28/09/2026
14h07
pessoa conferindo a conta de luz no celular após o anúncio da bandeira verde em outubro

Bandeira verde em outubro é a notícia que todo mundo queria ouvir no meio de um calor de até 41 °C: a Aneel confirmou, em 25 de setembro, o fim da cobrança extra da bandeira amarela depois de cinco meses seguidos. O que a manchete não conta é que, enquanto o anúncio circulava, o ar-condicionado e o ventilador trabalhavam a todo vapor em milhares de casas — e é isso que decide o tamanho do boleto.

Respire: ninguém precisa passar calor para economizar, e saúde vem antes de qualquer fatura. Aqui no Clube Utua, já explicamos como as bandeiras mexem no preço da energia; agora vamos fazer juntos a outra conta, a do consumo — cinco minutos que podem poupar um susto quando o boleto chegar.

A conta que a bandeira verde em outubro não muda

A bandeira verde é o sinal de que gerar energia está mais barato naquele mês: segundo a Aneel, as chuvas no Sul e no Sudeste ajudaram a estabilizar os reservatórios das hidrelétricas e, com menos usinas térmicas ligadas, a conta fica sem acréscimo.

A fórmula da conta de luz é simples: consumo em kWh vezes a tarifa da distribuidora, mais a bandeira, com impostos por cima e, em muitas cidades, a taxa de iluminação pública. O kWh (quilowatt-hora) mede quanta energia você usou — pense nele como o “litro” da eletricidade.

Em números redondos, uma casa que gasta 200 kWh por mês pagava R$ 3,77 de bandeira amarela, antes dos impostos, já que a cobrança era de R$ 1,885 a cada 100 kWh. Com a bandeira verde em outubro, esse valor some: é um alívio real, mas do tamanho de um cafezinho.

O ar-condicionado fala mais alto que a bandeira

Do outro lado da balança, um ar-condicionado de 9.000 BTUs consome algo entre 0,6 kWh e 1 kWh por hora, conforme o modelo e a temperatura (estimativa aproximada). Usando a média de 0,8 kWh, ligá-lo quatro horas a mais por dia, durante 30 dias, soma perto de 96 kWh — cerca de R$ 96,00 numa tarifa ilustrativa de R$ 1,00 por kWh, já com impostos.

Ou seja, o calor pode somar à fatura mais de 25 vezes o que a bandeira tira dela. E o preço também anda: a Aneel projeta efeito médio de 9,4% nos reajustes das distribuidoras em 2026, acima da inflação prevista, e o valor do kWh muda de estado para estado.

Por que o susto chega junto com a bandeira verde em outubro

A leitura do medidor segue ciclos de cerca de 30 dias que raramente coincidem com o mês do calendário, e por isso a fatura que chega em outubro mede boa parte do que você consumiu em setembro — justamente nos dias mais quentes. Na prática, essa conta ainda vem quase toda com bandeira amarela, e o efeito da bandeira verde de outubro aparece mesmo na fatura que chega em novembro.

As regras da Aneel mandam cobrar cada bandeira pelos dias em que ela esteve em vigor. Se a sua leitura vai de 15 de setembro a 15 de outubro, a primeira metade ainda carrega a bandeira amarela, e quem esperava economia pode encontrar o contrário: consumo maior e um restinho de cobrança extra.

Onde está o número que importa na sua fatura

Na última conta de luz, em papel ou no app da distribuidora, procure a linha de consumo em kWh. Perto dela, quase toda fatura traz um gráfico de barrinhas com o histórico dos meses anteriores, que funciona como um termômetro: mostra se o mês fugiu do padrão e em quanto.

Se a média era 180 kWh e a barra de setembro saltou para 260 kWh, a diferença de 80 kWh — perto de R$ 80,00 na tarifa ilustrativa — veio do seu uso, e não da cor anunciada no jornal.

5 hábitos baratos para atravessar o calor

A bandeira verde em outubro ajuda um pouco, mas estes hábitos ajudam bem mais, sem sofrimento (valores estimados):

  • Ventilador primeiro: gasta cerca de 0,1 kWh por hora, perto de R$ 24,00 por mês em 8 horas diárias, contra quase R$ 190,00 do ar-condicionado no mesmo uso.
  • Ar a 23 °C, não a 17 °C: em 8 horas, o aparelho a 17 °C pode consumir de 6,5 a 7,2 kWh, contra 4,5 a 5,5 kWh a 23 °C — com portas e janelas fechadas.
  • Cortina fechada no sol forte: o ambiente esquenta menos e o ar-condicionado faz menos esforço.
  • Geladeira longe do sol e do fogão: e nada de “abre e fecha” à toa, que obriga o motor a trabalhar de novo.
  • Chuveiro no modo verão: pode gastar de 30% a 40% menos energia que no inverno, e em dia de 40 °C ninguém sente falta da água pelando.

O seu número vale mais que a cor da bandeira

Hoje mesmo, abra o app da distribuidora ou pegue a conta de setembro, anote o consumo em kWh no bloco de notas do celular e compare com a próxima fatura. Se a diferença for de 50 kWh, você vai saber que o calor custou perto de R$ 50,00 — e não vai culpar a bandeira verde em outubro pelo boleto.

Quem conhece o próprio número deixa de ser surpreendido pela bandeira verde em outubro — ou por qualquer outra cor — e passa a escolher onde gastar, sem abrir mão do ar na tarde de 40 °C. Para seguir descomplicando as contas da casa, vale continuar pelos outros conteúdos do Clube Utua.

Sobre o Autor

Paula Gargiulo
Paula Gargiulo

Jornalista especializado em Jornalismo Digital, com experiência em SEO, redação web, marketing de conteúdo e estratégias de conteúdo baseadas em dados. Ela é responsável pela estratégia editorial, produção de conteúdo e padrões de qualidade da UTUA, garantindo precisão, consistência, clareza e alinhamento com os padrões de comunicação editorial e financeira em todos os materiais publicados. Desde 2020, ela contribuiu com mais de 20.000 peças de conteúdo em mais de 60 países.