02/07/2026
15h47
déficit primário

Se você acompanhou os noticiários de economia na última semana, provavelmente esbarrou na expressão déficit primário. O termo aparece o tempo todo quando o assunto é a saúde das contas públicas, mas nem sempre fica claro o que ele significa de verdade. Por isso, no artigo de hoje do Clube Utua, você confere um verdadeiro guia sobre o tema.

O que é déficit primário?

De forma simples, déficit primário é o resultado negativo das contas do Governo quando comparamos apenas as receitas e as despesas do dia a dia, sem contar os juros da dívida pública. Ou seja, o governo arrecada com impostos, contribuições e outras fontes, e gasta com saúde, educação, salários de servidores, benefícios sociais e uma série de outras despesas.

Quando essas despesas superam as receitas, sem entrar ainda na conta dos juros, temos esse tipo de resultado negativo nas contas públicas. E um ponto interessante é que os juros são separados de todo o restante porque isso ajuda a entender se o problema está na gestão do dia a dia do governo (gastar mais do que arrecada nas atividades normais) ou se está muito ligado ao custo de financiar a dívida que já existe.

Em resumo, é como comparar o seu salário com suas contas de casa, sem incluir ainda a parcela do cartão de crédito atrasado: isso mostra se o seu “básico” já está no vermelho ou não.

Déficit nominal ou primário: qual a diferença?

E existem outros tipos de resultado fiscal além dele? Sim. O principal é o déficit nominal, que é o irmão mais “completo” do primário. Ele soma todas as despesas e receitas, incluindo os juros pagos sobre a dívida pública. A fórmula é simples de entender: déficit nominal é igual ao déficit primário mais o pagamento de juros.

Por isso, o déficit nominal costuma ser bem maior do que o primário, principalmente em momentos de juros altos, como o Brasil vem enfrentando. Há ainda o conceito de resultado fiscal estrutural, usado por economistas para tentar “limpar” o efeito de fatores temporários, como uma safra recorde ou uma receita extraordinária, e enxergar a tendência real das contas públicas.

O que os dados indicam?

Quando você ouve uma notícia sobre déficit primário, geralmente ela aparece em um destes contextos: no anúncio mensal do Tesouro Nacional sobre o resultado das contas do Governo, nas discussões sobre o cumprimento da meta fiscal ou em análises sobre o impacto de despesas específicas, como o pagamento de precatórios, que costuma pressionar o resultado em determinados meses do ano.

Vale entender também que déficit primário não é sinônimo de descontrole total das contas públicas, embora seja um sinal de alerta. Ele indica que o Governo está gastando mais do que arrecada nas suas operações correntes, o que, se persistir por muito tempo, tende a aumentar a dívida pública e pressionar ainda mais os juros.

Por outro lado, um superávit primário (quando as receitas superam as despesas, sem contar os juros) é visto como um sinal positivo, porque mostra que o país está conseguindo, ao menos na parte “operacional”, equilibrar as contas.

Como interpretar isso no seu dia a dia?

Pense no déficit primário como um termômetro da disciplina fiscal do governo. Quando ele piora, o mercado financeiro tende a reagir com desconfiança, o que pode pressionar o dólar, a inflação e os juros.

Quando ele melhora, geralmente é visto como um sinal de que o governo está no caminho de equilibrar as contas no médio prazo. Isso não significa que a economia vai bem ou mal de um dia para o outro, mas ajuda a formar o quadro geral da situação fiscal do país.

No fim das contas, entender o déficit primário é entender um pedaço importante da “saúde financeira” do Brasil. É um número que aparece com frequência nas notícias justamente porque ele ajuda a explicar decisões como o nível dos juros, o comportamento do dólar e até o clima de confiança dos investidores em relação ao país.

Na próxima vez que você ouvir essa expressão no telejornal, já vai saber exatamente do que se trata e por que ela mexe com o bolso de todo mundo.

Sobre o Autor

Emelyn Vasques
Emelyn Vasques

Jornalista, atua há 8 anos nas áreas de assessoria de imprensa, comunicação e produção de conteúdos para diferentes veículos e plataformas. Destaca-se em sua trajetória a experiências como repórter no Jornal Diário do Comércio, especializado na cobertura econômica de Minas Gerais.