16/01/2026
11h15
empresas que você consome

É comum ouvir que uma boa forma de investir é apostar em empresas que você consome no dia a dia. A lógica parece simples: se a marca faz parte da sua rotina, ela deve ser um bom negócio. No entanto, essa abordagem, apesar de intuitiva, pode esconder armadilhas importantes.

Entender quando essa estratégia faz sentido e quando ela pode levar a decisões enviesadas é fundamental para quem já saiu do básico e quer investir de forma mais consciente.

A lógica por trás de investir em marcas conhecidas

Investir em empresas que você consome traz uma sensação de segurança, pois existe familiaridade com o produto, o serviço e a marca.

Esse contato frequente cria a impressão de que o negócio é sólido e bem-sucedido, o que pode, em alguns casos, ser verdade. Marcas fortes tendem a ter vantagem competitiva, reconhecimento e base fiel de clientes.

No entanto, essa percepção está baseada na experiência individual do consumidor, que nem sempre reflete a saúde financeira, a eficiência operacional ou as perspectivas de crescimento da empresa no mercado.

Quando o consumo vira viés de decisão

O principal risco da estratégia de investir em empresas que você consome é confundir gosto pessoal com potencial de investimento. Esse comportamento está ligado ao viés de familiaridade, que leva o investidor a supervalorizar aquilo que conhece.

Uma empresa pode ter produtos excelentes e, ainda assim, apresentar margens apertadas, alto endividamento ou pouca capacidade de crescimento. Ao investir apenas porque consome, o investidor corre o risco de ignorar dados objetivos e tomar decisões mais emocionais do que racionais.

Diferença entre marca forte e bom investimento

Uma marca forte não é sinônimo automático de um bom investimento. O desempenho de uma ação depende de fatores como lucros, eficiência, gestão, concorrência e valuation.

Muitas empresas consolidadas já atingiram um nível de maturidade em que o crescimento é limitado, o que impacta o retorno esperado.

Por outro lado, empresas menos conhecidas podem apresentar fundamentos mais atrativos. Separar a análise da marca, ou seja, deixar de lado o carinho pelas empresas que você consome no dia a dia da análise financeira é um passo essencial para evitar expectativas irreais.

Como usar o consumo como ponto de partida, não como decisão final?

Consumir o produto pode ser um ponto de partida interessante para despertar atenção sobre uma empresa, mas nunca o critério final. O ideal é usar essa familiaridade como motivação para aprofundar a análise, avaliando balanços, perspectivas do setor, nível de endividamento e posicionamento estratégico.

Dessa forma, o investidor transforma uma percepção subjetiva em uma decisão embasada, reduzindo riscos e aumentando a qualidade da escolha. Investir em empresas que você consome pode ser uma oportunidade quando acompanhado de análise e senso crítico, mas se torna uma armadilha quando guiado apenas pela emoção e pela familiaridade.

No nível intermediário, evoluir como investidor significa aprender a desconfiar das decisões que parecem óbvias demais e passar a olhar os números com mais atenção.

Sobre o Autor

Silvia Azevedo
Silvia Azevedo

Desde 2022 integra o time de conteúdo do Utua, produzindo materiais em diversos idiomas. Com vivência internacional na França e nos Estados Unidos, combina visão analítica e criatividade para promover soluções que unam resultados e impacto positivo.