18/06/2026
15h31
custo dos chips

Recentemente, o CEO da Apple, Tim Cook, confirmou o que muitos analistas já esperavam: os preços dos produtos da empresa devem subir. O motivo? O custo dos chips de memória disparou, e o principal fator para essa elevação é a corrida global pela inteligência artificial.

Para quem pensa em trocar de celular ou computador nos próximos meses, vale entender o que está por trás desse movimento e o que esperar daqui pra frente. Ah, e saiba que o custo dos chips afetará não apenas marcas específicas, mas os eletrônicos de modo geral, conforme já pontuamos em artigos anteriores no Clube Utua.

Por que o custo dos chips subiu tanto?

Tudo começa com a inteligência artificial. Nos últimos dois anos, gigantes como Google, Microsoft, Meta e Amazon anunciaram investimentos bilionários em infraestrutura de IA. Para isso, precisam de chips de memória, especialmente os do tipo DRAM, usado em processamento rápido, e NAND, usado em armazenamento.

O problema é que a capacidade de produção desses componentes é limitada. Quando a demanda cresce mais rápido do que a oferta, o preço dispara. E foi exatamente isso que aconteceu: segundo especialistas, o custo dos chips de memória quadruplicou em pouco mais de um ano.

Esse encarecimento bate direto na cadeia de produção de smartphones, computadores e tablets, e a Apple, que usa grandes volumes desses componentes, sente o impacto em cheio, bem como tantas outras fabricantes de eletrônicos que já anunciaram aumentos em seus produtos.

Quanto os produtos podem ficar mais caros?

Analistas estimam que o custo de produção de um novo iPhone pode ser até 25% maior que o do modelo anterior só por conta do aumento no custo dos chips. Em valores práticos, isso pode representar uma alta de até 150 dólares no preço de varejo dos próximos modelos. No mercado de smartphones em geral, a projeção é de aumento de cerca de 20% nos preços médios ao longo de 2026.

Outros produtos da linha Apple, como Macs e iPads, também devem ser afetados pela alta no custo dos chips, possivelmente antes dos iPhones, por terem ciclos de atualização diferentes. A empresa não confirmou datas nem valores exatos, mas a declaração de Tim Cook foi suficiente para acender o alerta dos consumidores.

E quando essa crise vai se normalizar?

A perspectiva, ao menos no curto prazo, não é de alívio. Analistas do setor prevêem que o custo dos chips continuará subindo até 2027, enquanto os fabricantes de semicondutores correm para ampliar a capacidade de produção, um processo que leva anos e bilhões de dólares de investimento.

Historicamente, crises de oferta em componentes tecnológicos tendem a se resolver com o tempo: novos fornecedores entram no mercado, investimentos em fábricas amadurecem e a pressão de preços diminui. Mas o caminho até lá costuma ser longo, e o consumidor vai sentir no bolso antes de ver qualquer normalização.

O que fazer diante disso?

Se você está planejando comprar um iPhone ou Mac novo, pode valer a pena agir antes dos reajustes. Os modelos atuais, com precificação anterior à crise dos chips, representam uma janela. Para quem não tem pressa, acompanhar os anúncios da Apple nos próximos meses é o caminho mais seguro.

A escassez de chips nos lembra que o mercado de tecnologia está cada vez mais conectado às grandes tendências globais. A corrida pela inteligência artificial, que parece distante do nosso dia a dia, mas não está, acaba chegando ao preço do celular que está no seu bolso.

Entender esse encadeamento ajuda a tomar decisões mais conscientes, tanto como consumidor quanto como quem acompanha os movimentos da economia. E fique atento: muitos produtos já tiveram os preços atualizados no mercado, e é por isso que uma pesquisa de preços completa se torna cada vez mais útil.

Sobre o Autor

Emelyn Vasques
Emelyn Vasques

Jornalista, atua há 8 anos nas áreas de assessoria de imprensa, comunicação e produção de conteúdos para diferentes veículos e plataformas. Destaca-se em sua trajetória a experiências como repórter no Jornal Diário do Comércio, especializado na cobertura econômica de Minas Gerais.