Poucos temas geram tanta dúvida quanto a margem do consignado, que é o limite que define quanto do seu salário ou benefício pode ser comprometido com esse tipo de empréstimo. Em 2025 e 2026, essa margem passou por mudanças importantes, e entender os números atuais é essencial antes de contratar (ou renovar) qualquer consignado.
O que é a margem do consignado?
A margem do consignado – ou margem consignável – o percentual máximo da renda que pode ser usado para pagar parcelas de empréstimo descontadas diretamente na folha de pagamento ou no benefício do INSS. Esse limite existe para evitar que a pessoa comprometa a renda a ponto de não conseguir cobrir despesas básicas como moradia, alimentação e saúde.
Quais são os percentuais atuais, por categoria?
Os números variam bastante segundo o vínculo. Para aposentados e pensionistas do INSS, a margem do consignado era de 45% até maio de 2026 – 35% para empréstimo e mais 10% dividido entre dois tipos de cartão consignado.
Com a Medida Provisória 1.355, esse teto caiu para 40%, mas de forma unificada: agora a pessoa decide como distribuir esse percentual entre empréstimo e cartões, sem reserva obrigatória fixa. Para quem recebe o BPC/Loas, o limite continua em 35%, com até 5% liberável para um único cartão consignado.
Já para trabalhadores CLT do setor privado, a margem do consignado é de 35% da remuneração líquida, regra trazida pela Lei 15.179/2025, que criou o chamado Crédito do Trabalhador. Servidores públicos federais seguem com margem de 45% sobre a remuneração líquida, conforme a Lei 14.509/2022.
Como calcular sua margem na prática?
O cálculo parte sempre do valor líquido – depois de descontados INSS/contribuição previdenciária, Imposto de Renda, pensão alimentícia e descontos judiciais. Sobre esse valor líquido, aplica-se o percentual da categoria. Um salário bruto de R$3.100,00 por exemplo, com R$500,00 de descontos obrigatórios, resulta em R$2.600,00 líquidos; se a margem do consignado for de 35%, o valor disponível para parcelas é de R$910,00 por mês.
Descontos voluntários, como plano de saúde ou previdência privada, costumam reduzir ainda mais esse valor na análise do banco. Por isso, é importante considerar esse tipo de desconto também.
O que acontece se a margem ficar negativa?
Quando os descontos já ultrapassam o limite legal – por queda de renda, reajustes ou até descontos indevidos – a margem do consignado fica negativa, e isso bloqueia novas contratações até a situação se regularizar, seja pela quitação de contratos antigos ou pela recomposição da renda.
Foi justamente um problema desse tipo, envolvendo descontos não autorizados, que motivou uma grande operação de fiscalização no INSS em 2025, com a devolução de valores a milhões de beneficiários e a exigência de biometria facial para novas contratações.
Novas opções ampliam o uso do limite disponível
Desde 2025, a portabilidade também vale para o Crédito do Trabalhador: quem já tinha desconto em folha pode migrar o contrato para outra instituição com taxa menor, e ainda receber um valor extra caso ainda haja espaço disponível no limite legal após a quitação do contrato antigo.
Comparar propostas antes de qualquer contratação nova segue sendo a forma mais simples de aproveitar melhor esse espaço no orçamento, em vez de aceitar a primeira oferta que aparece no aplicativo do banco.
Os riscos de usar a margem no limite
Usar o teto da margem do consignado reduz a flexibilidade do orçamento mensal e pode dificultar o acesso a outros créditos, já que boa parte da renda já está comprometida. A Lei do Superendividamento (Lei 14.181/2021) reforça que toda contratação de crédito deve preservar um mínimo existencial para o consumidor – por isso, mesmo quando a margem disponível permite, vale pensar duas vezes antes de usar o limite inteiro.
Antes de contratar um novo consignado, calcule sua margem disponível com uma calculadora oficial do banco ou do Meu INSS, simule o valor da parcela sobre a renda líquida e deixe uma reserva de segurança, mesmo que o limite permita comprometer mais.
Esse cuidado reduz o risco de superendividamento e ajuda a manter o consignado no papel que ele deveria ter: uma ferramenta de crédito mais barato, não um comprometimento permanente do orçamento.