11/06/2026
16h21
faculdade

Entrar na faculdade é um dos maiores sonhos de muitos jovens brasileiros. Mas entre o desejo e a matrícula, aparece uma questão prática que ninguém ensina na escola: como pagar por isso tudo?

Mensalidades, material didático, transporte e, muitas vezes, a necessidade de largar um emprego para estudar. O resultado é que muita gente adia o sonho, ou pega um crédito educacional sem entender exatamente o que isso representa no horizonte de médio e longo prazo.

A boa notícia é que, com um pouco de planejamento e algumas informações certas, é possível construir um caminho mais tranquilo. Não existe fórmula mágica, mas existe escolha consciente.

Crédito educacional: o que é e como funciona?

O crédito educacional é, basicamente, um empréstimo direcionado para o pagamento de mensalidades em faculdades privadas. No Brasil, os dois programas mais conhecidos são o FIES (Fundo de Financiamento Estudantil), que é do governo, e o crédito educacional oferecido por bancos e financeiras privadas.

O FIES permite financiar até 100% da mensalidade com juros baixos, e o pagamento começa só após a formatura, com um prazo de carência. Já os créditos privados variam bastante: alguns têm taxas mais altas e exigem fiador.

Antes de assinar qualquer contrato, contudo, vale comparar o CET (Custo Efetivo Total) de cada opção avaliada, pois é ele que mostra tudo que você vai pagar ao longo do tempo e até o final do contrato, não só os juros.

Além disso, o ProUni oferece bolsas parciais ou integrais para estudantes de baixa renda. Não é crédito, é bolsa, e isso significa que não é preciso pagar depois o percentual conquistado em bolsa. Checar se você se enquadra pode ser o primeiro passo antes de cogitar qualquer financiamento.

O medo da dívida pós-formatura

O receio de se formar endividado é legítimo e tem paralisado a vida de muitas pessoas que sonhavam com a faculdade mas deixaram isso de lado por conta dessa realidade de endividamento que afeta muitos estudantes. Mas a dívida educacional pode ser um investimento que se paga, desde que feito com consciência.

A pergunta certa não é “devo pegar esse crédito?”, mas sim: “o curso que vou fazer tem perspectiva de me dar renda suficiente para pagar essa dívida em quanto tempo?” Algumas profissões têm salários iniciais que cobrem tranquilamente parcelas de um crédito educacional. Outras exigem mais tempo de carreira para chegar lá.

Dicas para se preparar financeiramente

Uma dica prática é: simule o pagamento antes de contratar. Se a parcela pós-formatura comprometer mais de 20% da renda esperada para o início da carreira, vale buscar alternativas, como cursar em período parcial enquanto trabalha, ou optar por faculdades com mensalidades menores sem abrir mão da qualidade.

Uma das melhores estratégias para reduzir o peso da dívida pós-faculdade é começar a construir sua carreira antes mesmo de se formar. Estágios, trabalhos voluntários e projetos freelance, mesmo que pequenos, valem ouro no currículo (e no famoso networking) e no bolso.

Quem começa a trabalhar na área ainda na faculdade tem mais chances de ser contratado pelo mercado logo após a formatura, com salário melhor do que quem esperou o diploma para começar. E o dinheiro do estágio, mesmo que modesto, pode ir para uma reserva de emergência, o que reduz a ansiedade financeira no processo.

Um plano de longo prazo que começa agora

Independente de como você vai financiar sua faculdade, construir o hábito de organizar as finanças já durante o curso faz diferença lá na frente. Anote o que entra e o que sai, crie metas simples de poupança, entenda as condições do seu contrato de crédito e revise o plano a cada semestre.

Faculdade é um investimento na sua vida. E como todo investimento, quanto mais informação e planejamento você tiver antes de entrar, menor o risco de se arrepender depois. Começa hoje, mesmo que com pequenos passos.

Sobre o Autor

Emelyn Vasques
Emelyn Vasques

Jornalista, atua há 8 anos nas áreas de assessoria de imprensa, comunicação e produção de conteúdos para diferentes veículos e plataformas. Destaca-se em sua trajetória a experiências como repórter no Jornal Diário do Comércio, especializado na cobertura econômica de Minas Gerais.