O crédito em 2026 deve continuar crescendo, mas os bancos já projetam uma desaceleração no ritmo de expansão durante o segundo semestre. Isso afeta diretamente quem pensa em financiar um carro, um imóvel ou parcelar uma compra maior nos próximos meses.
A pesquisa de economia bancária e expectativas da Febraban, realizada em agosto de 2026 com 21 instituições financeiras, mostra que 76,2% dos bancos esperam desaceleração gradual do crédito no segundo semestre. Outros 19% passaram a esperar uma desaceleração mais pronunciada, ante apenas 5% na pesquisa anterior, de junho.
Na pesquisa de agosto, os bancos projetaram crescimento de 8,9% para a carteira total de crédito em 2026, acima dos 8,7% estimados no levantamento de junho. Ainda é uma expansão, mas abaixo dos 10,2% registrados em 2025, segundo a mesma pesquisa.
O que é crédito no sentido bancário?
Quando os economistas falam em carteira de crédito, estão se referindo ao saldo das operações de crédito concedidas pelo sistema financeiro a pessoas e empresas. Isso inclui o financiamento de um imóvel ou de um carro, o limite do cartão e o crédito pessoal.
O crédito livre reúne operações cujas condições são definidas pelas próprias instituições financeiras, como o empréstimo pessoal e o rotativo do cartão. O crédito direcionado segue regras específicas de destinação, como o financiamento habitacional e as linhas do BNDES. Na pesquisa de agosto, os bancos projetam alta de 7,3% para o crédito livre e de 10,6% para o crédito direcionado em 2026.
Por que o crédito desacelera?
A Selic, juro básico da economia, foi reduzida para 13,75% ao ano em setembro, mas segue em patamar considerado elevado. Isso mantém o custo de captação dos bancos mais alto, o que se reflete nas taxas cobradas dos clientes.
Além da Selic, os bancos monitoram de perto a inadimplência. Quando mais gente deixa de pagar, as instituições tendem a ficar mais cautelosas para aprovar novos contratos, embora essa reação varie conforme o banco e a modalidade de crédito.
O que muda para quem ainda quer pedir crédito em 2026?
Na prática, a desaceleração tende a significar mais seletividade nas aprovações: os bancos avaliam cada cliente com mais cuidado. Quem tem histórico limpo, renda comprovada e bom score costuma ser menos afetado; quem está reconstruindo o score ou tem dívidas em aberto pode enfrentar mais dificuldade para ter o crédito aprovado.
Isso também pesa no bolso. Em uma simulação ilustrativa, um financiamento de R$ 30 mil em 24 parcelas pode custar cerca de R$ 2 mil a mais no total pago quando a taxa mensal sobe meio ponto percentual, de 2% para 2,5% ao mês. Por isso vale simular o financiamento em mais de um banco antes de fechar contrato, e não olhar só a parcela, mas o custo efetivo total (CET) informado pela instituição, um cuidado que vale para qualquer financiamento em crédito em 2026.
Esse cenário não significa que o crédito em 2026 vai desaparecer. Significa que o momento pede mais atenção antes de assinar: comparar taxas entre instituições, entender o custo efetivo total e verificar se as parcelas cabem no orçamento.
Como se preparar para esse cenário?
Manter o nome limpo e pagar as contas em dia segue sendo a base para ter acesso a crédito em boas condições, mesmo com os bancos mais criteriosos. Aqui no Clube Utua, acompanhamos de perto as movimentações do crédito em 2026 para ajudar você a entender o que elas significam na prática.
Se você já tem uma dívida para renegociar, vale procurar a instituição antes que o atraso aumente o saldo devido e comprometa ainda mais o orçamento.
E para quem planeja financiar algo nos próximos meses, o caminho de sempre continua valendo: pesquisar, comparar as taxas e ler com atenção o que está assinando antes de assumir qualquer parcela, seja um financiamento de veículo ou o parcelamento de uma compra maior, sempre de olho no cenário de crédito em 2026.