Existe um fenômeno no mercado financeiro que costuma assustar até os investidores mais experientes: a marcação a mercado, principalmente quando o extrato da renda fixa mostra a desvalorização dos investimentos. Para quem foi educado com a ideia de que a renda fixa é um caminho com poucos riscos e rentabilidade constante, ver uma queda repentina de dez por cento em um título pode ser bem indigesto.
A marcação a mercado, porém, nada mais é do que a atualização diária do valor do seu título – que você comprou há um tempo trás – caso você decidisse vendê-lo exatamente hoje. O preço que aparece no seu aplicativo não é o que você terá no futuro, mas sim o que o mercado está disposto a pagar por ele agora, considerando as condições atuais da economia.
Como entender a marcação a mercado de modo simples?
Para entender essa lógica de modo mais simples, imagine que você comprou um título que paga uma taxa fixa de juros. Se, logo depois, o cenário econômico muda e o governo passa a oferecer títulos novos com taxas de juros muito mais altas, o seu título antigo, que paga menos, torna-se menos atraente para os outros investidores.
Como ninguém aceitaria comprar o seu papel pelo preço cheio se pode comprar um novo que rende mais, o valor de revenda do seu título cai para compensar essa diferença. É como se houvesse uma gangorra invisível: quando as taxas de juros sobem, o preço dos títulos antigos cai; quando as taxas de juros caem, o preço dos seus títulos antigos sobe, gerando lucros inesperados para quem quer vender antes da hora.
Antecipação dos títulos é o que manda!
É fundamental destacar que a marcação a mercado só tem relevância prática se você decidir resgatar o dinheiro antes da data de vencimento combinada no ato da compra do título. Se o seu plano é levar o investimento até o final do prazo, toda essa volatilidade do meio do caminho é apenas um dado que não altera em nada o seu contrato original.
O Tesouro Nacional garante que, na data de vencimento, você receberá exatamente a rentabilidade que contratou no momento da compra, independentemente das tempestades que ocorreram nos anos anteriores. Por isso, a máxima mais importante para o investidor de longo prazo é que a volatilidade na tela só se transforma em perda real se você entrar em pânico e efetuar o saque no momento errado.
Assim, saiba que mesmo que haja variações dos valores que você acompanha no aplicativo de investimentos, a segurança é garantida. Nesse sentido, se você pretende lucrar com momentos diferentes da economia, é importante estar sempre atento ao momento correto de vender os títulos para fazer novos investimentos ou mesmo antecipar o seu lucro para novos objetivos.
O que mais eu devo avaliar?
Dentro do Tesouro Direto, nem todos os títulos se comportam da mesma maneira sob essa regra da marcação a mercado. O Tesouro Selic é o considerado quase imune a essas oscilações bruscas, o que o torna ideal para reservas de emergência, por exemplo.
Já o Tesouro Prefixado e o Tesouro IPCA+ são os protagonistas da marcação a mercado, pois apresentam variações diárias que podem ser intensas. Uma estratégia inteligente para lidar com isso é a chamada escada de vencimentos, em que o investidor distribui seu capital em diferentes prazos.
Dessa forma, ele garante que sempre terá recursos vencendo em momentos distintos e aproveita a segurança do contrato final. Ao mesmo tempo, é possível manter a flexibilidade para usar a marcação a seu favor se as taxas de juros caírem no futuro. No fim das contas, entender a marcação a mercado é o que separa quem investe com estratégia de quem apenas reage ao medo.