24/02/2026
10h28
mal posicionado

Muita gente trabalha muito, acorda cedo, aceita turno extra e ainda assim não sai do lugar. O problema pode não estar na sua disciplina, e sim no fato de estar mal posicionado no jogo econômico. Existe uma diferença enorme entre jogar mal e jogar em um tabuleiro que não favorece seus movimentos.

Entender isso muda completamente a estratégia. Talvez isso doa um pouco, mas é libertador: esforço não é a única variável que determina resultado financeiro. Quando alguém está mal posicionado, o retorno tende a ser menor, mesmo com dedicação acima da média.

Esforço não compensa ambiente errado

Existe uma narrativa confortável que diz que basta “querer mais”. Mas ambiente molda oportunidade. Quem convive apenas com pessoas que ganham pouco, consome conteúdos rasos sobre dinheiro e frequenta espaços onde crescimento não é pauta tende a repetir padrões semelhantes.

Isso não é vitimismo, é análise estrutural. Muitas vezes, a pessoa não está despreparada, está mal posicionada dentro de um contexto que não estimula avanço. Rede de contatos influencia acesso a vagas melhores, informação estratégica e até mentalidade de risco.

Permanecer no mesmo círculo esperando um salto financeiro é como tentar respirar melhor sem mudar de altitude. Se você continua mal posicionado na mesma rede, as chances de ruptura diminuem drasticamente.

O custo invisível de permanecer mal posicionado

Ficar mal posicionado tem preço. E ele não aparece na fatura do cartão. Surge na forma de anos sem progressão salarial, habilidades desatualizadas e dependência de renda única. O mundo econômico muda rápido, e permanecer mal posicionado amplia o risco de estagnação.

Quem não se move fica para trás não por incapacidade, mas por inércia. Muitas vezes, a pessoa segue mal posicionada por medo de perder a sensação de segurança. Reposicionar-se pode significar estudar algo novo, aceitar um cargo lateral para crescer depois ou até mudar de cidade. Não é romantizar dificuldade.

É entender que estabilidade excessiva pode virar armadilha. Permanecer mal posicionado gera um custo acumulado que só aparece anos depois. Reposicionamento exige desconforto, exposição e humildade para reaprender. Mas sair de um cenário mal posicionado cria efeito multiplicador que esforço isolado não consegue gerar.

Como mudar de posição sem agir por impulso?

Reposicionamento não é sair pedindo demissão amanhã. É estratégia. Primeiro, mapear setores com maior potencial de crescimento. Depois, identificar lacunas de competência. Em seguida, construir rede de forma intencional, seja presencialmente ou digitalmente. O objetivo é deixar de estar mal posicionado de maneira planejada, não emocional.

Também envolve organização financeira para suportar transições. O erro é tentar mudar tudo ao mesmo tempo sem preparo. Crescimento sustentável acontece quando movimento e planejamento caminham juntos, reduzindo o risco de sair de um lugar mal posicionado para outro igualmente limitador.

Motivação vs posicionamento

Motivação oscila. Posicionamento é construção. Escolher onde trabalhar, com quem aprender, quais conteúdos consumir e quais ambientes frequentar é decisão estratégica.

Às vezes, o aumento real de renda não vem de trabalhar mais horas, mas de deixar de estar mal posicionado e buscar setores mais dinâmicos, empresas com plano de crescimento ou proximidade com quem já percorreu o caminho que você quer trilhar.

Você pode continuar acreditando que seu problema é falta de esforço. Mudar o tabuleiro aumenta suas chances de vitória, e isso é muito mais inteligente do que apenas trabalhar mais horas.

Sobre o Autor

Silvia Azevedo
Silvia Azevedo

Desde 2022 integra o time de conteúdo do Utua, produzindo materiais em diversos idiomas. Com vivência internacional na França e nos Estados Unidos, combina visão analítica e criatividade para promover soluções que unam resultados e impacto positivo.