28/05/2026
15h26
dívidas mais comuns

As dívidas mais comuns das famílias brasileiras são, basicamente, as mesmas: faturas de cartões de crédito que entraram no rotativo, o cheque especial e os financiamentos. E, em 2026, as autoridades brasileiras estão cada vez mais atentas aos níveis recordes de endividamento.

Dados da Confederação Nacional do Comércio mostram 80,9% das famílias brasileiras estavam endividadas em abril de 2026, o maior nível já registrado desde o início da pesquisa.

Os números mostram que o endividamento virou uma realidade estrutural no país, e não uma exceção ou sinal de irresponsabilidade. Isso não significa que sair dessa situação seja impossível, mas exige entender o problema com clareza e honestidade, sem culpa e com foco em soluções práticas e realistas.

Quais são as dívidas mais comuns?

Entre as dívidas mais comuns dos brasileiros, o cartão de crédito ocupa o topo da lista, especialmente quando a fatura não é paga integralmente e cai no chamado crédito rotativo.

Logo depois na lista das dívidas mais comuns aparecem o cheque especial, que muitos usam como “socorro” para fechar o mês sem perceber o quanto custa, e os financiamentos de bens como carro, moto e eletrodomésticos parcelados com juros embutidos.

Cada um desses produtos tem características diferentes, taxas diferentes e estratégias de saída diferentes, e é por isso que o primeiro passo para sair das dívidas é saber exatamente o que você deve, para quem e a que custo.

Por que o rotativo do cartão é o mais perigoso?

O crédito rotativo é a modalidade que entra automaticamente quando você paga menos do que o total da fatura do cartão. E os juros são brutais: em março de 2026, a taxa média chegou a 428% ao ano, o que significa que uma dívida de R$500,00 pode dobrar em menos de um ano.

Uma legislação recente, contudo, trouxe um limite importante: o total de juros e encargos não pode ultrapassar o valor original da dívida, ou seja, uma dívida de R$500,00 não pode passar de R$1.000,00.

Mas mesmo com esse teto, o rotativo seguirá como uma das dívidas mais comuns, porque deixar qualquer valor no rotativo por mais de um mês é sempre um mau negócio, e o ideal é quitar a fatura integralmente sempre que possível.

Bola de neve ou avalanche: qual estratégia usar

Para combater as dívidas mais comuns e todas as outras, existem dois métodos consolidados para organizar o pagamento. O método bola de neve propõe pagar primeiro as menores dívidas, independentemente dos juros, usando a sensação de estar vencendo dívidas menores para manter a motivação ao longo do processo.

Já o método avalanche prioriza as dívidas com as maiores taxas de juros, o que economiza mais dinheiro no total, mas exige mais paciência para ver resultado. Nenhum dos dois é errado: o melhor é aquele que você consegue seguir com constância, porque o plano mais eficiente é o que não vai ser abandonado na metade.

Se você precisa de motivação para começar, a bola de neve ajuda a criar impulso. Se você tem disciplina e quer pagar menos juros no total, a avalanche faz mais sentido. Uma terceira opção é a abordagem híbrida: quitar primeiro o rotativo do cartão e o cheque especial, que têm os juros mais altos, e depois usar a bola de neve para as demais dívidas.

Quando vale renegociar e como consultar suas dívidas

Renegociar as dívidas mais comuns antes de atrasar é sempre mais vantajoso do que esperar a dívida crescer e chegar à negativação. Para saber exatamente o que você deve e a quem, existem dois caminhos gratuitos e principais, conforme veremos abaixo.

O Serasa (serasa.com.br) reúne as dívidas negativadas junto a empresas privadas e bancos, e o Registrato do Banco Central (registrato.bcb.gov.br) mostra o histórico completo de operações de crédito contratadas em instituições financeiras, como empréstimos, financiamentos e limites usados.

Um incentivo extra!

Para acessar o Registrato, basta ter uma conta gov.br nível prata ou ouro. Programas de renegociação como o Desenrola 2.0 também abrem janelas com descontos significativos para quem quer regularizar a situação.

Dívida não é fracasso, é uma situação. E como toda situação, ela tem saída, é nisso que você deve pensar ao enfrentar as dívidas mais comuns. O caminho começa sempre no mesmo lugar: entender o que você deve, parar de acumular novas dívidas caras e criar um plano que caiba no seu bolso e na sua realidade.

Sobre o Autor

Emelyn Vasques
Emelyn Vasques

Jornalista, atua há 8 anos nas áreas de assessoria de imprensa, comunicação e produção de conteúdos para diferentes veículos e plataformas. Destaca-se em sua trajetória a experiências como repórter no Jornal Diário do Comércio, especializado na cobertura econômica de Minas Gerais.