04/09/2026
15h42
financiamento imobiliário

Quem está simulando um financiamento imobiliário em 2026 pode se deparar com uma surpresa: ter a entrada disponível já não garante a aprovação. O processo ficou mais criterioso, e entender o motivo é o primeiro passo para chegar bem preparado.

A Pesquisa Trimestral de Condições de Crédito, divulgada pelo Banco Central em agosto de 2026, aponta que as instituições financeiras projetam maior restrição na oferta de financiamento imobiliário a partir do terceiro trimestre. O motivo, segundo os próprios bancos consultados, é a menor tolerância ao risco e a expectativa de aumento da inadimplência no setor habitacional.

Vale entender que isso não representa uma interrupção das linhas de crédito, os bancos continuam ativos e a demanda por imóveis segue aquecida. O que mudou é o filtro: a análise ficou mais criteriosa, e perfis antes aprovados com certa folga podem encontrar mais dificuldade agora.

O peso da Selic no valor da parcela

Com a Selic em 14,00% ao ano, o custo do financiamento imobiliário permanece elevado. Embora o crédito habitacional use principalmente recursos da poupança, o nível dos juros na economia afeta as taxas cobradas. No Sistema Financeiro de Habitação (SFH), elas partem de cerca de 11,19% ao ano na Caixa Econômica Federal e podem ultrapassar os 12% ao ano em bancos privados, variando conforme o perfil do solicitante.

Esse patamar impacta diretamente o valor da parcela mensal. Para um financiamento imobiliário de R$ 400.000,00 em 30 anos, a diferença de dois pontos percentuais na taxa representa centenas de reais a mais por mês. Com parcelas mais altas, menos pessoas conseguem se encaixar nos critérios dos bancos, mesmo quando a entrada está reservada.

A regra dos 30% que pesa mais agora

Uma regra que não mudou, mas que cobra o seu preço, é o limite de comprometimento de renda. Os bancos aceitam, em geral, que a parcela do financiamento imobiliário represente no máximo 30% a 35% da renda mensal bruta do solicitante. O problema é que, com juros mais altos, a parcela cresce, e a renda mínima exigida para aprovação sobe junto.

Na prática, isso significa que alguém que se enquadraria para financiar o mesmo imóvel há dois anos, com a mesma entrada e a mesma renda, pode não ter margem suficiente hoje. O teto de comprometimento continua o mesmo, mas a parcela ficou mais cara. Quem não teve crescimento de renda proporcional acabou ficando de fora.

Menos recursos disponíveis no sistema

O crédito imobiliário via poupança (SBPE) recuou 7% em fevereiro de 2026, somando R$ 11,8 bilhões no mês, segundo dados da Abecip. A poupança é a principal fonte de recursos do SFH, e quando seu saldo cai, os bancos têm menos capital para conceder novos financiamentos. O resultado direto é uma oferta menor de crédito disponível no mercado.

Esse recuo acontece porque, em um cenário de juros elevados, a poupança perde competitividade frente a outras aplicações de renda fixa. Investidores migram os recursos para produtos como LCI, CDB e Tesouro Direto, reduzindo os depósitos nas cadernetas. Menos dinheiro entrando no sistema significa menos crédito habitacional disponível para o comprador final.

O que fazer antes de fechar negócio

Para quem está em busca de um imóvel, a recomendação mais prática é solicitar a pré-aprovação do financiamento imobiliário antes de escolher o imóvel. Com análises mais rigorosas, que hoje incluem maior peso do histórico de pagamentos e do perfil de crédito do solicitante, ter essa etapa concluída com antecedência evita surpresas e dá mais segurança nas negociações.

Dados do Open Finance também entram nessa equação, ampliando o histórico financeiro considerado pelos bancos. A pré-aprovação também permite definir um orçamento realista logo de início. Se o valor liberado for menor do que o esperado, ainda é possível aumentar a entrada para reduzir o saldo a financiar ou ajustar o imóvel pretendido.

O cenário exige planejamento, mas quem chega bem preparado ao processo tem chances reais de aprovação. E nesse mercado em que as condições mudam rápido, estar informado antes de assinar qualquer contrato faz toda a diferença.

Sobre o Autor

Mariana Murta
Mariana Murta

Atua desde 2022 como analista de conteúdo do Utua. Já escreveu mais de 2.400 textos para diversos países, explorando diferentes culturas e estilos de comunicação.