Você conferiu a fatura do cartão de crédito e o valor chegou mais alto do que o esperado, mesmo sem grandes compras no mês? Essa sensação incomoda muita gente e raramente tem a ver com erro de cobrança. Na maioria dos casos, o aumento é resultado de itens que se somam de forma silenciosa, sem que a pessoa perceba no momento em que usa o cartão.
Segundo dados apresentados pelo Banco Central durante a Febraban Tech, em agosto de 2026, o país reúne 96 milhões de usuários de cartão de crédito, e 52,8 milhões deles carregam algum tipo de dívida no rotativo ou no parcelamento com juros. O número ajuda a entender por que a fatura do cartão pesa tanto no orçamento, e por que vale a pena conhecer os mecanismos que formam o seu valor final.
Os itens que passam despercebidos na fatura do cartão
Uma parte comum do aumento vem de compras parceladas em meses anteriores. Cada parcela continua aparecendo na fatura do cartão seguinte até o fim do prazo combinado, então o total pode crescer mesmo sem novas compras naquele ciclo específico.
Outros valores que se somam são a anuidade, cobrada em parcelas mensais ou em uma única vez conforme o cartão, além de seguros e serviços adicionais que às vezes são contratados durante uma ligação ou uma promoção e seguem sendo cobrados mês a mês. Revisar a fatura do cartão linha por linha ajuda a identificar esses itens e decidir se ainda fazem sentido.
Como funciona o rotativo do cartão?
O rotativo entra em ação quando o pagamento da fatura do cartão é menor que o valor total, geralmente porque só o mínimo foi quitado. A diferença passa a ser financiada pelo próprio banco, com juros aplicados sobre o saldo que ficou em aberto.
Essa modalidade costuma ter uma das taxas mais altas do mercado de crédito brasileiro. Em agosto de 2026, os juros médios mensais do rotativo giravam perto de 15% ao mês, segundo o Banco Central, um patamar bem acima do praticado em outras linhas de crédito para pessoa física.
Por isso, ficar no rotativo por mais de um mês tende a encarecer bastante a dívida original, mesmo que o valor pareça pequeno no início. Enquanto o saldo não é quitado, os juros incidem de novo sobre o total já acumulado no mês anterior, o que faz a diferença entre o valor inicial e o valor final crescer mais rápido do que muita gente espera.
O limite que a lei impõe ao valor da dívida
Desde 3 de janeiro de 2024, está em vigor a Lei 14.690/2023, regulamentada pela Resolução CMN 5.112/2023, que estabeleceu um teto para os juros e encargos cobrados no rotativo e no parcelamento automático da fatura do cartão. Esse teto corresponde a 100% do valor original da dívida.
Na prática, isso significa que uma dívida não pode mais que dobrar só por causa de juros e encargos. Um exemplo ajuda a visualizar, se a fatura do cartão não paga soma R$ 500, o total de juros e encargos aplicados sobre esse valor não pode ultrapassar R$ 500, o que leva o valor final, no máximo, a R$ 1.000.
Essa regra vale para dívidas contraídas a partir da entrada em vigor da lei e funciona como um limite de segurança, embora não elimine os juros altos cobrados mês a mês enquanto a dívida permanece em aberto.
Formas de manter a fatura do cartão sob controle
Pagar o valor total da fatura do cartão sempre que possível é o caminho mais direto para evitar a entrada no rotativo e nos juros associados a ele. Quando isso não é viável, vale comparar as alternativas disponíveis antes de decidir como lidar com o saldo.
Parcelar uma compra no momento da compra costuma ter juros menores que cair no rotativo, porque a taxa é definida antecipadamente e o valor das parcelas é previsível. Já o rotativo tem juros mais altos e se renova mês a mês enquanto a dívida não é quitada.
Acompanhar a fatura do cartão com regularidade, identificar cobranças recorrentes que não fazem mais sentido e priorizar o pagamento integral sempre que o orçamento permitir são hábitos que ajudam a manter esse tipo de crédito sob controle ao longo do tempo.