Quando chega a época da declaração do Imposto de Renda (IR), é comum bater aquele frio na barriga com medo de acabar devendo mais dinheiro para a Receita Federal. Mas existe um lado da declaração que muita gente ignora: as despesas dedutíveis, que gastos que você já teve durante o ano e que podem reduzir o valor do imposto que você deve pagar.
Entender esse mecanismo pode fazer uma diferença real no seu bolso e é por isso que hoje vamos trazer explicações sobre o que são despesas dedutíveis e quais são aquelas que não são dedutíveis. Vamos juntos embarcar em mais um artigo de muito conhecimento?
O que são despesas dedutíveis?
Quando falamos em dedução, estamos falando de gastos que a Receita Federal reconhece como legítimos e que reduzem a base de cálculo do IR. Na prática, funciona assim: a Receita pega a sua renda, subtrai as deduções permitidas e só depois calcula o imposto sobre o valor que sobra. Quanto maiores as despesas dedutíveis, menor é a base de cálculo e, portanto, menor o imposto devido.
Vale lembrar que há dois modelos de declaração: o simplificado, que dá um desconto padrão de 20% sobre a renda (limitado a um teto definido pela Receita), e o completo, que permite lançar cada despesa individualmente. Quem tem muitas despesas dedutíveis geralmente se beneficia mais do modelo completo, mas vale simular os dois antes de decidir.
O que o leão aceita como dedução?
Gastos com saúde estão entre as despesas dedutíveis mais poderosas, já que não têm limite de valor. E, entre elas, entram na declaração consultas médicas, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, hospitais e plano de saúde. O mesmo vale para gastos com saúde de dependentes declarados.
A educação também pode ajudar quando falamos em despesas dedutíveis, mas com teto: faculdade, escola, cursos técnicos e educação infantil são aceitos, mas existe um limite anual por pessoa. Cursos livres, como idiomas e preparatórios para concursos, ficam de fora.
O que mais observar para reduzir o imposto devido?
Outra dedução importante são os dependentes. Cônjuge, filhos até 21 anos (ou até 24 se estiverem na faculdade), pais, avós e outros parentes em determinadas condições podem ser incluídos. Cada dependente reduz a base de cálculo por um valor fixo estabelecido pela Receita.
Quem contribui para a Previdência Social (INSS) já tem essa dedução automática. Mas quem tem Previdência Privada no modelo PGBL também pode deduzir até 12% da renda bruta, o que é uma diferença considerável para quem tem esse produto.
Para autônomos e profissionais liberais, existe ainda o livro-caixa: um registro das despesas relacionadas ao exercício da profissão, como aluguel de consultório, material de trabalho e salário de funcionários, que também reduzem a renda tributável.
O que não entra nas deduções?
Aqui mora um equívoco comum: nem tudo que parece um gasto necessário é aceito pela Receita. Alimentação, roupas, lazer, academia, cursos de idiomas, plano de saúde de pets e reformas residenciais não são despesas dedutíveis. Da mesma forma, o VGBL, um tipo de previdência privada, não pode ser deduzido no IR, ao contrário do PGBL.
Muita gente também tenta incluir despesas de saúde sem comprovante ou recibo. A Receita Federal pode cruzar os dados e pedir prova de tudo o que foi declarado. Por isso, guardar os recibos e notas fiscais durante pelo menos cinco anos é uma prática essencial e que pode salvar você de uma dor de cabeça grande lá na frente.
Declaração não é vilã
O Imposto de Renda existe porque é obrigatório para quem se enquadra nas regras da Receita. Mas encarar a declaração com atenção e organização ao longo do ano pode transformar esse momento em uma oportunidade real de recuperar dinheiro.
Como dissemos anteriormente, guardar recibos médicos, acompanhar os gastos com educação dos filhos e entender o tipo de previdência que você tem são hábitos simples que fazem diferença no resultado final. Em resumo – e com a licença da brincadeira – o leão pode ser domado, basta saber onde ele pode morder menos.