27/08/2026
02h06
Marketplace

Quem vende produtos por marketplace vai conviver com uma mudança na forma como o imposto chega até o Fisco, o split payment. Diferente do modelo atual, em que o vendedor recebe o valor da venda e recolhe o tributo depois, esse mecanismo separa a parte do imposto automaticamente no momento do pagamento.

A implementação é gradual e ainda está em construção, e o cronograma pode ser ajustado até a versão final. Antes de qualquer mudança no bolso, vale entender como o mecanismo funciona e o que já pode ser feito para se preparar, mesmo sem data final fechada.

O que é o split payment?

O split payment é o mecanismo da reforma tributária para separar o IBS e a CBS no momento da liquidação financeira de uma venda. Em vez de o vendedor receber o valor cheio e recolher o imposto depois, o sistema de pagamento identifica a parcela tributária e a direciona diretamente ao Fisco.

Na prática, o valor que chega à conta do vendedor já sai líquido, sem a parcela do imposto embutida nele. Essa lógica do split payment é diferente da atual, em que o recolhimento acontece em um momento posterior à venda, dentro do calendário fiscal da empresa.

Por que isso muda o fluxo de caixa de quem vende em marketplace

Hoje, o vendedor recebe o valor total da venda em marketplace e só recolhe o imposto depois, no prazo fiscal normal. Esse intervalo, mesmo que curto, funciona como uma folga de caixa que muitas pequenas empresas usam para organizar pagamentos e compras.

Quando o split payment passar a valer para esse tipo de venda, esse intervalo deixa de existir. O dinheiro chega direto na conta já sem a parte do imposto, o que exige um planejamento diferente do fluxo de caixa, já que a folga que existia hoje some do negócio.

A condição para funcionar: nota fiscal em dia

O split payment só consegue calcular e reter o valor do imposto se a venda tiver nota fiscal emitida. É a partir desse documento que o sistema identifica o valor da operação e a alíquota aplicável. Sem nota fiscal, o mecanismo não tem como identificar essa venda e recolher o imposto correspondente.

Esse é um ponto de atenção para uma parte dos pequenos vendedores. Ainda hoje, é comum que MEIs não emitam nota fiscal em vendas feitas em marketplace para pessoa física, e essa prática precisa mudar para que o negócio esteja preparado quando o mecanismo alcançar esse tipo de venda.

O cronograma da transição até aqui

Desde 2026, empresas fora do Simples Nacional já destacam CBS e IBS na nota fiscal como preparação para o split payment, mas isso tem caráter informativo, sem representar recolhimento dos tributos. Essa fase serve para testar os sistemas antes da cobrança valer de fato.

A primeira etapa operacional é esperada a partir de 2027, mas a Receita Federal reconheceu que o mecanismo não estará pronto para todas as operações nessa data. O início tende a ser facultativo e concentrado em pagamentos entre empresas, e a extensão para vendas ao consumidor final, como as feitas em marketplace, ainda depende de regulamentação futura.

Como se preparar desde já

Mesmo sem uma data fechada para essa mudança alcançar as vendas em marketplace, existem passos que não dependem do cronograma oficial para começar. Atualizar o sistema de emissão de nota fiscal e garantir que todas as vendas estejam documentadas corretamente é um deles.

Outro passo é revisar o capital de giro do negócio, reservando uma margem extra para o período de transição, porque esse intervalo tende a diminuir. Deixar a regularização fiscal para a última hora tende a custar mais caro.

O que fica para quem vende em marketplace

O split payment representa uma mudança na forma como o imposto circula dentro da venda, mas ainda em construção, sem data única e sem regras fechadas para todas as operações. Para quem vende em marketplace, a prioridade não é reagir a uma data específica, mas ajustar aos poucos a forma como a nota fiscal e o fluxo de caixa do negócio são organizados.

Acompanhar as publicações da Receita Federal e do Comitê Gestor do IBS ajuda a entender como esse mecanismo passa a valer. Enquanto isso, manter a documentação fiscal em dia é o passo que já faz sentido independentemente do cronograma final, porque sustenta o negócio tanto no modelo atual quanto no que vem a seguir.

Sobre o Autor

Mariana Murta
Mariana Murta

Atua desde 2022 como analista de conteúdo do Utua. Já escreveu mais de 2.400 textos para diversos países, explorando diferentes culturas e estilos de comunicação.