04/12/2025
15h41
necessidade ou desejo

Você já parou em frente a uma vitrine ou navegou por um site e sentiu uma vontade incontrolável de comprar algo, jurando para si mesmo que aquilo era tudo o que mais queria? Mas aí vem aquela dúvida: necessidade ou desejo? E a emoção pode te mostrar que tudo é necessário, mesmo que isso seja prejudicial às finanças. 

Essa confusão mental é muito mais comum do que parece e é a principal causa dos furos no orçamento no final do mês. O segredo para virar essa chave e proteger o seu bolso é praticar o consumo consciente e identificar se a sua compra é feita por necessidade ou desejo. 

Em um mundo onde vivemos bombardeados por propagandas que tentam transformar tudo em urgência, é muito importante separar o essencial do supérfluo para alcançar a liberdade financeira. Não se trata de nunca mais comprar o que você gosta, mas de entender a motivação por trás de cada gasto. Afinal, quando você domina seus impulsos, o dinheiro sobra para o que realmente importa.

O que devo saber sobre necessidade ou desejo?

Para simplificar, pense que a necessidade é tudo aquilo indispensável para a sua vida básica e cotidiana. Estamos falando de alimentação, moradia, transporte para o trabalho, roupas básicas e medicamentos. São despesas que, se não forem pagas, trazem consequências imediatas e graves para o seu bem-estar físico e social. 

Já o desejo é aquilo que queremos para ter mais conforto, status ou prazer momentâneo, mas que não é essencial para vivermos. É a vontade de pedir um delivery caro em vez de cozinhar ou comprar o celular de última geração quando o seu ainda funciona perfeitamente. 

Viu só? Não é tão difícil assim entender o que é necessidade ou desejo. Outro ponto fundamental é entender que o desejo é legítimo e faz parte da vida, mas ele deve ser atendido apenas depois que as necessidades estão garantidas e que você já tem uma boa reserva financeira para cobrir imprevistos. 

Os perigos da emoção no orçamento

O grande perigo mora quando o nosso cérebro tenta disfarçar desejos como se fossem necessidades urgentes. É aquele pensamento de “eu mereço isso depois de um dia difícil” ou “eu preciso dessa roupa para me sentir confiante”. Essas justificativas emocionais são as maiores inimigas do consumo consciente, pois nos fazem gastar o dinheiro do aluguel ou da reserva de emergência em itens passageiros.

Quando não temos clareza dessa distinção entre necessidade ou desejo, acabamos vivendo no limite, sem margem para imprevistos. A fatura do cartão sobe não por causa dos itens essenciais, mas pelo acúmulo de pequenos desejos que foram tratados como prioridade. Reconhecer essa “trapaça” mental é vital para retomar o controle.

O teste da substituição

Para facilitar, vamos visualizar situações do dia a dia. Você precisa se deslocar até o escritório. Ir de ônibus ou metrô atende à necessidade. Ir de carro de aplicativo, na categoria mais cara e confortável, atende a um desejo de comodidade. Saber em qual “caixinha” colocar cada despesa (necessidade ou desejo) muda completamente a sua visão sobre o dinheiro.

Não é proibido ter desejos!

Muita gente acha que educação financeira é viver na restrição total, mas isso não é verdade. A vida seria muito chata sem realizar nossos sonhos de consumo, concorda? A questão principal aqui é o planejamento, e o consumo consciente permite que você realize seus desejos, desde que eles estejam previstos no orçamento e não comprometam o pagamento das suas necessidades básicas.

A regra de ouro de muitos especialistas quando o assunto é necessidade ou desejo é separar uma fatia do seu salário (algo como 10% ou 20%, se possível) especificamente para os desejos. Assim, você gasta sem culpa, sabendo que as contas essenciais estão pagas e que o seu futuro não está sendo hipotecado por um prazer momentâneo.

A regra das 24 horas

Para finalizar esse tema tão importante sobre necessidade ou desejo, o Clube U. traz uma dica prática para a sua próxima ida ao shopping: antes de passar o cartão, espere. Se possível, volte para casa e espere 24 horas. Pergunte-se: “se eu não comprar isso hoje, o que acontece na minha vida amanhã?”. Se a resposta for “nada”, é um desejo. Essa pausa para reflexão é o ato final de consumo consciente.

Ao adotar essa postura questionadora, você vai perceber que precisa de muito menos do que imaginava para ser feliz. E o melhor: vai ver o saldo da sua conta bancária crescer, permitindo que você realize sonhos muito maiores do que uma compra por impulso.

Sobre o Autor

Emelyn Vasques
Emelyn Vasques

Jornalista, atua há 8 anos nas áreas de assessoria de imprensa, comunicação e produção de conteúdos para diferentes veículos e plataformas. Destaca-se em sua trajetória a experiências como repórter no Jornal Diário do Comércio, especializado na cobertura econômica de Minas Gerais.