O golpe do falso advogado tem se espalhado pelo país ao longo de 2026, atingindo principalmente quem já teve ou ainda tem processos na Justiça. Golpistas entram em contato por WhatsApp, ligação ou até chamada de vídeo, afirmando que existe uma indenização, um precatório ou um valor de ação judicial esperando para ser liberado. A conversa costuma soar convincente porque usa informações verdadeiras sobre o caso da pessoa.
Segundo alertas divulgados por tribunais regionais e pela Ordem dos Advogados do Brasil ao longo do ano, o número de relatos já passa de 17 mil vítimas em todo o país. A fraude não é um episódio isolado, ela aparece de forma recorrente em diferentes estados, o que reforça a importância de saber identificar os sinais antes de qualquer decisão precipitada.
Como o golpe do falso advogado funciona?
Nesse tipo de golpe do falso advogado, os criminosos costumam ter acesso a dados públicos de processos judiciais, como número da ação, nome das partes e até o nome do profissional responsável pelo caso. Com essas informações em mãos, eles se apresentam como representantes do escritório ou do próprio tribunal, o que confere credibilidade inicial ao contato.
Depois de estabelecer essa confiança, o golpista informa que o valor já está disponível, mas que existe uma taxa, um imposto ou um custo de honorários finais a ser pago antes da liberação. O pagamento é solicitado por Pix ou boleto, normalmente para uma conta que não pertence à pessoa que fez o contato inicial.
Sinais que indicam que é o golpe do falso advogado
Um dos primeiros sinais de alerta é a cobrança antecipada. Nenhum processo judicial legítimo exige pagamento de taxas para que um valor já reconhecido seja liberado ao beneficiário, esse tipo de cobrança prévia já é motivo suficiente para desconfiar da conversa.
Outros comportamentos comuns incluem contato por números desconhecidos, pressa para que a decisão seja tomada em poucos minutos e pedidos para que o pagamento seja feito em conta de terceiros. Vale observar também se a pessoa se recusa a fornecer meios oficiais de verificação, como o número de registro na OAB.
A diferença entre o golpe do falso advogado e o dinheiro esquecido no Banco Central
É comum confundir esse esquema com o Sistema de Valores a Receber, mantido pelo Banco Central para devolver dinheiro esquecido em contas encerradas, tarifas cobradas indevidamente ou cotas de consórcio já finalizadas. Os dois usam expressões parecidas, o que ajuda os golpistas a causar confusão entre quem recebe o contato.
A diferença central está no custo. A consulta ao sistema oficial é feita apenas pelo site valoresareceber.bcb.gov.br, exige login pela conta gov.br e não cobra nenhuma taxa em nenhuma etapa do processo. Se alguém pede pagamento para liberar um valor, seja de processo judicial ou de conta esquecida, o sinal de golpe é sempre o mesmo.
Como agir diante do golpe do falso advogado?
Ao receber uma mensagem ou ligação nesse formato, o mais seguro é não fazer nenhum pagamento e buscar confirmação por canais oficiais. É possível checar se o profissional está regularmente inscrito na OAB através de ferramentas de consulta pública disponibilizadas pela própria entidade.
Caso o pagamento já tenha sido feito, o próximo passo é contatar o banco para tentar o bloqueio pelo mecanismo especial de devolução do Pix, registrar boletim de ocorrência e denunciar o perfil ou número usado no contato. Quanto mais rápido for esse movimento, maiores as chances de reverter o prejuízo.
Desconfiar antes de agir evita prejuízo
Esse tipo de fraude se aproveita justamente da expectativa de receber um dinheiro que parece legítimo, e por isso a melhor proteção é desacelerar antes de qualquer transferência. Conferir a origem do contato, buscar o profissional por meios já conhecidos e desconfiar de qualquer cobrança antecipada evita boa parte dos prejuízos relacionados ao golpe do falso advogado.
Manter esse cuidado vale tanto para quem tem processos em andamento quanto para quem já encerrou uma ação há anos, já que os dados usados pelos criminosos costumam ser antigos. Compartilhar essas informações com familiares, especialmente os mais idosos, também ajuda a reduzir o alcance dessa fraude.