28/05/2026
16h11
novas regras do FGC

A partir de junho de 2026, um novo capítulo após todos os acontecimentos envolvendo o Banco Master traz um respiro para o cidadão brasileiro. Isso porque foram anunciadas novas regras do FGC, que é o Fundo Garantidor de Créditos. O tema é de muito interesse, pois representa mais segurança para o nosso bolso.

Quando você guarda dinheiro na poupança, aplica em um CDB ou deixa seu saldo em conta corrente, há uma proteção por trás disso que a maioria das pessoas nem lembra que existe: o FGC.

Em 2025, esse mecanismo enfrentou o maior teste de sua história e as lições levaram o Conselho Monetário Nacional a aprovar um conjunto de novas regras do FGC, que mudam a forma como os bancos podem usar essa garantia.

O que é o FGC e como ele protege o seu dinheiro?

O FGC é um fundo privado, mantido pelas próprias instituições financeiras, que garante o dinheiro dos clientes em caso de liquidação ou falência de um banco. A proteção é de até R$ 250 mil por CPF por instituição, com limite global de R$1 milhão por investidor, contabilizando o conjunto de eventos dentro de um período de quatro anos.

Isso significa que, se o seu banco quebrar e você tiver até R$250 mil aplicados nele, o FGC devolve esse dinheiro. Poupança, CDB, LCI, LCA e conta corrente estão entre os produtos cobertos – e é por isso que essas aplicações são as queridinhas de muitos investidores que não querem enfrentar riscos altos.

O que trazem as novas regras do FGC

Em agosto de 2025, a Resolução 5.238 do Conselho Monetária Nacional (CMN) criou o conceito de Ativo de Referência (AR): um indicador que mede a qualidade e a liquidez dos ativos que uma instituição mantém e que agora figura entre as novas regras do FGC.

Na prática, isso significa que, quando o volume de depósitos cobertos pelo FGC superar esse indicador, o banco ficará obrigado a alocar o excedente em títulos públicos federais, que são mais seguros e mais fáceis de converter em dinheiro em momentos de crise.

Indicador de liquidez

Entre as novas regras do FGC, as contribuições mensais dos bancos ao fundo também dobraram, passando de 0,01% para 0,02% do saldo total de depósitos cobertos. Mas não é só isso que evoluiu junto a um período de crise.

Em abril de 2026, o CMN foi além: reduziu de 75% para 60% o limite a partir do qual uma instituição começa a pagar contribuição adicional ao FGC, e ampliou as exigências do LCR – o Indicador de Liquidez de Curto Prazo do Acordo de Basileia 3 – para bancos de médio porte.

O indicador mede se a instituição tem reservas suficientes para suportar 30 dias de estresse financeiro. Antes, essa exigência era restrita aos grandes bancos. As novas regras do FGC entram em vigor em junho de 2026, com implementação gradual até julho de 2028.

O que aconteceu com o Banco Master?

O que está por trás das novas regras do FGC? Bom, essas discussões são antigas, mas, em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master e de outras sete instituições ligadas ao grupo, no episódio que foi considerado o maior teste já imposto ao FGC desde a sua criação.

O rombo gerado é estimado em R$ 52 bilhões e afetou cerca de 1,6 milhão de clientes. O que as autoridades investigaram é que o banco atraía investidores com CDBs que pagavam até 140% do CDI, usando a proteção do FGC como argumento de venda, enquanto aplicava os recursos em ativos de baixa liquidez e alto risco.

Quando a situação virou, o fundo teve que convocar os bancos associados a antecipar cinco anos de contribuições, um aporte emergencial de R$32,5 bilhões para cobrir o rombo.

O caso expôs uma brecha perigosa: bancos podiam usar a cobertura do FGC para captar dinheiro de investidores com promessas de rentabilidade acima da média, sem que houvesse um controle rigoroso sobre a qualidade dos ativos em que esse dinheiro era aplicado. A garantia do fundo funcionava como isca e, portanto, o risco ficava diluído para o sistema inteiro.

O que as novas regras do FGC sinalizam?

As novas regras do FGC não alteram a proteção ao investidor: o limite de R$ 250 mil por CPF por instituição continua intacto. O que muda é o controle sobre como os bancos podem usar essa garantia para captar recursos.

Com o Ativo de Referência e as novas exigências de liquidez, uma instituição que assumir riscos excessivos será obrigada a compensar isso com ativos mais sólidos, reduzindo a chance de um novo rombo do tamanho do Master.

Para o investidor comum, a mensagem prática continua a mesma: diversificar é fundamental. Mesmo com a proteção do FGC, manter mais de R$ 250 mil em uma única instituição significa deixar parte do dinheiro sem cobertura.

O que as novas regras trazem é uma camada a mais de segurança para o sistema e, indiretamente, para todos que confiam nele para guardar o que conquistaram.

Sobre o Autor

Emelyn Vasques
Emelyn Vasques

Jornalista, atua há 8 anos nas áreas de assessoria de imprensa, comunicação e produção de conteúdos para diferentes veículos e plataformas. Destaca-se em sua trajetória a experiências como repórter no Jornal Diário do Comércio, especializado na cobertura econômica de Minas Gerais.