14/05/2026
17h40
imóvel na planta

Comprar um imóvel na planta tem um apelo quase irresistível: o preço costuma ser mais baixo do que o de um imóvel pronto, é possível parcelar durante a obra e, no momento da entrega, a valorização pode ser significativa.

Mas antes de assinar qualquer contrato de financiamento de imóvel na planta, vale entender exatamente o que está em jogo, principalmente porque estamos falando de um compromisso que geralmente é de longo prazo e que envolve cifras mais altas, concorda?

O que significa comprar um imóvel na planta?

Quando você compra um imóvel na planta, está adquirindo algo que ainda não existe fisicamente. O que você assina em contrato é uma promessa de compra e venda de uma unidade que será entregue em um prazo determinado, de acordo com as condições apresentadas pela construtora.

Durante a fase de construção, você paga parcelas diretamente à construtora. Essas parcelas não passam pelo banco, mas o saldo devedor é corrigido pelo INCC — o Índice Nacional de Custo da Construção. Isso significa que, quanto mais tempo a obra demorar, maior pode ser o valor final do que você vai pagar.

Como entra o financiamento bancário

O pagamento do financiamento bancário do imóvel na planta só começa na entrega das chaves. A partir daí, o saldo restante é transferido para o banco no qual você fez o financiamento do saldo devedor e você passa a pagar as prestações mensais como em qualquer outro financiamento imobiliário.

É nesse momento que o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço pode entrar em cena. Ele pode ser usado para dar entrada, abater o saldo devedor ou reduzir o valor das prestações, desde que você atenda às regras do SFH (Sistema Financeiro da Habitação). Vale a pena consultar seu extrato do FGTS com antecedência e verificar se já tem tempo de carteira suficiente para usar o benefício.

Os riscos que ninguém conta no estande de vendas

O imóvel na planta tem vantagens reais, mas também riscos que precisam estar no seu radar. O principal deles é o atraso na entrega. Por lei, a construtora tem uma tolerância de 180 dias além do prazo previsto no contrato sem precisar pagar multa. Se passar disso, você tem direito à indenização, mas o processo pode ser desgastante.

Outro risco é a falência da construtora antes da entrega. Nesses casos, o caminho é mais complicado, e você pode perder tempo e dinheiro até resolver a situação juridicamente. Por isso, pesquisar o histórico da construtora antes de assinar é mais do que recomendável: é essencial.

O que analisar antes de fechar negócio

Alguns pontos que fazem diferença na hora de decidir. Primeiro, verifique o registro de incorporação do empreendimento no cartório ou contrate um profissional de confiança que faça isso. Esse documento garante que a obra está legalmente autorizada e protege o comprador em caso de falência da empresa e os próprios bancos que financiam o imóvel checam essas questões burocráticas.

Segundo, leia com atenção o memorial descritivo. Ele detalha todos os materiais e acabamentos que serão entregues. E atenção: o que você vê no decorado nem sempre é o que vai receber. Terceiro, confira a cláusula de tolerância e o prazo real de entrega, porque alguns contratos escondem datas muito elásticas em letras miúdas.

Por fim, calcule o custo total do imóvel, não apenas a parcela mensal. Some as parcelas de obra, a correção pelo INCC e o financiamento bancário para ter uma ideia real do quanto vai desembolsar ao longo de tudo.

Vale a pena financiar um imóvel na planta?

Imóvel na planta pode ser um excelente negócio quando você está bem informado. A valorização entre a compra e a entrega costuma ser relevante, e o parcelamento durante a obra facilita o planejamento financeiro. Mas essa modalidade exige pesquisa, leitura de contrato e um bom fôlego para esperar.

Antes de assinar, compare ao menos três empreendimentos, cheque o histórico da construtora e, se possível, consulte um especialista em direito imobiliário. Conhecimento, aqui, é literalmente dinheiro na sua conta.

Sobre o Autor

Emelyn Vasques
Emelyn Vasques

Jornalista, atua há 8 anos nas áreas de assessoria de imprensa, comunicação e produção de conteúdos para diferentes veículos e plataformas. Destaca-se em sua trajetória a experiências como repórter no Jornal Diário do Comércio, especializado na cobertura econômica de Minas Gerais.