14/01/2026
10h09
milhas

Programas de milhas e pontos se tornaram muito populares e são frequentemente apresentados como uma forma inteligente de transformar gastos do dia a dia em viagens e benefícios.

No entanto, muitas pessoas entram nesse universo sem entender se realmente gastam o suficiente no cartão para que as milhas valham a pena. Antes de escolher um cartão ou mudar hábitos de consumo, é fundamental avaliar se essa estratégia faz sentido para a sua realidade financeira.

Como funciona o acúmulo de milhas no cartão de crédito?

As milhas são acumuladas a partir dos gastos feitos no cartão de crédito, seguindo uma regra definida pelo emissor, que normalmente é expressa em pontos por dólar gasto. Isso significa que cada compra realizada gera uma quantidade proporcional de pontos, de acordo com o valor da fatura e a cotação do dólar no fechamento.

Na prática, quanto maior o volume de despesas concentradas no cartão, maior será o acúmulo ao longo do tempo. Alguns cartões oferecem bônus em categorias específicas, como viagens ou restaurantes, o que pode acelerar esse processo para determinados perfis de consumo.

O problema é que muitos cartões que oferecem boas taxas de pontuação costumam cobrar anuidades elevadas, que podem pesar no orçamento anual. Para que esse custo seja compensado, é necessário gastar um valor significativo todos os meses, de forma constante.

Quanto é preciso gastar para realmente valer a pena?

Para que o acúmulo realmente faça sentido, o gasto mensal no cartão precisa ser consistente e relativamente alto. Valores baixos ou irregulares tendem a gerar poucos pontos, que se acumulam lentamente e podem levar anos para se transformar em uma passagem aérea ou outro benefício relevante.

Além disso, durante esse tempo, as regras do programa podem mudar, reduzindo ainda mais o valor das milhas acumuladas. Outro ponto importante é o risco de gastar mais do que o necessário apenas para acumular pontos. Forçar compras, antecipar gastos ou parcelar despesas sem planejamento pode levar ao descontrole financeiro e ao endividamento.

O ideal é que as milhas sejam uma consequência natural de gastos que já fazem parte da rotina, como contas, supermercado e serviços, e não o motivo principal para consumir mais. Quando o cartão é usado com estratégia, as milhas se tornam um bônus, e não uma armadilha.

O impacto da anuidade e das regras do cartão

A anuidade é um dos principais fatores que determinam se um cartão de crédito com milhas realmente compensa. Quando o custo anual é elevado, as milhas acumuladas precisam gerar um benefício claro e mensurável que supere esse valor.

Caso contrário, o cartão se torna financeiramente desvantajoso, mesmo oferecendo uma boa pontuação por dólar gasto. Em alguns casos, cartões sem anuidade ou com isenção por gasto mínimo podem ser mais eficientes.

Além da anuidade, as regras do cartão e do programa de pontos fazem toda a diferença. Questões como validade das milhas, facilidade de transferência para companhias aéreas, taxas de conversão e restrições de uso precisam ser analisadas com atenção.

Será que faz sentido para mim?

Antes de buscar milhas, é essencial olhar para os próprios hábitos de consumo e fazer contas realistas. Milhas não são dinheiro grátis e só valem a pena quando se encaixam naturalmente na rotina financeira. Quando usadas com consciência, podem ser um benefício interessante, mas nunca devem justificar gastos desnecessários, combinado?

Sobre o Autor

Silvia Azevedo
Silvia Azevedo

Desde 2022 integra o time de conteúdo do Utua, produzindo materiais em diversos idiomas. Com vivência internacional na França e nos Estados Unidos, combina visão analítica e criatividade para promover soluções que unam resultados e impacto positivo.