Você sabe o que é CET? Imagine que você recebe duas propostas de crédito com parcelas praticamente iguais. Nesse momento, é natural pensar que as duas opções custam o mesmo no final das contas. Essa é uma das armadilhas mais comuns na hora de contratar um empréstimo ou financiamento.
O problema é que a parcela mostra apenas uma parte da história. Ela reflete o valor mensal, mas não revela taxas administrativas, seguros embutidos ou impostos que podem estar diluídos ao longo do contrato. É exatamente aí que entra o CET.
Duas pessoas podem fechar contratos com parcelas quase idênticas e, ainda assim, pagar valores totais bem diferentes ao final. A única forma de enxergar essa diferença antes de assinar é olhar para um número específico, que reúne todos os custos envolvidos na operação.
O que é o CET, na prática
CET é a sigla para Custo Efetivo Total, um indicador que reúne tudo o que você paga por uma operação de crédito. Ele não considera apenas os juros, mas também tarifas, seguros associados, tributos como o IOF e outros encargos previstos no contrato.
Esse conjunto de custos é convertido em uma única taxa percentual anual. Assim, em vez de analisar vários números espalhados pelo contrato, o consumidor tem um só indicador que representa o custo real daquela dívida, do início ao fim do pagamento.
Pense no CET como o preço final de um produto, já com todos os acréscimos somados. É mais simples e mais honesto do que comparar apenas um item isolado, como a taxa de juros anunciada em destaque.
Por que o CET é sempre maior que a taxa de juros anunciada
A taxa de juros costuma aparecer com letras grandes na propaganda, mas ela representa apenas uma fatia do custo total. Tarifas de cadastro, seguros e impostos normalmente ficam de fora desse número, mesmo fazendo parte do valor final pago.
Por isso, o CET tende a ser sempre igual ou maior que a taxa de juros informada isoladamente. Ele soma todos os encargos que a taxa de juros, sozinha, não mostra ao consumidor no primeiro contato com a proposta.
Um exemplo ilustrativo ajuda a entender. Duas propostas com taxa de juros parecida podem ter CET bem diferente, porque uma cobra mais tarifas e seguros do que a outra ao longo do contrato.
Por isso, quando uma proposta anuncia apenas a taxa de juros, vale desconfiar. O número completo, que mostra o custo real da dívida, é sempre o CET, e não a taxa isolada destacada no anúncio.
Como usar o CET para comparar propostas
Pedir o CET antes de assinar qualquer contrato é um direito do consumidor. Por norma do Banco Central, atualmente disciplinada pela Resolução CMN nº 4.881, as instituições são obrigadas a informar esse número antes da contratação.
Na hora de comparar propostas, o ideal é deixar a parcela e a taxa de juros em segundo plano. O número que realmente importa para saber qual crédito é mais barato no total é o CET expresso em taxa anual.
De forma simples, quanto menor o CET, mais barata tende a ser a operação de crédito no total pago. Essa regra vale para financiamentos, empréstimos pessoais e outras modalidades de crédito oferecidas a pessoas físicas.
Um hábito simples que evita prejuízo
Perguntar qual é o CET antes de assinar qualquer contrato de crédito é um hábito simples, mas que pode representar uma economia real ao longo do tempo. Esse pequeno cuidado muda a forma como se avalia uma proposta.
Vale lembrar que crédito é dívida e deve caber no orçamento, mesmo quando o CET apresentado é baixo. Analisar o custo total é importante, mas não substitui o planejamento das próprias finanças antes de assumir qualquer compromisso.
Ao comparar sempre pelo CET, e não apenas pela parcela ou pela taxa de juros, o consumidor toma decisões mais conscientes. É esse olhar mais completo que ajuda a evitar surpresas desagradáveis no meio do caminho.