O boleto do aluguel chega mais caro na data de aniversário do contrato, e muita gente só descobre o motivo ao ligar para a imobiliária, imaginando que o proprietário decidiu aumentar o valor por conta própria.
Na maioria dos casos, não é bem assim: o aumento é resultado de um índice de reajuste do aluguel escolhido no início do contrato, que sobe ou desce todo mês sem que ninguém precise assinar nada de novo.
Entender como esse índice de reajuste do aluguel funciona ajuda a não ser pego de surpresa todo ano, e também mostra que existe um momento certo para discutir qual índice será usado, antes de ele virar cláusula fechada no papel.
Como funciona o índice de reajuste do aluguel?
A maioria dos contratos de locação residencial no Brasil usa o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), calculado pela Fundação Getulio Vargas, como índice de referência para o reajuste, embora uma parte crescente de contratos mais recentes também use o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), calculado pelo IBGE.
O reajuste costuma ser aplicado uma vez por ano, na data de aniversário do contrato, com base no valor acumulado desse índice nos últimos 12 meses. Segundo dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas em 29 de setembro de 2026, o IGP-M acumulou alta de 3,34% nos últimos 12 meses, com variação de 1,57% só em setembro.
Já o IPCA, índice oficial de inflação calculado pelo IBGE, acumulava alta de 4,22% em 12 meses até agosto de 2026, dado mais recente disponível na data de publicação deste texto, já que o resultado de setembro ainda não havia sido divulgado.
Vale lembrar que esses números mudam todo mês, então o percentual exato do seu reajuste depende do mês de aniversário do seu contrato. Ambos os indicadores podem ser consultados diretamente nos sites oficiais do IBGE e da FGV, que publicam os resultados mensais com poucos dias de intervalo após o fechamento de cada período.
Por que IGP-M e IPCA dão resultados tão diferentes?
Cada índice de reajuste do aluguel que citamos acima mede fatores diferentes. O IGP-M combina três componentes, com peso maior para preços no atacado, o que o torna mais sensível a variações do dólar e de commodities.
Já o IPCA mede exclusivamente a variação de preços para o consumidor final, sendo também o índice oficial usado pelo Banco Central para acompanhar a meta de inflação do país. Essa diferença de metodologia explica por que, em determinados períodos, o IGP-M sobe muito mais rápido que o IPCA, e em outros momentos o movimento se inverte.
Contratos indexados a cada índice de reajuste do aluguel vistos acima, podem, portanto, ter variações bem diferentes no mesmo intervalo de tempo, mesmo representando o mesmo imóvel em cidades parecidas.
Quando negociar o índice de reajuste do aluguel?
O que poucos inquilinos sabem é que o índice de reajuste do aluguel é definido por acordo entre as partes no momento da assinatura ou da renovação do contrato, não é uma imposição legal fixa. Depois que o contrato está assinado, esse índice só muda se inquilino e proprietário concordarem formalmente com uma alteração, normalmente por meio de um aditivo contratual.
Por isso, o momento certo para conversar sobre qual índice será usado é antes de assinar ou renovar o contrato, não depois de já estar reclamando do valor do boleto. Vale a pena perguntar diretamente à imobiliária ou ao proprietário qual índice está sendo proposto e calcular, com antecedência, como ele se comportou nos últimos anos.
Fazer essa conta é simples: basta multiplicar o valor atual do aluguel pelo percentual acumulado do índice escolhido nos últimos 12 meses, sempre tomando como referência o mês de aniversário do contrato, não qualquer mês aleatório do calendário.
Leia isso antes de renovar seu contrato
Antes de renovar o próximo contrato, vale separar um momento para olhar o índice de reajuste do aluguel que está sendo usado e fazer essa conta você mesmo, em vez de esperar o boleto chegar reajustado para descobrir o motivo.
A pergunta certa não é só “quanto vai subir”, mas “esse índice ainda faz sentido para o meu contrato”. Esse tipo de pergunta, simples mas pouco feita, é o que o Clube Utua tenta estimular: entender a lógica por trás do contrato, não só assinar onde está marcado.