Quando uma pessoa precisa de crédito e as opções convencionais não parecem vantajosas, o empréstimo com garantia pode surgir como alternativa. Com taxas de juros menores e prazos mais longos, ele pode parecer uma boa saída. Mas antes de colocar o carro ou a casa como garantia de um empréstimo, é preciso entender muito bem como essa modalidade funciona e os riscos reais que ela envolve.
Hoje, vamos trazer um guia sobre esse tema, para que você entenda o que deve ser avaliado no momento de solicitar um empréstimo com garantia e se planejar para evitar os riscos existentes para aquelas pessoas que não conseguem honrar os pagamentos nessa modalidade.
O que é um empréstimo com garantia?
O empréstimo com garantia, também chamado de crédito com garantia de bem, é uma modalidade em que o tomador oferece um ativo de valor como respaldo para a operação. Em resumo, você solicita um empréstimo ao banco, e para que a instituição fique mais segura de que você arcará com todas as parcelas, você oferece um bem seu como garantia.
Em troca, a instituição financeira reduz o risco da operação e, consequentemente, oferece juros menores do que em um empréstimo pessoal comum. A lógica do empréstimo com garantia é simples: se o devedor não pagar, o credor tem o direito de executar a garantia – ou seja, tomar o bem dado como respaldo para cobrir a dívida. Essa segurança para o banco se traduz em condições melhores para quem toma o crédito.
Quais são as garantias mais comuns?
As três modalidades mais comuns no mercado brasileiro são o home equity (imóvel como garantia), o crédito com garantia de veículo e o crédito com garantia de investimentos. No home equity, o imóvel – que pode ser residencial ou comercial – é alienado fiduciariamente à instituição financeira.
O dono continua morando ou usando o imóvel normalmente, mas a propriedade fica registrada em nome do banco até que o empréstimo seja quitado. As taxas costumam ser as mais baixas do mercado, e os prazos podem chegar a 20 anos, a depender das condições de cada instituição financeira.
No empréstimo com garantia de veículo, o funcionamento é parecido: o carro fica alienado ao banco, mas o proprietário continua usando-o. As taxas são um pouco mais altas do que no caso do imóvel, mas ainda abaixo do crédito pessoal. Os prazos costumam ser de até 60 meses.
Já o crédito com garantia de investimentos usa aplicações financeiras, como CDB, Tesouro Direto ou fundos, como garantia. A vantagem é que o dinheiro continua rendendo enquanto serve de respaldo para o empréstimo.
Os riscos de colocar um bem como garantia
O ponto mais crítico desse tipo de empréstimo é exatamente o que o torna atrativo: o bem. Se o devedor deixar de pagar as parcelas, a instituição financeira tem o direito legal de tomar o imóvel ou o carro dado como garantia. Isso significa que uma dívida que começa com boas intenções pode terminar com a perda da casa própria ou do veículo usado para trabalhar.
Por isso, esse tipo de crédito exige planejamento financeiro rigoroso antes de ser contratado. A pergunta que precisa ser respondida com honestidade é: mesmo num cenário adverso – perda de emprego, doença, queda de renda -, eu consigo pagar esse empréstimo?
Planejamento antes, durante e depois
Antes de contratar, simule diferentes cenários e verifique se o valor das parcelas cabe confortavelmente no orçamento, sem comprometer mais de 30% da renda mensal. Durante o contrato, mantenha uma reserva de emergência que cubra pelo menos três meses de parcelas. E após contratar, evite novas dívidas que possam pressionar o orçamento e colocar o bem em risco.
O empréstimo com garantia pode ser um instrumento inteligente quando usado com consciência, até porque os bancos fazem várias propostas de quitação àquelas pessoas que estão com atrasos no pagamento. Por isso, perceba que o problema surge quando ele é tratado como solução fácil, sem a devida análise dos riscos. Crédito barato não é sinônimo de crédito sem consequência. Pense nisso!