29/06/2026
11h49
nem-nem

Um número chama atenção no Brasil: 6,2 milhões de jovens entre 15 e 29 anos que, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), publicados em junho de 2026, não estão estudando e também não estão trabalhando. São os chamados jovens nem-nem, um grupo que cresceu nos últimos anos, o que acende um alerta importante para o país.

Mas antes de qualquer julgamento, vale entender quem são essas pessoas, por que chegaram a essa situação e o que isso significa, tanto para elas quanto para a sociedade. Por isso, o artigo de hoje do Clube Utua propõe uma análise sob diferentes óticas e mostra que é sempre possível mudar uma situação.

O que significa ser um jovem nem-nem?

O termo “nem-nem” é uma adaptação do inglês NEET — sigla para Not in Education, Employment or Training, que em português quer dizer “nem em educação, nem em emprego, nem em formação”. Na prática, são jovens que, no momento em que foram pesquisados, não tinham nenhum vínculo formal com o mercado de trabalho e também não estavam matriculados em nenhuma instituição de ensino.

É importante deixar claro: nem-nem não é sinônimo de preguiça ou desinteresse. A maioria dessas pessoas está em uma situação de vulnerabilidade, seja ela social, econômica ou emocional, o que torna difícil acessar oportunidades de estudo ou emprego. Muitos têm responsabilidades domésticas que consomem o tempo, como cuidar de filhos, irmãos mais novos ou familiares doentes.

Outros simplesmente não encontram vagas acessíveis, não têm transporte ou vivem em regiões com pouca oferta de emprego ou escolas. Por isso, não é adequado atribuir palavras que caracterizam negativamente os jovens nem-nem. Pelo contrário: é necessário acolhimento.

Por que isso acontece?

As causas são várias e se misturam. A desigualdade de renda é uma das principais: jovens de famílias com menos recursos têm menos acesso a educação de qualidade, menos redes de contato profissional e menos tempo livre para se dedicar à formação. Crises econômicas também impactam diretamente esse grupo, pois, em momentos de desemprego em alta, os jovens são os primeiros a ser excluídos do mercado, por falta de experiência.

Questões emocionais e de saúde mental também pesam. A pandemia de Covid-19, por exemplo, levou muitos jovens ao isolamento e à desconexão, e os efeitos disso ainda aparecem nos dados, como os que vemos hoje, sobre a população nem-nem. A sensação de que “não vale a pena tentar” é real para muita gente nessa faixa etária e ignorar isso não ajuda a resolver o problema.

O impacto na vida deles

Ficar fora do mercado de trabalho e do sistema de ensino durante anos tem consequências sérias na trajetória de um jovem. Quanto mais tempo sem emprego ou estudo, mais difícil se torna retomar a vida em sociedade, e isso traz um ciclo quase sem fim para o jovem nem-nem. Isso porque o mercado valoriza experiência, e a falta de histórico profissional dificulta a entrada. Como dissemos, isso se retroalimenta.

Além disso, a ausência de renda própria afeta a autoestima, a independência financeira e a capacidade de planejar o futuro. Jovens na situação nem-nem tendem a depender mais dos pais ou da família, o que pode gerar tensões e uma sensação de estagnação que é difícil de quebrar sozinho.

E o impacto na sociedade?

Quando 6,2 milhões de jovens estão fora do mercado produtivo, a sociedade como um todo sente. Esse grupo deixa de contribuir com impostos, com inovação e com o crescimento econômico. A longo prazo, isso pressiona a previdência social e aumenta os gastos públicos com assistência, porque pessoas sem renda e sem qualificação precisam de mais suporte do Estado.

Mas o impacto não é só econômico. Uma geração sem perspectiva é também uma geração mais vulnerável a situações de risco: violência, saúde mental fragilizada, dependência de substâncias. Por isso, o tema nem-nem não é uma questão individual, mas sim uma questão coletiva, que exige atenção de políticas públicas, empresas e da sociedade civil.

Qual é o caminho possível?

A boa notícia é que existem caminhos e muitos deles são mais acessíveis do que parecem. Programas profissionalizante públicos ou da iniciativa privada oferecem cursos técnicos gratuitos ou a preços acessíveis. Além disso, plataformas online permitem aprender habilidades digitais sem sair de casa e sem gastar nada.

Se você é um jovem nessa situação, o primeiro passo não precisa ser grande. Pode ser se inscrever em um curso online de uma hora por dia. Pode ser atualizar um currículo e cadastrá-lo no SINE. Pode ser conversar com alguém da família ou com um orientador para entender quais opções existem perto de você.

E quando o emprego vier – ou quando a renda começar a aparecer, mesmo que pequena – cuidar desse dinheiro desde o começo faz toda a diferença. Saber como guardar, como organizar e como usar o que você tem é a base de uma vida financeira mais tranquila, independente de quanto você ganha.

Esse é o tipo de conhecimento que ninguém deveria ficar sem – e que está ao alcance de qualquer pessoa disposta a dar o primeiro passo.

Sobre o Autor

Emelyn Vasques
Emelyn Vasques

Jornalista, atua há 8 anos nas áreas de assessoria de imprensa, comunicação e produção de conteúdos para diferentes veículos e plataformas. Destaca-se em sua trajetória a experiências como repórter no Jornal Diário do Comércio, especializado na cobertura econômica de Minas Gerais.