14/05/2026
11h13
Financiar imóvel

Financiar imóvel ficou mais barato? A taxa básica já começou a recuar, mas os juros do crédito habitacional ainda seguem elevados. Antes de decidir financiar imóvel, vale entender o que realmente está acontecendo no mercado.

A Selic saiu de 15% ao ano no início de 2026 e está no patamar atual de 14,5% em maio, com projeção de encerrar o ano perto de 13%, segundo o Boletim Focus. Para quem pensa em financiar imóvel, isso parece um sinal positivo.

Porém, a redução da taxa básica não significa queda imediata nos juros do financiamento habitacional. Isso acontece porque o crédito imobiliário funciona de maneira diferente e depende muito dos recursos da poupança e do FGTS.

Como estão as taxas dos bancos atualmente?

Em maio de 2026, a Caixa Econômica Federal oferece taxas a partir de 11,19% ao ano mais TR. O Itaú trabalha com taxas a partir de 11,60%, enquanto Santander e Bradesco operam em faixas semelhantes, segundo dados do Banco Central.

Na prática, financiar imóvel nos principais bancos ainda custa entre 11% e 12% ao ano. Isso mostra que a queda da Selic ainda não chegou de forma significativa ao crédito habitacional.

Mesmo que a taxa básica recue mais nos próximos meses, não existe garantia de redução rápida nos juros cobrados pelos bancos. Por isso, esperar apenas pela Selic pode não trazer a economia imaginada.

O preço de esperar para financiar um imóvel

Enquanto muitas pessoas adiam a decisão de financiar imóvel, os preços dos imóveis continuam subindo. Segundo o Índice FipeZAP, os imóveis residenciais valorizaram 6,52% em 2025, acima da inflação oficial do período.

Além da valorização dos imóveis, o aluguel também pesa no orçamento. O Índice FipeZAP de Locação apontou alta de 9,44% nos aluguéis residenciais em 2025. Na prática, quem paga R$2.500 de aluguel por mês e espera dois anos para financiar imóvel desembolsa R$60 mil sem construir patrimônio. Dependendo do caso, esse valor poderia ser usado para aumentar a entrada e reduzir o valor financiado.

SAC ou Price: Qual vale mais a pena?

Quem pretende financiar imóvel também precisa escolher o sistema de amortização. Os dois modelos mais comuns são SAC e Price. No SAC, as parcelas começam mais altas e diminuem ao longo do tempo. Já no sistema Price, as parcelas permanecem fixas durante todo o contrato.

Para quem consegue pagar um valor maior no início, o SAC costuma gerar economia no custo total. Já o Price oferece mais previsibilidade para quem precisa de parcelas estáveis. Independentemente da escolha, fazer amortizações antecipadas ajuda bastante a reduzir juros e diminuir o prazo do financiamento.

O FGTS pode fazer diferença

Muitos brasileiros esquecem que o FGTS pode ajudar bastante na hora de financiar imóvel. O saldo disponível pode ser usado na entrada ou até para reduzir o valor financiado. Em 2026, o limite do Sistema Financeiro de Habitação foi ampliado para imóveis de até R$2,25 milhões. Isso aumentou o acesso às condições reguladas e ao uso do FGTS.

Já no Minha Casa Minha Vida, as taxas continuam muito mais baixas que as praticadas no mercado tradicional, chegando a partir de 4% ao ano, dependendo da renda familiar. Nesses casos, financiar imóvel agora pode ser mais vantajoso do que esperar uma possível queda da Selic.

Vale a pena esperar?

Nem sempre financiar imóvel imediatamente será a melhor decisão. Quem ainda não possui reserva suficiente para entrada ou está com orçamento apertado deve priorizar a organização financeira antes de assumir uma dívida de longo prazo.

Por outro lado, quem já tem estabilidade financeira, boa entrada e planejamento pode descobrir que esperar não gera tanta vantagem quanto parece. Mais importante do que acertar o melhor momento da Selic é garantir que financiar imóvel caiba no orçamento com segurança.

Sobre o Autor

Mariana Murta
Mariana Murta

Atua desde 2022 como analista de conteúdo do Utua. Já escreveu mais de 2.400 textos para diversos países, explorando diferentes culturas e estilos de comunicação.