16/01/2026
11h04
caso reag

Nas últimas semanas, as fraudes financeiras envolvendo o Banco Master têm movimentado os noticiários brasileiros. Mais recentemente, em 14 de janeiro de 2026, o caso Reag trouxe uma nova decisão do Banco Central para a liquidação de duas instituições financeiras, que são a CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A – antiga Reag Investimentos, e da Advanced Corretora de Câmbio Ltda.

A liquidação extrajudicial representa a paralisação das atividades de empresas financeiras. Ou seja, essas instituições não podem mais operar e terão seus ativos vendidos para cobrir os danos causados a credores e ao próprio Sistema Financeiro Nacional (SFN). Mas o que levou o Banco Central a decretar o encerramento das atividades dessas instituições?

O que é o caso Reag?

Para entender o assunto com um pouco mais de clareza, é importante destacar que, desde 2023, a Reag já era alvo da operação Carbono Oculto, realizada pela Polícia Federal. Nessa investigação, havia indícios de que a empresa estava envolvida em um esquema bilionário para lavar o dinheiro do crime organizado, principalmente por meio do uso de postos de gasolina.

A operação mais recente, intitulada Compliance Zero, contudo, é que traz essa relação do caso Reag com o Banco Master, que também sofreu liquidação extrajudicial devido a fraudes concentradas na venda de carteiras de crédito. Em resumo, o Master fazia manobras para inflar ativos, o que fez com que o antigo banco acumulasse dívidas bilionárias.

Retornando à questão principal sobre como o caso Reag e Master se relacionam, saiba que nessa última operação a Polícia Federal identificou que as instituições trabalhavam em conjunto para, novamente, inflar os seus balanços. O detalhamento da investigação mostra, até agora, que o esquema funcionava assim: investidores aplicavam o dinheiro em CDBs do Master, que emprestava esse mesmo dinheiro de ativos para empresas laranjas.

Essas empresas que atuam para acobertar fraudes de terceiros, e que por isso são registradas em nomes de outras pessoas, investiam nos fundos da Reag. E a partir disso, a Reag investia valores no Master, formando, assim, um ciclo que permitia que ambas as empresas declarassem que seus balanços estavam mais inflados que a realidade, uma estratégia para declarar um patrimônio mais alto que o real.

O que acontece agora?

Em comunicado, o Banco Central afirmou que segue apurando responsabilidades e que as liquidações ocorrem após a constatação do descumprimento de normas legais. Enquanto as autoridades monetárias, policiais e judiciais buscam respostas para o caso Reag e do antigo Banco Master, é importante lembrar que os fundos de investimento das empresas liquidadas seguem existindo, mas devem ser transferidos agora para novas gestora.

Sobre o Autor

Emelyn Vasques
Emelyn Vasques

Jornalista, atua há 8 anos nas áreas de assessoria de imprensa, comunicação e produção de conteúdos para diferentes veículos e plataformas. Destaca-se em sua trajetória a experiências como repórter no Jornal Diário do Comércio, especializado na cobertura econômica de Minas Gerais.