À medida que o investidor ganha experiência, é natural que a busca por retornos maiores o leve a olhar para o crédito privado devido a fatores como experiência, conhecimento e até mesmo a vontade de multiplicar seu patrimônio. Isso é bastante natural e até mesmo indicado, já que você passa a ter uma posição financeira já consolidada, com reservas financeiras já criadas e seguras em outros tipos de investimento.
Nesse contexto, propostas que oferecem taxas como inflação mais oito ou nove por cento ao ano são quase irrecusáveis. Contudo, é preciso ter cuidado e entender os riscos de cada tipo de investimento, principalmente quando o assunto é crédito privado, ou seja, aqueles investimentos que dependem da performance de empresas e a distribuição de debêntures.
Como avaliar os riscos do crédito privado?
Diferentemente dos baixos riscos conhecimento do Tesouro Direto, que é garantido pelo Governo, e os Certificados de Depósito Bancário (CDBs), protegidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o crédito privado traz todo o risco que as empresas enfrentam em suas áreas de atuação. Aqui, se a companhia enfrentar uma crise ou entrar em recuperação judicial, não existe um seguro capaz de devolver o seu dinheiro de forma automática.
Nessa relação do investir e o crédito privado, portanto, você é um credor da empresa e está exposto diretamente à saúde do balanço dela. Mas isso não significa que esse tipo de aplicação financeira deva ser deixada de lado. Pelo contrário: é necessário criar estratégias para aproveitar a rentabilidade do crédito privado sem que isso represente riscos irreparáveis.
Entendendo mais sobre o assunto
O universo do crédito privado é composto principalmente por três palavras famosas: os CRIs, os CRAs e as debêntures. As debêntures são títulos de dívida emitidos por empresas para financiar seus projetos, como a construção de uma nova fábrica ou a expansão de uma rede. Os credores que apostam nesse tipo de título de renda fixa recebem juros, já que estão emprestando dinheiro a essas empresas.
Já os CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários) e os CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio) são papéis de dívidas de setores específicos. O grande atrativo para a pessoa física é que, na grande maioria desses casos, os rendimentos são isentos de Imposto de Renda. Essa isenção é um incentivo do governo para fomentar setores estratégicos, mas ela nunca deve ser o único motivo da sua escolha, pois um rendimento isento em uma empresa que quebra se torna um prejuízo líquido e certo.
Segredos para não perder dinheiro
Para navegar nesse mar sem naufragar ou afogar, o investidor precisa se proteger. E existe uma forma bem interessante, que é acompanhar as notas dadas pelas agências de classificação de risco, conhecidas como ratings. Gigantes globais como S&P, Moody’s e Fitch avaliam as empresas e atribuem notas que vão do AAA (triplo A), que indica a máxima segurança, até o D, que sinaliza o descumprimento de obrigações financeiras.
Um rating AAA não é uma garantia absoluta de que nada dará errado, mas mostra que, naquele momento, a empresa tem uma capacidade de pagamento muito superior a uma empresa com nota BB ou C. Ignorar o rating em troca de uma taxa de juros ligeiramente maior é um dos erros mais comuns e perigosos que o investidor avançado pode cometer.
A diversificação é a chave do sucesso
Para não perder dinheiro e sofrer com calotes – até mesmo de grandes empresas e reconhecidas no mercado – a diversificação da carteira de investimentos é a maior aliada do investidor. E a nossa dica principal é: nunca concentre mais de cinco por cento do seu patrimônio total em um único emissor de títulos de crédito privado, conforme opções vistas hoje.
Se uma empresa da sua carteira enfrentar problemas, o impacto será diluído e não comprometerá o seu futuro financeiro. No crédito privado, a rentabilidade extra é, na verdade, o pagamento que a empresa te dá para você aceitar o risco dela. Por isso, entender que esse ganho não vem de graça é o que separa o investidor de sucesso do descuidado.