Quando o assunto é investir na Bolsa de Valores, analisar ações e seus principais indicadores é fundamental, ainda que você não precise ser um especialista do mercado financeiro. Vale3, WEGE3 e BBAS3, por exemplo, aparecem com frequência no noticiário, nas redes sociais e nos aplicativos de investimento.
Mas saber o nome de uma empresa e entender se a ação dela está cara, barata ou no preço certo são coisas muito diferentes. A análise fundamentalista existe justamente para responder essa pergunta, e ela começa com quatro indicadores que qualquer investidor pode aprender a ler de forma descomplicada. E é sobre isso que vamos falar em nosso artigo de hoje!
Valores simbólicos para ajudar na análise
Ah, mas antes de entrar nos números e nas dicas para você analisar ações com mais conhecido, vale um aviso importante: os valores citados aqui são indicativos, baseados em estimativas de 2025, e mudam todo dia conforme o preço das ações oscila.
O objetivo não é dizer se você deve ou não comprar esses papéis, pois isso depende do seu perfil e dos seus objetivos. O objetivo é mostrar como ler esses indicadores para que você consiga fazer as próprias perguntas.
4 indicadores para conhecer e analisar ações
Para analisar ações com propriedade, inicialmente, é preciso desvendar quatro indicadores. O primeiro deles é o P/L, que significa preço sobre lucro. Pense assim: se você comprasse uma padaria por R$ 100 mil e ela gerasse R$ 20 mil de lucro por ano, você recuperaria o investimento em 5 anos.
O P/L de uma ação funciona da mesma forma, ele diz em quantos anos de lucro atual o preço da ação seria pago. Um P/L de 6, como o da Vale3, sugere que a ação está mais barata em relação aos seus resultados. Um P/L de 38, como o da WEGE3, indica que o mercado está pagando um prêmio alto, o que geralmente acontece quando os investidores acreditam muito no crescimento futuro da empresa.
O que são o EBITDA e o ROE?
O EV/EBITDA vai um passo além quando o investidor deseja analisar ações: ele compara o valor total da empresa, incluindo as dívidas que ela tem e não apenas o valor das ações, com o quanto ela gera de caixa antes de pagar impostos, juros e depreciação. É útil quando você quer comparar empresas do mesmo setor sem que o nível de endividamento distorça a comparação.
Já o ROE, nosso terceiro indicador que é fundamental para analisar ações, significa o retorno sobre patrimônio e responde a uma pergunta simples: para cada real que os sócios colocaram na empresa, quanto ela devolveu em lucro? Um ROE de 38%, como o da WEG, significa que a empresa é muito eficiente em transformar capital em resultado.
Vale3: barata nos números, dependente do mundo lá fora
O último indicador é o dividend yield, que equivale aos famosos dividendos ou retorno sobre o investimento. Se formos analisar ações da Vale, com P/L em torno de 6 vezes e o dividend yield de aproximadamente 9% ao ano, a empresa aparece com uma das ações mais atrativas para quem busca receber dividendos, aquela parcela do lucro que a empresa distribui direto para o acionista.
Só que tem um detalhe importante: a Vale exporta principalmente minério de ferro, e o maior comprador desse minério é a China. Quando a economia chinesa cresce bem, o preço do minério sobe e a Vale lucra mais.
Quando ela desacelera, acontece o contrário. O câmbio também entra nessa conta, já que um dólar alto ajuda as exportações, mas uma Selic elevada aqui no Brasil pode frear o crescimento interno e pressionar as ações. O resultado é uma empresa com números atrativos, mas bastante sensível ao que acontece do lado de fora do país.
WEGE3: pagar caro pode valer a pena
Ao analisar ações, é necessário entender que cada investidor tem um perfil e um objetivo. A WEG é fabricante de motores elétricos, equipamentos industriais e soluções de energia, e é frequentemente citada como uma das empresas mais bem geridas da bolsa brasileira.
O P/L próximo de 38 vezes deixa muita gente com o pé atrás: “está cara demais.” Mas o ROE de cerca de 38% e anos seguidos de crescimento consistente explicam esse prêmio. Na prática, quem compra WEG não está apostando no lucro de hoje, mas na capacidade da empresa de continuar crescendo e reinvestindo bem nos próximos anos.
O dividend yield baixo, em torno de 1,5%, confirma isso: a empresa prefere reinvestir o lucro do que distribuir. É uma tese de longo prazo, não de renda imediata. Viu só como analisar ações traz uma série de perguntas e conceitos que precisamos aprender ao longo do tempo para otimizar os investimentos na Bolsa?
BBAS3: os números são bons, mas há um risco que precisa ser considerado
O Banco do Brasil combina P/L próximo de 5 vezes com dividend yield também em torno de 9% e ROE de aproximadamente 22%. Esse é um conjunto que, no papel, parece muito atrativo. Mas, como dissemos anteriormente, analisar ações exige um pensamento que vai além. Quer ver só?
Para bancos, o EV/EBITDA não costuma ser usado como referência, porque a estrutura financeira desse setor é completamente diferente: banco capta dinheiro para emprestar, e isso embaralha os cálculos de geração de caixa operacional.
O desconto que o Banco do Brasil carrega em relação aos bancos privados tem uma explicação: por ser estatal, existe sempre o risco de que decisões políticas influenciem os resultados. A concessão de crédito subsidiado, por exemplo, ou mudanças de gestão por pressão do governo.
Ao mesmo tempo, o banco tem carteira forte no agronegócio e vem apresentando resultados sólidos, o que faz muitos investidores enxergarem mais oportunidade do que risco. É por isso que, embora ninguém precise ser especialista, acompanhar os noticiários e os movimentos econômicos e políticos do país é fundamental para analisar ações com mais perspectiva.
Um estudo contínuo e válido pelo melhor investimento
Olhar para empresas reais é a melhor forma de aprender análise fundamentalista. Cada setor exige métricas diferentes, cada empresa tem riscos próprios, e o cenário econômico relacionado a juros, ao câmbio, e à demanda externa muda o peso de cada fator.
Os indicadores são o ponto de partida para analisar ações, não a resposta final. Antes de qualquer decisão de investimento, vale aprofundar a pesquisa, diversificar a carteira e, se necessário, conversar com um assessor de investimentos.