16/07/2026
14h03
fies empreendedor

Se você já ouviu falar em Fundo de Financiamento Estudantil – o Fies – e pensou que ele servia só para pagar faculdade, precisa conhecer a novidade: o Fies Empreendedor. O novo programa foi regulamentado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e estabelece regras para que estudantes adimples possam solicitar crédito (empréstimo) com condições especiais.

Para os brasileiros que estavam esperando uma oportunidade para abrir um novo negócio e precisam de uma linha de financiamento mais adequada, com juros baixos, por exemplo, o Fies Empreendedor pode ser uma boa saída. E é por isso que vamos observar os detalhes do programa com calma, no artigo do Clube Utua de hoje.

O que é o Fies Empreendedor?

Diferente do Fies tradicional, que financia mensalidades de curso superior para quem ainda está estudando, o Fies Empreendedor é uma linha de crédito voltada para quem já se formou. A ideia é simples: em vez de pagar uma faculdade, o dinheiro entra para ajudar quem já concluiu o curso a abrir ou fortalecer o próprio negócio.

Para pessoa física, o financiamento serve para custear a atividade empreendedora em si. Para pessoa jurídica, o uso é voltado ao capital de giro da empresa, ou seja, ao dinheiro que mantém as contas do dia a dia em ordem. Abaixa, vamos verificar mais detalhes.

Quem pode aderir ao programa?

A condição principal de adesão é ter concluído a graduação pelo Fies e estar em dia com o pagamento. Na prática, isso significa comprovar as últimas 36 parcelas do financiamento estudantil pagas em dia, sem qualquer renegociação nesse período. Um ponto interessante é, entre as condições do Fies Empreendedor, não existe exigência de curso específico ou faixa de renda.

Essa característica é o que torna o programa acessível para um público amplo de ex-estudantes do Fies que já formaram e hoje sonham em empreender. De acordo com estimativas oficiais do Governo Federal, atualmente há 500 mil estudantes adimplentes, sendo que o público potencial imediato é de 50 mil a 125 mil pessoas.

Valores, juros e prazos para ficar de olho

O limite de crédito chega a R$ 80 mil para pessoa física e a R$ 180 mil para pessoa jurídica. A taxa de juros pode chegar a até 11,19% ao ano, somando a remuneração das instituições financeiras e a remuneração dos recursos da União. Mas é preciso ficar às demais condições expressas no contrato.

Aqui vai um ponto de atenção que mudou entre a primeira e a segunda reunião do CMN: na versão inicial, não haveria cobrança de juros durante o período de carência, mas na revisão de 10 de julho o CMN decidiu que os juros acumulados durante essa pausa inicial serão capitalizados e cobrados junto das parcelas normais.

Ou seja, “carência” não significa mais isenção total de encargos, e sim um tempo a mais para começar a pagar o principal. A carência pode chegar a até 6 meses para pessoa física e até 12 meses para pessoa jurídica, com prazo total de pagamento de até 60 meses para pessoa física e 96 meses para pessoa jurídica.

Como contratar?

O Fies Empreendedor é operado exclusivamente pelo Banco do Brasil e pela Caixa Econômica Federal, então é nessas duas instituições que o interessado deve buscar informações sobre a contratação. A expectativa do governo é alcançar entre 50 mil e 125 mil egressos do Fies, com até R$ 1 bilhão em crédito disponível para essa nova fase da vida financeira de quem já passou pela faculdade.

Sempre avalie os detalhes!

Antes de contratar o Fies Empreendedor, vale simular o custo total da operação, incluindo os juros da carência, e não só olhar para o valor da parcela mensal. Um crédito pode até parecer barato no anúncio, mas o que importa de verdade é o Custo Efetivo Total, que mostra quanto você vai pagar de fato ao longo de todo o contrato.

Isso vale para qualquer financiamento na sua vida, não só para esse: sempre pergunte qual é o custo total antes de assinar qualquer coisa, e mantenha uma reserva de emergência para não depender só do crédito quando o negócio ainda estiver começando a engrenar.

Sobre o Autor

Emelyn Vasques
Emelyn Vasques

Jornalista, atua há 8 anos nas áreas de assessoria de imprensa, comunicação e produção de conteúdos para diferentes veículos e plataformas. Destaca-se em sua trajetória a experiências como repórter no Jornal Diário do Comércio, especializado na cobertura econômica de Minas Gerais.