29/06/2026
12h59
golpes online

Golpes online são como o amanhecer: a cada novo dia, uma nova tentativa de enganar é conhecida pela população brasileira. Um exemplo recente disso é que, mal foi anunciada a turnê do BTS no Brasil, e os golpistas já estavam de plantão. Em questão de dias após a confirmação dos shows no país, criminosos criaram pelo menos dez sites falsos imitando a página oficial da Ticketmaster – a bilheteria autorizada – com o único objetivo de roubar o dinheiro dos fãs.

O alerta foi levantado pela empresa de cibersegurança Kaspersky, que identificou os domínios fraudulentos circulando pelas redes. E o que parece um problema exclusivo do fandom do BTS é, na verdade, um retrato de algo muito maior: os golpes online em compras de ingressos se tornaram um mercado paralelo sofisticado no Brasil, que coloca em risco qualquer pessoa animada para ir a um show.

O que está acontecendo com os ingressos do BTS?

Os shows do BTS no Brasil estão entre os eventos mais esperados de 2026, o que por si só já cria o ambiente perfeito para fraudes (presenciais) e golpes online: muita gente querendo comprar, alta concorrência por ingressos e o medo de ficar de fora. Esse cenário de urgência e desejo é exatamente o que os golpistas exploram.

Segundo a Kaspersky, os sites falsos identificados usam URLs com terminações como “.online”, “.website” e “.site”, enquanto o endereço oficial da bilheteria termina em “.com.br”. As páginas são praticamente idênticas à original: mesma identidade visual, mesmas informações, mesmos campos de cadastro. A diferença está no destino do dinheiro.

Em vários casos relatados de golpes online, os sites fraudulentos direcionam o pagamento para Pix, mandando o dinheiro para contas de terceiros. Quando a vítima tenta pagar com cartão de crédito – o que permitiria contestar a cobrança depois -, o site exibe uma mensagem falsa de “alta demanda” e insiste na troca para Pix. O resultado é um prejuízo que, muitas vezes, é difícil de recuperar.

Os golpes online não são exclusividade de um único artista ou grupo

O caso do BTS é o mais recente entre os golpes online e um dos mais comentados, mas está longe de ser isolado. Um levantamento da empresa de segurança digital Security Leaders identificou quase 800 domínios falsos criados para enganar compradores de ingressos de grandes eventos no Brasil. Cada novo show relevante anunciado – seja de artistas nacionais ou internacionais – vira gatilho para uma nova onda de sites fraudulentos.

Além dos sites clonados, os golpistas também atuam em grupos de WhatsApp, páginas no Instagram e até em anúncios patrocinados no Google, o que significa que um resultado que aparece no topo da busca pode ser, sim, uma fraude.

Como os golpistas operam na prática

Entender a mecânica dos golpes online é o primeiro passo para não cair neles. De modo geral, os esquemas seguem um roteiro bem definido. Primeiro, o golpista cria um site ou perfil que imita ao máximo a aparência de uma bilheteria conhecida. Depois, anuncia ingressos – muitas vezes para eventos esgotados ou com preços abaixo do mercado, o que serve de isca.

Quando a vítima entra em contato ou acessa o site, é convencida a realizar o pagamento rapidamente, geralmente com argumento de que os ingressos estão acabando. O método de pagamento preferido é o Pix, justamente porque a transferência é imediata e mais difícil de rastrear (embora hoje já haja formas de contestar rapidamente Pix enviado). Após o pagamento, o golpista some, e o ingresso nunca chega.

Outra modalidade envolve a venda de ingressos físicos ou digitais falsificados em redes sociais. A pessoa compra de um “revendedor”, recebe um arquivo ou um código que parece legítimo, e só descobre que foi enganada na catraca do evento, quando já é tarde demais.

Como se proteger na hora de comprar ingresso?

A regra de ouro é simples: compre sempre pelo canal oficial. Antes de digitar qualquer dado ou fazer qualquer pagamento, confirme qual é a bilheteria autorizada para o evento – geralmente essa informação está no perfil oficial do artista ou da casa de shows. Acesse o site digitando o endereço diretamente no navegador, nunca clicando em links recebidos por mensagem ou redes sociais, mesmo que de amigos.

Verifique a URL com atenção. Sites legítimos de grandes bilheterias usam endereços claros e terminações conhecidas, como “.com” ou “.com.br”. Desconfie de domínios com palavras adicionais, números no meio ou terminações incomuns. Um cadeado ao lado da URL (https) é importante, mas não garante que o site é legítimo .

Outros sinais de golpes online são: preço muito abaixo do praticado oficialmente; exigência exclusiva de Pix; ausência de CNPJ ou dados de contato da empresa; e qualquer pressão para decidir rápido. Se alguma dessas situações aparecer, pare e desconfie antes de continuar.

E se você já caiu em golpes online?

Se você realizou um pagamento via Pix e percebeu que foi vítima de fraude, o primeiro passo é entrar em contato imediatamente com o seu banco e solicitar o acionamento do Mecanismo Especial de Devolução (MED). Esse mecanismo, criado pelo Banco Central, permite que o banco bloqueie e tente recuperar o valor transferido em casos de fraude.

Além disso, registre um Boletim de Ocorrência, que pode ser feito pela internet na delegacia virtual do seu estado. Guarde todos os comprovantes: print da conversa, recibo de pagamento, URL do site falso. Essas informações sobre os golpes online são essenciais tanto para o processo de investigação quanto para uma eventual contestação junto ao banco.

Cuidar do seu dinheiro começa antes de qualquer compra. Na internet, a animação para um show precisa vir acompanhada de atenção redobrada, porque golpistas sabem exatamente como explorar o entusiasmo de quem está animado para viver um momento especial. E nenhum show vale uma dor de cabeça financeira que poderia ser evitada.

Sobre o Autor

Emelyn Vasques
Emelyn Vasques

Jornalista, atua há 8 anos nas áreas de assessoria de imprensa, comunicação e produção de conteúdos para diferentes veículos e plataformas. Destaca-se em sua trajetória a experiências como repórter no Jornal Diário do Comércio, especializado na cobertura econômica de Minas Gerais.