25/06/2026
18h39
CRI e CRA em 2026

CRI e CRA estão entre os ativos de renda fixa mais comentados em 2026, e não é por acaso. Com a Selic em 15% ao ano e isenção de Imposto de Renda para pessoa física, esses títulos entregam retornos líquidos que superam boa parte das alternativas disponíveis no mercado. Mas, antes de alocar, vale entender o que está por trás desse desempenho, e quais riscos acompanham essa atratividade.

O CRI, Certificado de Recebíveis Imobiliários, é lastreado em recebíveis do setor imobiliário, como aluguéis e financiamentos. O CRA, Certificado de Recebíveis do Agronegócio, tem como base recebíveis rurais, como vendas de commodities e financiamentos agrícolas. Ambos são emitidos por securitizadoras e isentos de IR para a pessoa física, o que muda bastante o cálculo do rendimento líquido.

A matemática da isenção fiscal

A isenção de IR sobre CRI e CRA faz diferença concreta em cenário de juros altos. Um CRA com retorno de IPCA+8% ao ano, livre de imposto, equivale a aproximadamente um CDB de IPCA+9,5% tributado à alíquota de 15%, que é a alíquota para aplicações acima de dois anos. Em prazos longos e com aportes maiores, essa diferença se acumula de forma relevante.

Com o prazo mínimo das LCIs e LCAs ampliado, investir em CRI e CRA ocupa um espaço interessante para quem busca renda fixa isenta com estruturas e prazos variados. Emissões atreladas a IPCA+, CDI+ e prefixado permitem montar uma carteira com perfis distintos dentro do mesmo benefício fiscal.

Os três riscos que costumam passar despercebidos

O primeiro é o risco de crédito sem cobertura do FGC. Ao contrário de CDBs e LCIs, CRI e CRA não têm o Fundo Garantidor de Créditos. O risco é do lastro: se os devedores que compõem os recebíveis não pagarem, o investidor pode ter perdas. Para avaliar, observe o rating da emissão, com no mínimo A- para perfis conservadores, e a qualidade do lastro, sendo recebíveis pulverizados mais seguros do que concentrados em um único devedor.

O segundo risco é a liquidez: o mercado secundário ainda é limitado no Brasil, e vender CRI e CRA antes do vencimento pode gerar deságio relevante. O terceiro é o pré-pagamento, comum em CRAs: boas safras podem levar devedores a antecipar o pagamento, devolvendo o capital antes do prazo e forçando reinvestimento em condições possivelmente piores.

Como analisar antes de investir

Antes de alocar, verifique o rating da emissão e o da garantia separadamente, pois são informações distintas e as duas importam na análise de CRI e CRA. Avalie também a concentração do lastro, lembrando que recebíveis pulverizados entre vários devedores oferecem menos risco do que os concentrados em um único pagador, e cheque se o prazo do título é compatível com o seu horizonte de investimento.

Entenda também o indexador: IPCA+ protege contra inflação e é mais indicado para quem quer ganho real no longo prazo, enquanto CDI+ tende a ser mais vantajoso quando a expectativa é de juros altos por mais tempo. Pesquise o histórico da securitizadora e do originador, pois transparência e emissões anteriores honradas são sinais de qualidade relevantes para a decisão.

CRI, CRA e debêntures incentivadas: quando cada um faz sentido

Os três compartilham a isenção de IR para pessoa física, mas têm perfis distintos: CRI para exposição imobiliária com prazo de 5 a 10 anos, CRA para o agronegócio com prazo de 3 a 7 anos, e debênture incentivada para infraestrutura, com emissores geralmente de maior porte.

Os três podem ser complementares em uma carteira de renda fixa isenta bem estruturada, distribuindo o risco entre setores distintos, como imobiliário, agronegócio e infraestrutura, sem abrir mão do benefício fiscal ao longo de toda a alocação.

Quanto alocar e como montar a posição

Para o investidor intermediário, CRI e CRA devem compor no máximo 20% a 30% da carteira de renda fixa, com o restante em produtos com FGC ou títulos soberanos. Dentro dessa fatia, diversifique entre pelo menos três emissões de setores e originadores distintos, sem concentrar mais de 10% do total da carteira em um único título.

Antes de imobilizar capital nesses ativos, garanta ao menos seis meses de despesas em produtos com liquidez diária. Com a reserva protegida e a base da carteira ancorada em ativos mais seguros, CRI e CRA cumprem bem o papel de elevar o rendimento líquido, e entender o que está por trás de cada emissão é o que transforma uma boa taxa no papel em um investimento bem fundamentado.

Sobre o Autor

Mariana Murta
Mariana Murta

Atua desde 2022 como analista de conteúdo do Utua. Já escreveu mais de 2.400 textos para diversos países, explorando diferentes culturas e estilos de comunicação.