A inflação dos alimentos deu um suspiro de alívio em junho: o grupo caiu 0,24% e ajudou a segurar o IPCA do mês em apenas 0,16%, só que esse respiro pode ter prazo de validade. Enquanto você comemora o tomate mais barato, um fenômeno climático do outro lado do planeta já começou a redesenhar a safra que vai parar na sua mesa daqui a alguns meses.
Aqui no Clube Utua, a gente traduz manchete de economia em decisão de cozinha — sem vender milagre nem cravar o dia certo de comprar. E, acompanhando muitos orçamentos de perto, um padrão se repete: quem sofre menos com a inflação dos alimentos não é quem ganha mais, é quem enxerga a alta chegar antes de ela bater na etiqueta.
Por que o El Niño puxa a inflação dos alimentos?
O El Niño é o aquecimento anormal do oceano pacífico que bagunça o clima no mundo inteiro. A agência americana NOAA estima 81% de chance de um episódio muito forte entre o fim da primavera e o começo do verão no hemisfério sul — para alguns modelos, o mais intenso desde 1950. Na prática, isso se traduz em chuva demais no Sul, chuva de menos no centro-norte e calor acima da média em boa parte do país.
Essas três forças atacam justamente as regiões que abastecem o seu prato. É por isso que a inflação dos alimentos começa no campo, mesmo que só apareça no supermercado. Quando a lavoura sofre, o preço sobe — e leva de dois a seis meses para chegar à gôndola.
Do arroz ao cafezinho: onde a pressão vai aparecer
Três produtos concentram o risco. O arroz depende do Rio Grande do Sul, que responde por cerca de 70% da produção brasileira; chuva em excesso pode atrasar o plantio, travar a colheita e interromper estradas. O milho, base da ração de frango, porco e boi, encarece em silêncio: quando ele sobe, o efeito reaparece no ovo, no leite e na carne semanas depois. Já o café, liderado por Minas Gerais, é sensível a poucos dias de calor ou seca na florada.
Existe um amortecedor importante: a safra 2025/2026 deve bater 358,6 milhões de toneladas, a maior da história, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o que reduz o risco de falta generalizada. Contudo, a produção recorde não protege você de quebras localizadas — basta um item importante emperrar para a inflação dos alimentos voltar a pesar no fim do mês.
Quanto a inflação dos alimentos custa em seu orçamento?
Vamos ao número que importa. Uma família que gasta R$1.200,00 por mês no mercado sente cada ponto de inflação dos alimentos direto no caixa. Se os preços subirem 6% nos próximos meses — algo plausível num El Niño forte —, são R$72,00 a mais por mês, ou R$864,00 ao longo de um ano. É quase um 13º salário evaporando na gôndola sem você perceber.
O problema é que a maioria só reage quando a conta já subiu. Quando a pressão aparece no supermercado, a janela de se preparar já fechou. Por isso a inflação dos alimentos precisa entrar no seu radar agora, e não em dezembro.
O que fazer antes de o preço subir?
Você não controla o El Niño, mas controla três coisas: Primeiro, monte um colchão de mercado: separe de R$70,00 a R$100,00 por mês agora, enquanto os preços estão calmos, para absorver a alta sem recorrer ao cartão.
Segundo, faça o teste da etiqueta: anote por duas semanas o preço dos cinco itens que mais entram na sua casa e troque os que dispararem por equivalentes mais baratos — arroz por outro grão, carne bovina por frango… Terceiro, compre à vista o que dá para estocar sem estragar (arroz, café, feijão) enquanto o preço ainda está em trégua.
Nenhuma dessas atitudes segura a inflação dos alimentos sozinha, mas, somadas, elas transformam um susto anunciado em despesa planejada. Quer continuar um passo à frente do supermercado? No Clube Utua você encontra outros conteúdos que traduzem a economia em decisões práticas para o seu bolso!