Quem recebe salário todo mês conhece bem a sensação: o número combinado com a empresa não é o que cai na conta. A diferença aparece detalhada no holerite — o contracheque que mostra quanto você ganhou, quanto foi retido e o motivo de cada dedução.
Boa parte dos descontos no salário pode parecer injusta à primeira vista, mas retorna para o trabalhador ao longo da vida, seja em aposentadoria, seja em direitos como licença-maternidade e auxílio-doença, sabia? É o que vamos te explicar no artigo de hoje!
Por que o salário líquido vem menor?
O valor combinado com a empresa é o salário bruto. Antes de chegar à sua conta, ele passa por uma série de deduções previstas em lei — os descontos no salário que transformam o bruto no salário líquido, aquele que você de fato recebe.
Uma mudança recente aliviou o holerite de muita gente: desde fevereiro de 2026, trabalhadores com salário de até R$5 mil passaram a ter isenção total do Imposto de Renda. Para esse grupo, o IR deixou de aparecer como dedução.
Descontos no salário: IRRF: o Imposto de Renda descontado na fonte
IRRF é o Imposto de Renda Retido na fonte. Em vez de o trabalhador calcular e pagar o tributo sozinho no fim do ano, a empresa já recolhe mês a mês e repassa para a Receita Federal. Esse dinheiro vai para o Tesouro Nacional, ou seja, entra no caixa do governo, e é parte do que financia áreas como saúde, educação e segurança pública.
O valor retido segue uma tabela oficial que varia conforme o salário bruto: quanto maior o salário, maior a alíquota — o percentual aplicado.
INSS: a contribuição que garante mais do que aposentadoria
O INSS é o Instituto Nacional do Seguro Social, e a contribuição mensal garante um pacote de direitos que vão além da aposentadoria:
➡️ licença-maternidade
➡️ auxílio-doença
➡️ pensão por morte
➡️ auxílio-acidente
O desconto também segue uma tabela escalonada de acordo com o salário bruto.
Plano de saúde, transporte e alimentação
Esses três descontos dependem da política de cada empresa.
➡️ Plano de saúde: quando a empresa oferece, costuma descontar parte da mensalidade e das coparticipações — um valor pago cada vez que o funcionário usa consulta, exame ou procedimento.
➡️ Vale-transporte: o desconto pode chegar a 6% do salário bruto, limitado ao custo das passagens do trajeto casa-trabalho.
➡️ Vale-refeição e vale-alimentação: se a empresa optar por descontar, o limite é de 20% sobre o valor do benefício — e não sobre o salário.
O que é descontado no 13º salário e nas férias?
No 13º salário e nas férias, os descontos no salário são menores. Só incidem IRRF e INSS. O vale-transporte, plano de saúde e vale-refeição ficam de fora. Nas férias há ainda um acréscimo a favor do trabalhador: ele recebe 1/3 a mais sobre o salário bruto — o chamado terço constitucional. Esse valor é soma, não retenção.
Quem vende dez dias de férias, por exemplo, recebe o abono pecuniário, ou seja, um pagamento em dinheiro correspondente aos dias não usufruídos. Sobre esse abono não incide nem IRRF nem INSS.
Dois pontos que costumam confundir
✔️ FGTS não é desconto: O Fundo de Garantia por Tempo de Serviço é uma obrigação da empresa, que deposita o valor em uma conta separada em seu nome. O dinheiro fica disponível em situações específicas, como demissão sem justa causa ou compra da casa própria.
✔️ Faltas não justificadas podem ser descontadas: Chegar atrasado demais ou faltar sem apresentar justificativa válida pode reduzir o pagamento do mês. Direitos e deveres caminham juntos.
Um hábito simples que muda sua relação com o dinheiro
Da próxima vez que receber o holerite, olhe linha por linha. Entender os descontos no salário — quanto é retido e o que você recebe em troca — é o primeiro passo para um planejamento financeiro que faça sentido hoje e no futuro, combinado?