Quem decide mudar de cidade pela primeira vez costuma começar pesquisando o preço do frete. Faz sentido, porque é o gasto mais visível, mas o custo da mudança de cidade de verdade só aparece nas primeiras semanas no novo endereço, quando a garantia do aluguel, os móveis e as contas das duas casas chegam juntos.
Isso não é descuido de ninguém, é que essa conta raramente é ensinada antes da hora. A boa notícia é que ela cabe numa folha de papel, e uma parte dela pode até ser negociada, porque a lei limita o que o dono do imóvel pode cobrar de quem aluga.
O que vem antes do frete?
No custo da mudança de cidade, o maior gasto de entrada costuma ser a garantia do aluguel. A mais comum é a caução em dinheiro, que pela Lei do Inquilinato (Lei 8.245/1991) pode chegar a três meses de aluguel. É muito dinheiro de uma vez, mas não é dinheiro perdido: a lei manda depositar a caução na poupança, e ela volta para você com o rendimento no fim do contrato, desde que o imóvel seja devolvido nas condições em que foi recebido.
Se a caução não couber no orçamento, a mesma lei prevê outras garantias, como o fiador e o seguro-fiança. O seguro troca o depósito grande por um valor pago à seguradora, que fica mais leve na entrada mas não volta no fim do contrato, então vale comparar qual das opções pesa menos no seu bolso.
Depois vem a montagem mínima da casa: colchão, utensílios de cozinha, produtos de limpeza e algum móvel básico para o dia a dia. Quem aluga um imóvel vazio raramente escapa desse gasto, mesmo comprando aos poucos, e é ele que costuma aparecer como um segundo aperto logo depois da entrada.
O que a lei não deixa cobrar de você
Dois itens que muita gente paga sem questionar nem deveriam entrar no custo da mudança de cidade. O primeiro é a taxa de cadastro ou de análise de crédito: pelo artigo 22 da Lei do Inquilinato, as despesas para checar se o candidato a inquilino é bom pagador ficam por conta do dono do imóvel, assim como as taxas da imobiliária.
O segundo é o aluguel adiantado. O proprietário só pode exigir o pagamento antecipado em aluguel por temporada ou quando o contrato não tem nenhuma garantia, e também não pode pedir duas garantias no mesmo contrato, como caução e fiador juntos. Se uma dessas cobranças aparecer, pergunte por escrito em que ela se baseia antes de fazer qualquer Pix.
O mês pago em dobro
Existe um pedaço do custo da mudança de cidade que quase ninguém coloca no papel: o período em que você paga as contas de dois endereços. Ele acontece porque, em contrato sem prazo definido, a lei pede aviso por escrito com 30 dias de antecedência para devolver o imóvel, e nesse intervalo o aluguel antigo continua correndo enquanto o novo já começou. Internet, luz e água seguem a mesma lógica até a troca de titularidade.
Quem sai antes do fim do contrato ainda paga multa proporcional ao tempo que falta. Aqui vale conhecer uma exceção que ajuda muita gente: se a mudança acontece porque o seu empregador transferiu você para outra cidade, a lei dispensa essa multa, desde que o proprietário seja avisado por escrito com pelo menos 30 dias de antecedência.
Na saída, reserve também um valor para devolver o imóvel antigo como você o recebeu, o que muitas vezes inclui pintura e pequenos reparos.
Quanto guardar para o custo da mudança de cidade
A recomendação prática é ter, antes de assinar, uma reserva que cubra os gastos de entrada e os três primeiros meses de moradia no novo endereço. Parece exagero, então vale ver a conta com um exemplo simples.
Imagine um apartamento com aluguel de R$ 1.500,00. Se a garantia for caução de três meses, são R$ 4.500,00 na assinatura, e os três primeiros aluguéis somam outros R$ 4.500,00. Só aí o custo da mudança de cidade já chega a R$ 9.000,00 sem contar frete, condomínio, contas e os primeiros móveis.
Esse número assusta, mas ele serve justamente para mostrar o tamanho da conta enquanto ainda dá para negociar, esperar um pouco mais ou procurar um imóvel mais barato, em vez de descobrir tudo já com a chave na mão.
Como negociar prazos e condições?
Nem sempre dá para cobrir todo o custo da mudança de cidade de uma vez. Nesses casos, vale conversar com a imobiliária sobre parcelar a caução nos primeiros meses ou trocar o depósito por outra garantia. O espaço para negociar depende do mercado local e do interesse do proprietário, mas a pergunta não custa nada.
O mais importante é não deixar a pressa fechar o negócio. Leia cada item do contrato, questione taxas que não estavam no anúncio e peça a vistoria de entrada por escrito, com fotos, porque é ela que protege a devolução da sua caução lá na frente. Se precisar, peça um ou dois dias para decidir com calma.
A lista que vem antes da mala
Antes de assinar qualquer documento, coloque no papel os sete gastos que formam o custo da mudança de cidade:
- Garantia do aluguel: caução de até três aluguéis, fiador ou seguro-fiança
- Frete e embalagem: com orçamento de pelo menos três empresas
- Mobília mínima: colchão, utensílios de cozinha e itens de limpeza
- Serviços da casa nova: instalação de internet e troca de titularidade de luz e água
- Mês em dobro: aluguel e contas dos dois endereços ao mesmo tempo
- Entrega do imóvel antigo: pintura e pequenos reparos
- Reserva de três meses: aluguel, condomínio e contas no novo endereço
Nenhum desses gastos precisa ser surpresa se estiver no papel antes do sim. Mudar de cidade é uma das decisões mais importantes da vida adulta, e conhecer o custo da mudança de cidade com antecedência é o que separa começar a nova fase com controle de começar correndo atrás do prejuízo.