Trabalhar sem carteira assinada, receber por fora ou faturar como autônomo sem nenhum tipo de registro formal ou contribuição para a aposentadoria e benefícios sociais trabalhistas são situações que fazem parte da rotina de milhões de brasileiros, e todas elas se enquadram no que os economistas chamam de informalidade.
Segundo dados do IBGE, no primeiro trimestre de 2026 esse tipo de trabalho sem registro atingiu 37,3% da população ocupada do país, um número que representa dezenas de milhões de pessoas trabalhando fora das regras que garantem direitos básicos e proteção previdenciária, muitas vezes sem perceber o tamanho do risco que estão correndo.
Entender o que isso significa a informalidade na prática ajuda a enxergar riscos que muita gente só percebe quando já é tarde demais, geralmente no meio de um imprevisto de saúde ou de uma fase de renda mais apertada.
O que é a informalidade?
Essa situação acontece sempre que uma relação de trabalho existe sem o registro formal exigido por lei, seja porque o empregador não assina a carteira do funcionário, seja porque o próprio trabalhador presta serviços por conta própria sem se formalizar como Microempreendedor Individual ou em outra categoria equivalente.
Isso inclui desde o vendedor ambulante e a diarista sem contrato até o entregador de aplicativo e o profissional liberal que não emite nota fiscal. Em todos esses casos, o vínculo de trabalho existe na prática, mas não existe no papel, o que tira do trabalhador o acesso a uma série de garantias legais.
Por que a informalidade preocupa as autoridades?
O governo e os pesquisadores acompanham de perto esse indicador porque esse tipo de trabalho reduz a arrecadação de impostos e contribuições previdenciárias, o que compromete o financiamento de programas sociais e da própria aposentadoria de quem trabalha sem registro.
Além do impacto nas contas públicas, esse cenário também é visto como um sinal de fragilidade do mercado de trabalho, porque costuma crescer em períodos de crise econômica, quando menos empresas têm condições de contratar formalmente e mais pessoas recorrem a bicos e trabalhos temporários para sobreviver.
Vale notar que os dados mais recentes mostram uma leve queda nesse indicador, associada à retração do emprego sem carteira no setor privado e à maior formalização de trabalhadores por conta própria via CNPJ, um sinal de que políticas de simplificação, como o próprio MEI, ajudam a trazer trabalhadores de volta para dentro das regras formais.
O que o trabalhador perde com a informalidade?
Quem está nessa condição abre mão de uma lista longa de direitos garantidos pela CLT, como férias remuneradas, décimo terceiro salário, FGTS, seguro-desemprego em caso de demissão e licença-maternidade ou paternidade com estabilidade. Também fica de fora, a não ser que contribua por conta própria, da proteção previdenciária que garante auxílio-doença, aposentadoria e pensão por morte para os dependentes.
Na prática, isso significa que um imprevisto de saúde ou uma queda repentina na renda pode se transformar em uma crise financeira muito mais grave para quem trabalha na informalidade do que para quem tem um vínculo formal de trabalho, já que não existe um colchão de segurança previsto em lei para amortecer o golpe.
Como reduzir os riscos de estar na informalidade
Para quem não tem alternativa imediata de formalização, seja porque o mercado da sua região oferece poucas vagas com carteira assinada, seja porque a atividade exercida só funciona de forma autônoma, existem caminhos para reduzir os riscos dessa situação. Contribuir mensalmente para o INSS como contribuinte individual ou facultativo garante acesso a benefícios essenciais mesmo sem vínculo empregatício formal.
Formalizar-se como Microempreendedor Individual, quando a atividade permite, também é uma forma de sair dessa condição sem perder a flexibilidade de trabalhar por conta própria, já que o MEI dá acesso a aposentadoria, auxílio-doença e outros benefícios por um valor mensal acessível, além de facilitar a emissão de nota fiscal e a conquista de novos clientes que exigem esse tipo de documento.
A informalidade pode até parecer, no curto prazo, uma forma mais simples de trabalhar, mas o custo de ficar de fora da proteção previdenciária aparece justamente nos momentos em que mais se precisa dela. Se você está nessa situação hoje, considere dar o primeiro passo para se formalizar ainda este mês, seja pelo MEI, seja pela contribuição direta ao INSS, e garanta que o esforço do seu trabalho também construa uma proteção para o futuro.