Quem nunca se sentiu confuso ao ouvir nos noticiários que os preços de itens brasileiros estão subindo devido a oscilações do dólar americano? Como é que uma moeda, que não é nossa, impacta tanto nas finanças do país? Hoje, vamos descobrir o que é a chamada hegemonia do dólar e por que suas variações causam efeitos não só no Brasil, mas em todo mundo.
Hegemonia do dólar: um pouco de história
O dólar americano nem sempre foi a moeda que dominou o cenário econômico mundial. Mas em uma citação breve da história, o que devemos entender é que, após a 2ª Guerra Mundial, os Estados Unidos saíram fortalecidos. Anteriormente a esse episódio, contudo, a moeda mais importante em termos de relações econômicas internacionais (comércio exterior) entre países era a libra esterlina, da Inglaterra.
Como você já deve ter entendido, a Inglaterra, após a 2ª Guerra Mundial, estava enfraquecida, não porque perdeu as batalhas, mas porque teve que empenhar muitos recursos financeiros. Somado a esse fator, o país imperial enfrentou diversas outras adversidades, como a destruição da infraestrutura, devido aos ataques da guerra, entre outras.
Se a memória estiver curta, lembre-se que os Estados Unidos se tornaram uma potência porque eram responsáveis por vender grande parte dos insumos bélicos para os países europeus, onde as batalhas estiveram concentradas nesse triste episódio da humanidade. Agora que já temos o contexto, vamos ao último acontecimento histórico que tornou o dólar americano a moeda mundial.
Em 1944, já encerrada a Segunda Guerra Mundial, houve a chamada Conferência de Bretton Woods, quando os países acordaram que o dólar americano seria utilizado como referência. Nesse momento, o foco dos países era a reconstrução dos países (e do capitalismo), de todos os continentes, já que os conflitos estavam caminhando para o fim.
Por que o dólar americano segue forte?
Naquela ocasião, um acordo entre 45 países – e que foi proposto pelos Estados Unidos – definiu o dólar americano como moeda principal para transações internacionais e que cada dólar representava o preço de 35 gramas de ouro. Além disso, as moedas dos outros países teriam um valor fixo associado ao valor de cada dólar.
Mas o acordo foi encerrado em 1971, quando houve uma desvalorização da moeda americana devido a um momento em que os Estados Unidos precisavam desenvolver a economia interna/doméstica. Mesmo assim, o dólar americano seguiu forte em meio à confiança que os mercados já tinham na moeda. Desde 1973, foi adotada, mundialmente, a política de câmbio flutuante, em que o valor de cada moeda está atrelado à oferta e demanda.
E como isso tudo afeta o meu bolso?
Muitas commodities são vendidas em dólar. Ou seja, se o dólar sobe, o seu pão do café da manhã pode aumentar também. Isso ocorre porque o trigo, o milho, o gado – no setor do agronegócio, e diferentes metais, combustíveis, entre outros produtos, são negociados dessa forma. Embora produzidos no Brasil, o preço de venda e compra leva como base o dólar americano.
O dólar americano, portanto, é a moeda oficial para as transações que ocorrem entre os países. Em linhas gerais, ele é utilizado para precificar produtos, conforme citamos acima, e serviços. Além disso, por sua alta liquidez, possibilidade que permite que ele seja negociado e transformado em dinheiro rapidamente, muitos países e pessoas que têm suas reservas em dólar.
E para finalizarmos esse assunto tão denso, mas interessante, saiba que essa confiança do dólar é particularmente importante para os investidores, pois, em tempos de incertezas mundiais, o dólar americano tende a se manter estável e atrativo, ou seja, ele consegue proteger o dinheiro das pessoas porque conquistou solidez ao longo dos anos.
Esperamos que você tenha gostado de fazer esse giro na história e entender por que o dólar americano consegue impactar não só os preços nos Estados Unidos, como no Brasil e no mundo todo – e é por isso que todas as decisões políticas e financeiras daquele país sempre causam impactos globais. O Clube U. trará, em breve, mais conteúdos sobre essas flutuações que deixam os mercados sempre em alerta para você entender cada vez mais essa dinâmica. Até lá!