03/07/2026
15h36
Carteira de renda fixa

A carteira de renda fixa entra em um momento decisivo em julho de 2026. O Comitê de Política Monetária reduziu a Selic para 14,25% ao ano em 17 de junho, o terceiro corte consecutivo do ciclo. O Boletim Focus mais recente projeta a taxa encerrando o ano em 14,00%, revisada para cima nas últimas semanas.

Isso confirma um ciclo de corte, não de alta, mas cada vez mais raso. A próxima reunião do Copom ocorre em 4 e 5 de agosto, e o mercado já trabalha com a hipótese de essa ser a última redução do ano. Para a carteira de renda fixa, o momento pede repensar a divisão entre prefixado, pós-fixado e IPCA+.

Por que o pós-fixado perde força relativa

Títulos pós-fixados, como o Tesouro Selic e CDBs indexados a um percentual do CDI, acompanham a taxa básica dia a dia. Com o CDI próximo de 14,15% ao ano, o rendimento nominal ainda parece elevado, mas tende a cair aos poucos conforme o Copom avança no corte.

Isso não significa abandonar o pós-fixado dentro da carteira de renda fixa, já que ele mantém liquidez e baixa volatilidade de preço, sendo útil para a reserva de emergência. O ponto de atenção é que sua rentabilidade futura depende diretamente da Selic, então essa ponta perde atratividade relativa conforme os juros recuam.

O prefixado ganha espaço, mas exige atenção à marcação a mercado

Travar uma taxa prefixada hoje pode fazer sentido para quem acredita em novos cortes à frente, já que o investidor garante uma remuneração fixa independentemente do que vier depois. Parte do mercado ainda precifica algum espaço para queda adicional dos juros neste ano. O risco aparece na marcação a mercado.

O preço do título oscila de forma inversa à expectativa de juros, então se as projeções de Selic ou inflação subirem antes do vencimento, o valor no mercado secundário cai. Quem resgatar antecipadamente nesse cenário pode registrar perda. Por isso, essa fatia da carteira de renda fixa costuma ser mais adequada a quem tem previsibilidade sobre o prazo de uso do dinheiro.

O papel do IPCA+ na proteção do poder de compra

Títulos atrelados à inflação, como o Tesouro IPCA+, pagam uma taxa real mais a variação de preços. Essa característica ganha relevância justamente agora, já que o IPCA projetado para 2026 segue acima do teto da meta, em torno de 5,33% ao ano segundo o Focus.

Mesmo com o acordo de paz no Oriente Médio, que aliviou parte da pressão sobre o petróleo, a inflação de alimentos e combustíveis segue elevada. Nesse contexto, o IPCA+ funciona como meio-termo dentro da carteira de renda fixa, unindo proteção do poder de compra a uma rentabilidade real travada na compra.

Como pensar a divisão entre as três pontas

Não existe fórmula fixa de percentual para dividir a carteira de renda fixa entre prefixado, pós-fixado e IPCA+. A lógica mais consistente é olhar o prazo de cada objetivo, reservas de curto prazo combinam melhor com pós-fixado pela liquidez, enquanto metas de médio e longo prazo comportam prefixado e IPCA+.

Diversificar entre os três indexadores reduz a dependência de um único cenário. Se a Selic cair mais do que o esperado, prefixado e IPCA+ se beneficiam, se a inflação surpreender, o IPCA+ protege o poder de compra, e se os juros seguirem altos, o pós-fixado continua entregando retorno relevante.

Qualquer projeção de juros é probabilística e sujeita a revisão a cada nova rodada de dados, então a estratégia da carteira de renda fixa deve ser reavaliada a cada reunião relevante do Copom. Este conteúdo tem caráter educativo e não representa recomendação de investimento personalizada.

Sobre o Autor

Mariana Murta
Mariana Murta

Atua desde 2022 como analista de conteúdo do Utua. Já escreveu mais de 2.400 textos para diversos países, explorando diferentes culturas e estilos de comunicação.