12/02/2026
23h34
crédito

Você já parou para pensar que a palavra “crédito” vem do latim credere, que significa acreditar, confiar ou crer? No mundo das finanças, quando alguém te empresta um valor, essa pessoa, que geralmente é jurídica, a exemplo de um banco, está dizendo que confia na sua reputação e acredita que você vai devolver o valor conforme o combinado. 

É por isso que para conquistar um empréstimo ou financiamento, que são tipos de créditos, nós precisamos ter um nome confiável. Nome limpo, boa reputação de crédito, alta pontuação no score e outras nomenclaturas seguem nessa mesma ideia de ser confiável perante o mercado financeiro. 

O que você paga de verdade por solicitar um crédito?

Mas essa “crença” do banco tem um custo, e é aí que muita gente se perde por não olhar para o rótulo completo da operação.Mesmo com uma boa reputação, ninguém é isento da cobrança de juros, não é mesmo? Mas e se nós disséssemos que os juros mensais estão longe de ser a única taxa que incide sobre um produto financeiro?

Hoje, queremos que você chegue ao final deste artigo com uma certeza: o que realmente importa na contratação de um crédito é o Custo Efetivo Total (CET). Esse indicador é a taxa real da operação, pois inclui não só os juros, mas também impostos (como o IOF), tarifas bancárias, seguros e registros.

Dica especial para você!

O CET é obrigatório por lei e deve ser informado de forma clara, como uma taxa percentual anual. Sempre que for comparar duas ofertas de bancos diferentes, ignore a taxa de juros isolada e compare o CET. É ele quem diz qual empréstimo é, de fato, mais barato. 

O perigo da conveniência e o famoso rotativo

Sabe aquele limite do cheque especial que aparece na sua conta ou a fatura do cartão de crédito que você decide não pagar por inteiro? Isso é o crédito rotativo, uma opção extremamente sedutora, já que é automática  e não tem uma data fixa para acabar, mas essa facilidade tem um preço altíssimo.

Como o banco não tem uma garantia real e não sabe quando você vai pagar, o risco para ele é muito alto. Consequentemente, as taxas de juros do rotativo são as maiores do mercado. É o tipo de crédito que deve ser usado apenas em emergências curtíssimas, de poucos dias, pois ele tem o poder de virar uma bola de neve no orçamento antes mesmo de você perceber.

O empréstimo pessoal é uma opção melhor?

Diferente do rotativo, o empréstimo pessoal clássico traz o que chamamos de previsibilidade. Ao contratar, você já sabe exatamente quantas parcelas vai pagar e qual o valor de cada uma, o que permite que você encaixe a dívida no seu planejamento mensal de forma consciente. 

Como o banco consegue prever a entrada desse dinheiro, as taxas costumam ser bem mais amigáveis do que as do cartão de crédito. É uma ferramenta útil para realizar projetos específicos ou até para trocar uma dívida cara (rotativa) por uma mais barata e organizada.

O campeão das taxas baixas: o consignado!

Se você é assalariado ou aposentado, o crédito consignado é, geralmente, a opção mais barata disponível. Isso acontece porque o risco para o banco é mínimo: a parcela é descontada diretamente da sua folha de pagamento ou do seu benefício, antes mesmo de o dinheiro chegar na sua mão. No entanto, é preciso ter cautela com a margem consignável.

Por lei, você só pode comprometer até 35% da sua renda líquida com esse tipo de empréstimo (sendo 5% exclusivos para despesas de cartão). Embora as taxas sejam baixas e os prazos longos, o perigo aqui é o psicológico: como o dinheiro nem passa pela sua conta, você pode acabar se esquecendo de que aquela parte da sua renda já está comprometida, o que pode levar ao superendividamento se não houver um controle rigoroso do que sobra para viver o mês.

Conselhos para o seu bolso

O crédito não é um vilão, desde que seja usado com estratégia. A regra de ouro é: nunca use crédito para cobrir despesas básicas do dia a dia, como supermercado ou contas de luz, de forma recorrente. Use-o para investimentos, projetos ou para organizar dívidas bagunçadas. 

E lembre-se: quanto maior a garantia que você dá ao banco (como no caso do consignado), menor será o juro que você vai pagar. Estude o seu CET, proteja sua margem e mantenha sua reputação de “merecedor de crédito” sempre intacta! Mas saiba que o mundo ideal que deve ser buscado é o da poupança, do planejamento com antecedência e do investimento.

Sobre o Autor

Emelyn Vasques
Emelyn Vasques

Jornalista, atua há 8 anos nas áreas de assessoria de imprensa, comunicação e produção de conteúdos para diferentes veículos e plataformas. Destaca-se em sua trajetória a experiências como repórter no Jornal Diário do Comércio, especializado na cobertura econômica de Minas Gerais.