitar formalmente ao banco um atendimento de assessoramento financeiro, pelo app, por e-mail ou presencialmente, sempre com registro de protocolo. Também pode pedir um panorama completo de todas as suas dívidas com a instituição, incluindo valores, taxas e multas acumuladas.

Ao receber uma proposta de renegociação, exija uma simulação clara mostrando o valor total que você vai pagar ao final, não apenas a parcela mensal. E se precisar de tempo para analisar, saiba que o banco não pode condicionar a oferta a uma decisão imediata. Assessoramento financeiro não é negociação, é o passo que vem antes dela.

Como acionar esse direito passo a passo

Entre em contato com o banco pelo canal de sua preferência e solicite assessoramento financeiro com base na Resolução Conjunta CMN/BC nº 20/2026. Citar a resolução pelo nome aumenta muito a chance de o atendente encaminhar o pedido corretamente. Registre o pedido por escrito sempre que possível.

Se o banco negar ou ignorar o pedido, registre uma reclamação no Banco Central pelo portal bcb.gov.br. O descumprimento dessa resolução é uma infração regulatória grave. Você também pode registrar no consumidor.gov.br para pressão adicional. O Banco Central monitora essas reclamações, e instituições com alto índice de não conformidade enfrentam sanções.

Quando esse direito resolve e quando não basta

O assessoramento financeiro é mais útil quando você tem múltiplas dívidas na mesma instituição e não sabe por onde começar, quando os juros cresceram tanto que você já não consegue calcular o total real, e quando quer negociar mas não sabe quais são seus direitos antes de sentar na mesa.

Ele não resolve sozinho quando a dívida já está em processo judicial ou foi vendida para uma empresa de recuperação de crédito. Nesses casos, o relacionamento saiu da esfera do banco original, e o mais indicado é buscar orientação gratuita no Procon ou na Defensoria Pública.

Outros direitos garantidos pela resolução

Além do assessoramento financeiro, a Resolução nº 20/2026 reforça que as instituições devem usar linguagem clara e acessível em todas as informações que fornecem, sem letras miúdas ou termos que confundam o consumidor. O princípio da relevância também se aplica: o banco só pode apresentar produtos e serviços compatíveis com o seu perfil e necessidade real.

As instituições também passam a ser obrigadas a ter políticas estruturadas de educação financeira para seus clientes. Essas obrigações criam um novo patamar de relacionamento entre banco e consumidor. Quem conhece seus direitos chega a qualquer negociação em uma posição muito mais favorável.

Sobre o Autor

Mariana Murta
Mariana Murta

Atua desde 2022 como analista de conteúdo do Utua. Já escreveu mais de 2.400 textos para diversos países, explorando diferentes culturas e estilos de comunicação.