O preço da cesta básica 2026 caiu em 25 das 27 capitais brasileiras entre julho e agosto, segundo a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, divulgada pelo DIEESE e pela Conab em 10 de setembro. Em São Paulo, a queda foi de 1,58%: a conta saiu de R$ 915,01 para R$ 900,59. São cerca de 14 reais de diferença em um mês — pouco para resolver o orçamento, o bastante para render uma compra pequena.
Só que a média esconde uma história mais interessante. Alguns alimentos caíram bastante, outros subiram, e o que você sentiu no caixa depende de quais deles enchem o seu carrinho.
Onde a cesta básica 2026 caiu mais
As maiores reduções entre julho e agosto foram:
- Rio Branco: -4,68%
- Manaus: -4,55%
- Boa Vista: -4,47%
- Aracaju: -3,89%
- Cuiabá: -3,37%
Duas capitais foram na direção oposta: Maceió, com alta de 1,43%, e São Luís, com 0,78%. Em valores absolutos, São Paulo segue sendo a cesta mais cara do país, com R$ 900,59, e Aracaju a mais barata, com R$ 570,98 — uma diferença de quase 330 reais entre as duas pontas. Vale lembrar que a composição da cesta muda por região: no Norte e no Nordeste, por exemplo, a pesquisa usa farinha de mandioca no lugar da farinha de trigo e não inclui batata.
Os quatro alimentos que puxaram a queda
A batata foi o destaque. O preço do quilo caiu em todas as cidades do Centro-Sul onde o produto é pesquisado, com recuos que variaram de -14,65% em São Paulo a -34,18% em Brasília. A explicação é simples: a colheita da safra de inverno se intensificou e sobrou produto no mercado.
O tomate ficou mais barato em 22 cidades, com destaque para Campo Grande (-27,09%) e Manaus (-26,99%). Aqui também foi questão de oferta — o calor e o fim da safra de inverno aumentaram a quantidade disponível.
O feijão exige um cuidado que costuma passar batido. Quem caiu foi o tipo carioca, pesquisado no Norte, Nordeste, Centro-Oeste, em São Paulo e Belo Horizonte, com quedas de até -15,47% em Goiânia. O feijão preto, consumido no Sul, no Rio de Janeiro e em Vitória, está em entressafra e subiu: 4,28% em Curitiba, 3,63% em Florianópolis. Se você é do Sul e não viu o feijão baratear, não foi impressão.
O café em pó recuou em 23 das 27 capitais, e o motivo é o mais curioso dos quatro. Não foi excesso de produto — pelo contrário, a oferta de grãos até apertou. O preço no varejo tinha subido tanto nos últimos meses que muita gente simplesmente parou de comprar, e a procura em queda empurrou os valores para baixo.
Os alimentos que subiram — e por que sua compra pode não ter encolhido
Essa é a parte que quase não aparece nas notícias sobre o assunto, e é justamente a que explica a sensação de que o mercado não ficou mais barato.
O arroz agulhinha aumentou em 23 capitais, com altas de 6,43% em Porto Alegre e 6,29% em Brasília. O leite integral subiu em 23 cidades, chegando a 7,66% em Teresina. O pão francês ficou mais caro em 18 capitais, e o óleo de soja também subiu em 18.
Repare no perfil: batata, tomate, feijão e café são itens de preço volátil, que balançam conforme a safra. Arroz, leite, pão e óleo são a base do dia a dia, comprados toda semana. Quando os voláteis caem e os básicos sobem, a média da cesta recua — mas quem compra mais arroz e leite do que tomate e batata pode ter pagado a mesma coisa, ou até um pouco mais.
Queda no mês, alta no ano
Antes de comemorar, vale abrir o retrovisor. Comparando agosto de 2026 com agosto de 2025, a cesta básica ficou mais cara em 25 capitais — as altas mais fortes foram em Goiânia (7,51%), Cuiabá (6,42%) e Vitória (6,26%). E no acumulado deste ano, de dezembro para cá, todas as 27 capitais registraram aumento, com taxas de 2,82% em Brasília a 12,29% em Porto Velho.
A melhora de agosto é real e vale reconhecer. Ela só não reverte o que subiu antes. Ler um recuo mensal como mudança de tendência é o tipo de leitura que atrapalha o planejamento: você relaxa no controle justamente quando ainda precisa dele.
Por que os preços recuaram agora
Na maior parte, por safra. Batata e tomate estavam em período de colheita reforçada em agosto, e mais oferta significa preço menor na gôndola. O feijão carioca seguiu a mesma lógica, com o avanço da terceira safra.
Isso importa por um motivo prático: movimento de safra é passageiro. Quando a colheita termina e a oferta diminui, a tendência costuma se inverter. Por isso não dá para tratar a queda de agosto como o novo patamar de preços — ela é uma janela, não um degrau.
Como usar esse momento a favor do seu orçamento
Com café e feijão mais baratos, pode valer comprar um pouco além do consumo da semana. São produtos secos, que aguentam meses na despensa sem perder qualidade. Já batata e tomate pedem outra estratégia: em vez de estocar, é hora de usá-los mais nas receitas do mês, porque a validade é curta e o desperdício come qualquer economia.
Comparar preços continua sendo o hábito que mais rende. O valor da cesta varia entre mercados dentro da mesma cidade, e encartes e aplicativos de comparação são gratuitos. Cinco minutos antes de sair de casa, com a lista pronta, costumam valer mais do que qualquer promoção encontrada por acaso no corredor.
E se o arroz e o leite pesaram na sua conta este mês, vale olhar marcas alternativas e embalagens maiores desses dois itens específicos, já que são eles que estão puxando para cima.
O que acompanhar daqui pra frente
O DIEESE e a Conab divulgam a pesquisa todo mês, e acompanhar essas variações é um hábito barato que ajuda a planejar a compra grande. Os dados de setembro saem no começo de outubro, e o ponto a observar é se o arroz e o leite continuam subindo — são eles que decidem se a queda da cesta básica 2026 chega de verdade ao seu caixa.
Aqui no Clube Utua, a gente acompanha essas pesquisas e traduz os números no que eles significam para a sua rotina. Nem toda queda no noticiário vira economia na sua compra, e saber diferenciar uma coisa da outra já é meio caminho para organizar melhor o mês.