CBS e IBS. Grave bem essas siglas, pois elas vão fazer parte do nosso vocabulário cada vez mais. Isso porque esses dois impostos fazem parte da maior reforma tributária da história do Brasil, que já está em andamento e vai impactar o preço de tudo que você compra. E hoje nós vamos descobrir tudo sobre o assunto.
Por que a Reforma aconteceu?
Aprovada no fim de 2023 pela Emenda Constitucional 132, a Reforma Tributária começou a sair do papel em 2025 com a publicação dos regulamentos dos impostos CBS e IBS. A transição oficial para o novo sistema começou em 2026, mas se estenderá até 2033. Ou seja, ainda temos tempo para nos acostumar com essas mudanças.
Mas por que uma reforma tão grande foi necessária? O sistema tributário brasileiro acumulou décadas de remendos. Eram cinco tributos diferentes cobrados sobre consumo – PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS – cada um com regras próprias, alíquotas distintas e cobrados em etapas diferentes da cadeia produtiva.
O resultado de diferentes impostos era um labirinto que consumia tempo, dinheiro e paciência de qualquer empresa que tentasse entender o que devia ao governo. E nós, como cidadãos, também somos impactados, conforme veremos ao longo do artigo.
CBS e IBS: 2 tributos no lugar de 5
A reforma substitui esses cinco tributos por dois: o CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), de competência federal, que absorve o PIS e a Cofins; e o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), que une o ICMS estadual e o ISS municipal. Há ainda um terceiro componente, o Imposto Seletivo, criado para produtos considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, como cigarros e bebidas alcoólicas. O IPI passa por mudanças à parte.
A alíquota combinada de CBS e IBS ainda está sendo definida, mas as estimativas giram em torno de 26% a 28%, o que pode parecer alto, mas substitui tributos que, somados e com todos os seus efeitos em cascata, já pesavam muito mais do que esse número sugere.
A grande diferença é que o novo modelo é não cumulativo: o imposto pago em cada etapa da cadeia é descontado na etapa seguinte, o que deve eliminar a sobreposição de tributos que encarecia tudo.
O que muda para o consumidor final
Com a implantação dos impostos CBS e IBS, para quem compra (o consumidor), a reforma tem dois lados. De um lado, produtos industrializados tendem a ficar mais baratos, porque a eliminação da cumulatividade reduz o custo tributário ao longo da cadeia de produção.
De outro, alguns serviços – como os prestados por profissionais liberais, clínicas e escritórios – podem encarecer, já que hoje pagam o ISS, cuja alíquota costuma ser menor do que a do novo IBS.
Mas uma novidade chama a atenção: a reforma prevê um mecanismo de cashback para famílias de baixa renda, devolvendo parte do CBS e do IBS pago em compras do dia a dia, como alimentos e energia elétrica.
E para quem tem negócio próprio?
Para empreendedores, autônomos e pequenas empresas, a reforma exige atenção redobrada. O Simples Nacional continua existindo, mas as empresas que optam por ele precisarão acompanhar as novas regras de transição, que têm cronograma próprio.
Quem está fora do Simples já começa a conviver com alíquotas-teste de CBS e IBS em 2026, principalmente pela necessidade de adaptação dos sistemas. A migração completa acontece de forma gradual até 2033.
Outro ponto relevante para os negócios é que o novo sistema muda onde o imposto é cobrado: em vez de incidir na origem da produção, passa a incidir no destino do consumo. Isso beneficia estados consumidores e pode impactar a estratégia fiscal de empresas que hoje aproveitam benefícios tributários regionais.
Por onde começar a se preparar
A reforma tributária não é um problema de amanhã: ela já está acontecendo. Para o consumidor, acompanhar como os preços se comportam nos próximos anos é uma forma de entender seus efeitos na prática.
Para quem tem empresa, conversar com um contador sobre o impacto no regime tributário atual e as mudanças com a chegada do CBS e IBS é um passo concreto e urgente para que tudo esteja preparado quando a mudança for feita integralmente.