O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) está sofrendo com os últimos acontecimentos do mundo. Divulgado recentemente pelo IBGE, o IPCA de março registrou uma variação de 0,88%. O resultado superou a expectativa inicial do mercado, que projetava uma alta de 0,77%, e representa o avanço mensal mais expressivo dos últimos doze meses. No acumulado de um ano, a inflação oficial atingiu 4,14%.
Este movimento foi impulsionado, principalmente, pelos grupos de transportes e alimentação, que juntos responderam por 76% do índice do mês. O reajuste nos combustíveis, com a gasolina subindo 4,59% e o diesel 13,90%, exerceu pressão direta sobre o frete e, consequentemente, sobre o preço dos alimentos consumidos pelos brasileiros. E, como você já sabe, parte dessa elevação do IPCA de março se deve aos reflexos da guerra no Irã.
Como o IPCA de março impacta o mercado econômico?
Em um cenário em que o Ibovespa atinge patamares recordes, com registro de 198 mil pontos em meados de abril, é comum que o investidor queira concentrar capital em ativos de risco em busca de retornos elevados. Entretanto, a inflação pode corroer esse ganho de patrimônio, caso a rentabilidade não supere o avanço do custo de vida. Em casos que isso se confirme, o investidor experimentará uma estagnação ou até perda do poder de compra real.
É neste contexto que os títulos indexados à inflação, como o Tesouro IPCA+, tornam-se ferramentas indispensáveis para a estrutura de uma carteira resiliente. E é por isso que muitos investidores experientes já entenderam que a notícia do IPCA de março traz a necessidade de revisão da carteira. Vamos entender melhor o assunto?
Por que manter a exposição aos títulos IPCA+?
Diferente dos títulos prefixados ou dos pós-fixados estritos (atrelados apenas à Selic ou ao CDI), os títulos que são indexados ao IPCA oferecem uma estrutura de remuneração composta por duas partes: uma taxa de juros fixa e a variação integral do IPCA do período. Ou seja, se o IPCA de março teve mais pressão da elevação, você não perde dinheiro, pois seu título também varia conforme a inflação no período.
Um exemplo disso é que, ao investir em um título que paga, por exemplo, IPCA + 6%, o investidor assegura que seu capital crescerá 6% acima de qualquer variação de preços, independentemente do patamar que a inflação atinja. Ou seja, os títulos emitidos pelo Tesouro Nacional seguem seguros e com menor risco de crédito.
Para o investidor que mantém o papel até o vencimento, a rentabilidade real contratada é garantida e serve como um verdadeiro farol para o planejamento de longo prazo. Neste momento, em que o IPCA de março tem elevações e o cenário externo está agitado, não é tão interessante vender esses títulos, pois pode haver uma perda de proteção da carteira para a inflação.
Reflexões para levar em conta!
O dado relativo ao IPCA de março serve como um lembrete de que a inflação é uma variável que sempre deve ser considerada pelo investidor. Em meio aos conflitos no Oriente Médio e tantas outras questões que pressionam os preços em um mundo globalizado, o investidor precisa equilibrar a carteira de investimentos com ativos que neutralizam o efeito inflacionário.
Por isso, observe o cenário atual com um olhar mais sensível. Será que o resultado do IPCA de março pode se repetir e trazer altas em abril? Será que o Banco Central anunciará, no final de abril, novo corte na taxa básica de juros? Ou será que, com tantas incertezas, a Selic permanecerá estagnada em patamares elevados?
Em meio a tantas possibilidades, a manutenção de uma parcela relevante da carteira em títulos IPCA+ garante que o crescimento do patrimônio seja constante. Mesmo que o IPCA de março tenha tido alguma retração ou estivesse alinhado às expectativas iniciais, é importante sempre estar atento para reduzir as perdas causadas pela inflação.