01/09/2026
21h45
Prazo do Pix

Você deve ter visto notícias dizendo que o prazo do Pix mudou em setembro de 2026, mas a informação que está circulando está incompleta. Nem tudo entrou em vigor no mesmo dia, e uma parte foi até adiada pelo Banco Central. Vale separar o que já valia antes, o que passou a valer em 1º de setembro de 2026, e o que só chega em outubro.

O prazo do Pix que mudou está ligado ao MED, o Mecanismo Especial de Devolução, criado pelo Banco Central para ajudar a recuperar dinheiro em casos de fraude ou golpe. Entender o que esse prazo cobre evita que você confie demais na proteção, ou desista de buscar ajuda achando que o tempo para agir já passou.

O bloqueio cautelar de 72 horas não é novidade

Antes de falar da mudança de setembro, vale lembrar de uma regra que já vale desde abril de 2026 e costuma ser confundida com essa novidade. É o bloqueio cautelar, que permite à instituição financeira reter por até 72 horas um valor recebido por Pix quando o sistema identifica sinais de fraude.

Esse bloqueio dá tempo para analisar a movimentação antes que o dinheiro fique disponível para quem recebeu. Se a suspeita se confirmar, o valor volta para quem enviou o Pix, e se não houver irregularidade, ele é liberado normalmente. Essa regra não mudou em setembro, ela segue funcionando como antes.

Novo prazo do Pix: dois períodos de 80 dias

A mudança está prevista na Instrução Normativa BCB nº 766, publicada pelo Banco Central em julho de 2026, e passou a valer em 1º de setembro, afetando o funcionamento do MED. Com essa atualização, o Pix passou a ter dois prazos de 80 dias, cada um para uma situação diferente.

  1. Quem envia um Pix e é vítima de golpe: continua tendo até 80 dias, contados da transferência, para abrir o MED e tentar recuperar o dinheiro. Esse prazo já existia antes e não mudou com a norma de setembro.
  2. Quem recebe um Pix legítimo e tem o valor devolvido pelo MED: passa a ter até 80 dias, contados da devolução, para contestar esse estorno, caso suspeite de uso indevido do mecanismo. Antes, esse prazo do Pix era de apenas 30 dias.

Um pequeno comerciante que viu o dinheiro voltar ao pagador por meio do MED é justamente quem passa a contar com esse prazo do Pix mais longo, o que amplia sua janela para questionar uma devolução que considere indevida.

O que foi adiado para outubro?

Outra parte das mudanças chegou a ser anunciada para o dia 10 de agosto de 2026, mas o próprio Banco Central adiou essa etapa para 26 de outubro, por meio de uma norma editada dias depois. O item adiado ficou conhecido como profundidade no grafo, um recurso que ajuda as instituições a identificar por quantas contas o dinheiro de um golpe passou após a transação original.

Esse recurso é útil contra contas laranja, quando quem aplica o golpe transfere rapidamente o valor para outras contas para dificultar o rastreamento. O sistema de rastreamento em camadas do Pix já funciona desde maio de 2026, o que foi adiado é um detalhe da notificação entre instituições, e o Banco Central afirma que o ajuste não muda a experiência de quem usa o Pix.

O que isso muda para quem usa o Pix no dia a dia?

Na prática, o novo prazo do Pix amplia o tempo para contestar uma devolução que pareça indevida, o que traz mais segurança sobretudo para quem recebe pagamentos com frequência, como pequenos comerciantes e prestadores de serviço. Vale reforçar que esse prazo do Pix maior serve para contestar, não para garantir a devolução do dinheiro, porque o MED continua dependendo de análise caso a caso feita pela instituição financeira responsável pela conta.

Se você identificar um golpe pelo Pix, o caminho continua o mesmo de antes, procurar o aplicativo ou o canal de atendimento da sua instituição o quanto antes e acionar o MED assim que perceber o problema. Separar o que é regra antiga, o que é novidade de setembro e o que só chega em outubro ajuda a entender melhor o prazo do Pix e evita decisões apressadas diante de tanta informação.

Sobre o Autor

Mariana Murta
Mariana Murta

Atua desde 2022 como analista de conteúdo do Utua. Já escreveu mais de 2.400 textos para diversos países, explorando diferentes culturas e estilos de comunicação.