23/01/2026
11h16
groenlândia

A Groenlândia está no centro dos noticiários, e os motivos para isso estão deixando o mundo todo apreensivo. Considerada a maior ilha do mundo, essa região tem dois terços de seu território localizados acima do Círculo Polar Ártico, entre os continentes americano e europeu – mais precisamente na América do Norte.

Essa localização estratégica torna a Groenlândia, que não é um país propriamente dito, mas um território autônomo pertencente/vinculado à Dinamarca, muito disputado. Gigantes como a China e os Estados Unidos têm interesse no território para dois objetivos principais: definição de novas rotas marítimas e exploração das chamadas terras raras, que são, em resumo, minerais que devem ditar o futuro do mundo.

Mas por que dissemos anteriormente que o território está vinculado à Dinamarca? Isso traz um desenrolar histórico gigante, mas, para não perdermos o foco em nosso tema, saiba que isso acontece porque, mesmo que o território da Groenlândia tenha um governo, questões relacionadas à soberania ou que são de responsabilidade do Estado, como a defesa, a política monetária e as relações exteriores são de responsabilidade da Dinamarca.

Por que a Groenlândia não é independente?

E se você está se perguntando por qual motivo o território gelado da Groenlândia não é independente ainda, saiba que isso ocorre por muitas razões. As principais e mais importantes se relacionam à sustentabilidade da ilha em termos financeiros, porque a ilha em pouca diversificação da atividade econômica, sendo a pesca predominante nessa composição de comércio.

Por isso, a Dinamarca faz um repasse de subsídio que é responsável por prover mais da metade do orçamento necessário ao território. E ainda que a ilha seja uma promessa em termos de exploração de minerais, as questões logísticas relacionadas aos invernos rigorosos torna tudo mais difícil. Ademais, é discutido exatamente o risco de que uma independência só ocorra se o país passe a ser tutelado por outro país.

Um país pode comprar o outro?

Chegando ao tema principal de hoje, saiba que essa pergunta se tornou comum nos noticiários desde que o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que queria adquirir a ilha. Os temores de uma invasão, com uso de força militar, também rondam o assunto, embora, mais recentemente, o líder americano tenha voltado atrás e dito que não precisaria mais empregar força para chegar a um acordo.

Os termos do acordo ainda não estão claros, mas o que já é de conhecimento é que existe, no Direito Internacional, a possibilidade de um país comprar o outro – com muitos parênteses. Mas isso não é tão simples quanto parece e podemos perceber isso de uma forma simples: nos últimos anos, quantas vezes você já ouviu falar em territórios comprados?

Não vamos considerar, portanto, que esse seja uma venda como qualquer outra. Existem uma série de critérios ara que esses acordos sejam efetivados, e, no caso da Groenlândia, nada poderia ser tratado somente com a ilha, mas de forma conjunta com a Dinamarca, já que questões relacionadas à política externa, relações internacionais e defesa são de responsabilidade deste país.

E se formos pensar um pouquinho mais a fundo, como a Dinamarca faz parte da União Europeia, seria necessário que todos os países-membros autorizassem a realização desse acordo. Ou seja, nada é tão simples como um “sim” quando tratamos de geopolítica no mundo e anexação de territórios, não é verdade?

Outro fator fundamental é que a população da Groenlândia e da Dinamarca também precisa estar de acordo – em maioria – com esse tipo de decisão, já que são as pessoas as maiores afetadas com acontecimentos dessa magnitude.

Como isso afeta as nossas vidas?

As tensões mundiais afetam os mercados, trazendo riscos de grandes oscilações (volatilidade) em termos de investimentos. Mas essa crise vivida atualmente na Groenlândia mostra também que os países estão redesenhando suas estratégias para entender como garantir posições mais fortes em diferentes temas, como na busca por terras raras, que, em resumo, podem abastecer os mercados de chips, semicondutores, entre outros.

E, em meio a essa complexidade, vamos acompanhar ao longo dos próximos meses os novos capítulos dessa história que tem tido a atenção mundial, e que você agora pode ver com mais profundidade. Além, é claro, de entender como serão os impactos financeiros em todo o mundo, algo que ficará mais claro ao longo do tempo.

Sobre o Autor

Emelyn Vasques
Emelyn Vasques

Jornalista, atua há 8 anos nas áreas de assessoria de imprensa, comunicação e produção de conteúdos para diferentes veículos e plataformas. Destaca-se em sua trajetória a experiências como repórter no Jornal Diário do Comércio, especializado na cobertura econômica de Minas Gerais.