Um correntista recebeu uma proposta convincente nas redes sociais, fez transferências via golpe do Pix e só depois percebeu que havia sido enganado. Ele levou o caso à Justiça com um argumento que muita gente teria: o banco deveria ter impedido as operações ou devolver o valor.
O caso chegou ao Superior Tribunal de Justiça no processo REsp 2.208.212, sob relatoria da ministra Maria Isabel Gallotti. Em março de 2026, a relatora não conheceu do recurso especial, o que manteve, na prática, o resultado desfavorável ao consumidor: o banco não era obrigado a devolver o dinheiro.
Por que o banco não foi responsabilizado?
No Brasil, a regra geral é que as instituições financeiras respondem de forma objetiva por fraudes no ambiente bancário, podendo ser responsabilizadas mesmo sem culpa direta, desde que haja falha no serviço.
Nesse caso de golpe do Pix, porém, não havia indício de falha nos sistemas de segurança dos bancos. O próprio correntista fez as transferências com sua senha pessoal, convencido pelo golpista em conversa fora do ambiente bancário. A relatora manteve o resultado porque o tribunal de origem já havia reconhecido culpa exclusiva do consumidor e de terceiro, e o recurso especial não permite reexame de fatos e provas.
O que muda na prática para quem usa o Pix?
Essa decisão não significa que o banco nunca precisa devolver o dinheiro em casos de golpe do Pix. A regra de responsabilidade das instituições financeiras continua válida, especialmente quando há falha de segurança comprovada, como uma conta invadida sem a participação do titular ou um sistema bancário fraudado.
O que o entendimento do STJ reforça é que a situação muda quando a própria vítima autoriza a transação, enganada por um golpista que agiu fora do banco, em conversas por aplicativo de mensagens ou rede social. Nesse tipo de golpe do Pix, o pedido de devolução tem menos chances na Justiça.
Como se proteger desse tipo de golpe?
Esse tipo de fraude funciona porque o golpista cria urgência ou oferece algo vantajoso demais, sempre fora do ambiente bancário.
Algumas atitudes ajudam a evitar cair nessa armadilha:
✅ Desconfie de qualquer pedido para fazer um Pix fora do ambiente oficial de compra ou negociação.
✅ Nunca compartilhe sua senha ou dados da conta com terceiros, nem mesmo com quem diz ser do suporte do banco.
✅ Fuja de promessas de lucro fácil, empréstimo facilitado ou pressão por urgência, que são táticas comuns desse tipo de golpe.
O que fazer se cair em um golpe do Pix?
Se você perceber que caiu em um golpe do Pix, a velocidade de reação faz diferença. Comunique o banco imediatamente pelo canal oficial, relatando o ocorrido, já que em alguns casos é possível interromper o processamento antes que o valor seja liberado ao golpista.
Além disso, peça abertura do Mecanismo Especial de Devolução (MED), ferramenta do Banco Central que bloqueia cautelarmente o valor na conta de quem recebeu o Pix. Você tem até 80 dias corridos após a transferência para solicitar o MED. Depois do pedido, o banco tem até 7 dias para analisar o caso e, se a fraude for confirmada, até 96 horas para devolver o valor, o que leva cerca de 11 dias no total.
A chance de recuperação diminui bastante se o golpista já tiver sacado ou repassado o dinheiro. Guarde os prints da conversa e os comprovantes das transferências: esse conjunto de provas é fundamental se você precisar acionar a Justiça depois. Se o banco negar a devolução, busque orientação jurídica, já que o resultado depende das provas de cada caso.
Vale saber antes de transferir
O golpe do Pix que começa nas redes sociais é um dos mais difíceis de contestar judicialmente, justamente porque quem autorizou a transferência foi o próprio titular da conta. Por isso, a prevenção continua sendo o caminho mais eficaz: desconfiar antes de agir é sempre mais simples do que tentar recuperar o valor depois.
Aqui no Clube Utua, acompanhamos de perto decisões como essa, porque elas afetam diretamente o bolso do consumidor. Nosso papel é traduzir mudanças jurídicas e econômicas em informação clara, para que você entenda seus direitos no dia a dia financeiro.