29/09/2026
16h55
pais e filha brincando em casa, sem exagerar nos gastos no Dia das Crianças

Os gastos no Dia das Crianças raramente começam na loja: começam no carro, quando o pequeno pergunta “o que você vai me dar?” e o aperto no peito chega antes de qualquer conta. Em Mato Grosso do Sul, a data deve movimentar R$ 491 milhões, 33% a mais que em 2025, com gasto médio de R$ 568,90 por consumidor, somando presente e comemoração, segundo o Sebrae/MS e o Sistema Comércio MS.

As pesquisas não medem quanto desse dinheiro sai da culpa — e é sobre ela, e sobre a parcela que costuma deixar na fatura, que vale conversar antes da segunda-feira, 12 de outubro.

Quando o presente tenta pagar a ausência

Se você já comprou algo maior do que o planejado depois de uma semana chegando tarde, respire: isso não é descontrole. A culpa dos pais tem lógica própria, e o presente vira um pedido de desculpas pelo cansaço, pelas horas fora ou pelo medo de o filho “ficar para trás” dos colegas e das fotos nas redes.

A pesquisa sul-mato-grossense mostra onde os gastos no Dia das Crianças escapam: em 53,94% dos casos quem escolhe o presente é a própria criança, e 20,71% dos consumidores pretendem pagar no cartão parcelado, segunda forma de pagamento mais citada, atrás só do Pix (39,45%). Quando o desejo decide o item e o cartão empurra a conta, o orçamento fica sem voz.

Gastos no Dia das Crianças não sobem em toda cidade

Em Porto Alegre, o movimento é o oposto: a intenção de compra caiu de 57,7% para 52,1% e o gasto médio pretendido recuou de R$ 488,07 para R$ 390,26, segundo pesquisa da CDL POA, com o preço apontado como principal critério por 37,5% dos entrevistados. São retratos regionais, que não valem para o país inteiro.

O pano de fundo é nacional e pesado: em julho, o comprometimento de renda das famílias com dívidas ficou em 28,7%, empatado com junho como o maior da série do Banco Central — ou seja, de cada R$ 100,00 que entram, quase R$ 29,00 já têm dono antes de o mês começar.

Em janeiro, é comum ouvir a mesma história: os gastos no Dia das Crianças pareciam pequenos, mas somados ao fim de ano viraram uma fatura que ninguém viu chegar.

Gastos no Dia das Crianças somados à Black Friday e ao Natal

O problema raramente é uma compra isolada, porque o calendário emenda Dia das Crianças (12/10), Black Friday (27/11) e Natal em menos de três meses. Veja um exemplo hipotético, tudo parcelado sem juros:

  • Dia das Crianças: R$ 360,00 em 3 × R$ 120,00 nas faturas de novembro a janeiro;
  • Black Friday: R$ 600,00 em 6 × R$ 100,00 de dezembro a maio;
  • Natal: R$ 480,00 em 4 × R$ 120,00 de janeiro a abril.

Em janeiro, só essas três compras somam R$ 340,00 na fatura — justamente quando costumam chegar IPVA, IPTU e a lista de material escolar. Cada parcela parecia leve sozinha; juntas, apertam o começo de 2027.

O que fica na memória não vem na caixa

Pergunte a qualquer adulto o que lembra dos Dias das Crianças da infância e a resposta costuma vir com um lugar, uma pessoa ou uma tarde, raramente com um preço. Não se trata de trocar presente por passeio nem de se sentir mesquinho, e sim de lembrar que atenção também entra na conta.

Um piquenique na praça, um bolo feito junto na cozinha ou um vale escrito à mão — “um sábado inteiro com você, sem celular” — custam pouco e acompanham bem um presente simples.

Dizer não com carinho também é educação financeira

Para os pequenos, vale a regra curta: “este ano é um presente, e você escolhe qual”. A partir dos sete ou oito anos, dá para colocar número na conversa, como “o combinado é R$ 150,00 e você escolhe o que cabe”. Com adolescentes, mostrar a conta do trimestre ajuda a decidir juntos.

Avós que presenteiam para compensar também podem entrar no combinado, somando ao presente dos pais em vez de dobrar os gastos no Dia das Crianças. O limite dito com carinho não tira o amor da data: ensina que dinheiro tem fim — e que está tudo bem.

Esse presente é para ele ou para aliviar a minha culpa?

Faça essa pergunta antes de abrir qualquer app ou entrar em qualquer loja. Depois, ainda hoje, escreva num papel um teto em reais para a data — R$ 150,00, R$ 200,00, o número que cabe no seu mês, não no da família do grupo da escola. Se esse valor sair no Pix ou à vista, janeiro chega sem nenhuma parcela dos gastos no Dia das Crianças na fatura.

O Clube Utua é uma mídia educativa: este conteúdo é informativo e não constitui recomendação financeira ou jurídica.

Sobre o Autor

Paula Gargiulo
Paula Gargiulo

Jornalista especializado em Jornalismo Digital, com experiência em SEO, redação web, marketing de conteúdo e estratégias de conteúdo baseadas em dados. Ela é responsável pela estratégia editorial, produção de conteúdo e padrões de qualidade da UTUA, garantindo precisão, consistência, clareza e alinhamento com os padrões de comunicação editorial e financeira em todos os materiais publicados. Desde 2020, ela contribuiu com mais de 20.000 peças de conteúdo em mais de 60 países.