A taxa das blusinhas foi o nome popular dado à cobrança de 20% de imposto de importação sobre compras internacionais de até 50 dólares feitas em plataformas como Shein, Shopee e AliExpress. A tributação entrou em vigor em agosto de 2024 e pegou muitos consumidores de surpresa, já que antes dessas compras eram totalmente isentas de impostos federais.
O apelido faz referência às roupas baratas que lotavam os carrinhos de compra nessas plataformas, mas o impacto atingiu muito além das blusas. Capas de celular, acessórios, itens de papelaria, gadgets e produtos de uso cotidiano também ficaram mais caros, afetando principalmente consumidores de baixa renda que usavam esses sites para economizar.
O que mudou agora?
No dia 12 de maio de 2026, o presidente Lula assinou uma Medida Provisória que zerou o imposto de importação sobre compras internacionais de até 50 dólares. A isenção passou a valer imediatamente no dia seguinte, 13 de maio de 2026, após publicação em edição extra do Diário Oficial da União. Na prática, a taxa das blusinhas deixou de existir.
A medida provisória tem validade de 120 dias e precisa ser analisada pelo Congresso Nacional até 24 de setembro de 2026 para se tornar lei definitiva. Se não for votada dentro do prazo, a cobrança volta automaticamente. Por isso, vale acompanhar os próximos passos da votação no Legislativo.
Por que o governo decidiu acabar com a taxa?
O governo justificou o fim da taxa das blusinhas pelo sucesso no combate ao contrabando e na regularização do setor nos últimos anos. Segundo o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, o programa Remessa Conforme organizou o fluxo de encomendas internacionais, o que abriu espaço para zerar a tributação sem comprometer o controle aduaneiro.
A medida também reflete uma mudança de percepção sobre o impacto real da cobrança no dia a dia dos brasileiros. Desde que entrou em vigor, a taxa gerou insatisfação entre consumidores de diferentes perfis, especialmente entre aqueles que usavam as plataformas internacionais como alternativa para economizar em produtos de uso cotidiano.
O que muda para quem compra na Shein e em outros sites?
Com o fim da taxa das blusinhas, compras de até 50 dólares em plataformas internacionais voltam a ser isentas de imposto de importação federal. Isso significa que o valor exibido no site tende a ser mais próximo do que o consumidor vai pagar de fato, sem a surpresa do tributo sendo adicionado no checkout ou na entrega.
Vale lembrar que o ICMS, imposto estadual, continua sendo cobrado sobre essas compras, com alíquotas que variam conforme o estado. Portanto, o preço final ainda pode ter algum acréscimo, mas bem menor do que era durante o período de vigência da taxa das blusinhas.
Como calcular se a compra ainda vale a pena?
Mesmo com o fim da taxa das blusinhas, é importante considerar o custo total antes de fechar o pedido. O frete internacional pode encarecer bastante a compra dependendo do produto e da plataforma, e o prazo de entrega costuma ser bem mais longo do que o de lojas nacionais. Comparar o preço final, já com frete e ICMS, com o de um produto equivalente vendido no Brasil ainda é o melhor exercício antes de clicar em comprar.
Muitas plataformas já exibem uma estimativa de impostos diretamente no carrinho, o que facilita bastante essa comparação. Usar esse recurso antes de confirmar o pedido evita surpresas na entrega e ajuda a tomar uma decisão mais consciente sobre onde e como gastar o seu dinheiro.
Uma boa notícia que pede atenção
O encerramento da taxa das blusinhas é uma boa notícia para quem costuma comprar em sites internacionais, mas é importante entender que a mudança ainda depende de aprovação do Congresso para se tornar permanente. Enquanto isso, vale aproveitar a isenção com consciência, comparando preços e verificando se o frete e o ICMS não comprometem a vantagem da compra.
Entender como funcionam os impostos nas compras internacionais é sempre o melhor caminho para gastar bem e evitar surpresas. Quem pesquisa antes de comprar sai na frente, independentemente de qualquer mudança nas regras.