Com o prazo do IR 2026 aberto até 30 de maio, declarar investimentos corretamente deixou de ser uma tarefa optativa — é uma obrigação para quem operou na bolsa, recebeu rendimentos de renda fixa ou tem cotas de fundos imobiliários.
E ao contrário do que parece, o processo de declarar investimentos no IR 2026 com atenção pode fazer diferença no valor da restituição. O detalhe está em saber o que informar, onde colocar cada tipo de ativo e quais deduções ainda estão ao seu alcance. Leia o texto de hoje e confira!
Prazo e quem é obrigado a declarar
O prazo do IRPF 2026 — o Imposto de Renda da Pessoa Física — vai até 30 de maio. Além das regras gerais de obrigatoriedade, como ter recebido rendimentos tributáveis acima de R$33.888,00 no ano-base, qualquer pessoa que realizou operações em bolsa de valores está obrigada a declarar, mesmo que o resultado tenha sido prejuízo. Isso inclui ações, ETFs e FIIs.
Como declarar ações no IR 2026
Para quem opera na bolsa, há duas frentes distintas: os bens em custódia e os ganhos nas vendas.
As ações são informadas na ficha Bens e Direitos com o código 31, pelo custo de aquisição — não pelo valor de mercado. A Receita não quer saber quanto suas ações valem hoje, mas quanto você pagou por elas.
Os lucros nas vendas com resultado positivo precisam ser tributados via DARF mensalmente ao longo do ano. Ao declarar investimentos no IR 2026, você informa os ganhos que já foram tributados durante 2025 — o programa cruza os DARFs pagos com os valores declarados. Operações no mercado comum com vendas até R$20.000 por mês são isentas de IR, mas precisam ser informadas. Day trade nunca tem isenção.
Como declarar FIIs
Os Fundos de Investimento Imobiliário têm dois momentos tributários distintos. Os rendimentos mensais distribuídos são isentos de IR para pessoa física, mas precisam ser informados na ficha de Rendimentos Isentos e Não Tributáveis, com o código 26.
O ganho de capital na venda de cotas, por outro lado, é tributado à alíquota de 20% e deve ser pago via DARF no mês da operação. Na declaração, ele entra no grupo de ganhos de capital em renda variável.
Como declarar renda fixa
CDBs, LCIs, LCAs, Tesouro Direto e debêntures entram na ficha de Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva/Definitiva — o IR já foi retido na fonte pela instituição financeira no momento do resgate. Para preencher sem erros, basta usar o informe de rendimentos que o banco ou corretora disponibiliza até o fim de fevereiro.
LCIs e LCAs são isentas de IR para pessoa física, mas os rendimentos ainda precisam ser declarados na ficha de Rendimentos Isentos e Não Tributáveis.
O que pode aumentar sua restituição
Aqui está o ponto que mais pessoas ignoram: a declaração dos investimentos em si não gera restituição, mas o modelo de declaração escolhido impacta diretamente o resultado.
Quem tem dependentes, despesas médicas comprovadas e gastos com educação tende a se beneficiar da declaração completa com deduções legais. A escolha errada entre o modelo simplificado — com o desconto padrão de 20%, limitado a R$16.754,34 — e o modelo completo pode significar centenas de reais a menos na restituição.
Além disso, prejuízos em ações registrados em anos anteriores podem ser compensados com ganhos de capital apurados em 2025. Essa compensação reduz o imposto a pagar e, em alguns casos, aumenta o valor da restituição. Vale verificar se esses prejuízos foram registrados corretamente nas declarações anteriores — o próprio programa do IRPF acumula esse histórico.
Organize antes de abrir o programa
Reúna os informes de rendimentos de todas as instituições financeiras antes de começar. Notas de corretagem para apuração do custo de aquisição, DARFs pagos ao longo de 2025 e o extrato do Tesouro Direto completam o que você vai precisar para declarar investimentos no IR 2026 sem surpresas. Com esses documentos em mãos, o preenchimento se torna uma tarefa de horas — não de dias.