O Banco Central confirmou novas regras do Pix para reforçar a segurança das transferências e dificultar a ação de golpistas. Uma das mudanças, que chegou a ser marcada para agosto, foi adiada e passa a valer a partir de 26 de outubro de 2026.
A outra etapa das novas regras do Pix segue confirmada para 1º de setembro. A mudança de setembro amplia o prazo para contestar uma devolução, e a de outubro ajuda os bancos a rastrear melhor o dinheiro roubado em golpes. Nenhuma das duas altera o uso comum do Pix no dia a dia.
O que é o MED?
O MED, mecanismo especial de devolução, é o recurso usado pelos bancos para tentar devolver valores perdidos em fraudes ou golpes. Ele não garante que o dinheiro voltará, mas abre um processo de análise que pode resultar em devolução total, parcial, ou negativa, conforme o caso.
Desde o início de 2026, o MED rastreia o dinheiro em cascata, acompanhando a transferência por até cinco contas, e não apenas a primeira que recebeu o valor. Isso dificulta a estratégia de espalhar o valor roubado entre contas. Outro mecanismo já em funcionamento é o bloqueio cautelar, que permite reter por até 72 horas um valor recebido quando há sinais de irregularidade.
A partir de 26 de outubro, esse rastreamento fica ainda mais preciso, e os bancos passam a enxergar com mais clareza por onde o dinheiro passou depois de um golpe. Na prática, mesmo que o valor tenha passado por várias contas em poucos minutos, a instituição tem mais chance de localizar e bloquear o dinheiro antes que ele seja sacado.
O botão de contestação no aplicativo do banco
Ao perceber que caiu em um golpe, o primeiro passo previsto pelas novas regras do Pix é abrir o aplicativo do banco e procurar a opção de contestar ou reportar a transação, sem depender de fila de atendimento. Quanto mais rápido a instituição for avisada, maiores as chances de o valor ainda estar disponível para bloqueio.
A partir de 1º de setembro, quem recebe um Pix e tem esse dinheiro debitado de volta por engano do sistema antifraude passa a ter até 80 dias, antes eram 30, para contestar essa devolução. Já quem foi vítima de um golpe e quer acionar o MED pela primeira vez continua tendo até 80 dias, contados a partir da transferência, para pedir a devolução.
O que não muda com as novas regras do Pix
O uso do Pix no dia a dia segue igual, mesmo com as novas regras do Pix, para transações dentro da normalidade. Não há cobrança de novas taxas para pessoas físicas, e a instantaneidade é mantida na grande maioria dos pagamentos, sem qualquer sinal de suspeita.
Vale lembrar que o MED serve apenas para fraude, suspeita de fraude, ou erro operacional da instituição financeira. Se o problema foi um Pix enviado por engano para a chave errada, sem golpe envolvido, o caminho é outro, e passa por contatar quem recebeu o valor ou o suporte do seu banco.
Como usar essas mudanças a seu favor no dia a dia
Diante dessas novas regras do Pix, alguns cuidados simples seguem sendo a melhor defesa. Vale conferir com calma os dados de quem vai receber o Pix antes de confirmar o envio, desconfiar de mensagens que pedem pressa, e nunca clicar em links recebidos por ligações ou aplicativos de mensagem. Esses cuidados valem tanto para valores pequenos do dia a dia quanto para transferências mais altas.
Com essa atenção no momento da transferência, somada ao conhecimento sobre o MED, o bloqueio cautelar e o botão de contestação, o usuário ganha mais controle sobre o que fazer se algo sair do previsto. As novas regras do Pix não eliminam o risco de golpes, mas oferecem mais ferramentas para reagir rápido e aumentar as chances de reaver o que foi perdido.