22/09/2026
14h07
Planejar a aposentadoria: as 2 desculpas que custam caro

Planejar a aposentadoria é o que 81% dos jovens de 18 a 24 anos gostariam de fazer: eles querem parar de trabalhar até os 60 anos. Só que apenas 28% dos brasileiros acreditam que isso vá acontecer, e 11% já concluíram que nunca vão conseguir parar.

Os dados são da pesquisa Datafolha/Fenaprevi de julho de 2026, e o buraco entre o desejo e o plano não é preguiça nem falta de dinheiro: ele começa no jeito como o seu cérebro enxerga o “você de 65 anos”.

Por que o seu cérebro adia planejar a aposentadoria

Faça o teste: você prefere ter R$ 100,00 hoje ou R$ 300,00 daqui a 20 anos? A maioria fica com os R$ 100,00 mesmo sabendo que a segunda opção vale o triplo — é o viés do presente, que faz o agora parecer sempre mais nítido e mais urgente do que qualquer data distante.

E tem uma camada ainda mais estranha: quando você imagina o “você de 65 anos”, o cérebro trabalha quase como se pensasse em um desconhecido e praticamente ninguém aperta o cinto para ajudar um estranho, certo?

Não é que você seja irresponsável — você está só obedecendo a um atalho mental que fazia sentido quando a vida acabava cedo e que hoje atrapalha, com a expectativa de vida no Brasil passando dos 76 anos.

O antídoto para isso é tornar essa pessoa concreta. Pare dois minutos e descreva uma terça-feira comum aos 70 anos: hora de acordar, endereço, quem paga o plano de saúde — que nessa idade custa três a quatro vezes o de hoje — e de onde vem o dinheiro do mercado. Quanto mais nítida a cena, menos ela parece pertencer a um estranho, e mais fácil fica planejar a aposentadoria sem que o assunto vire ansiedade.

CLT, MEI ou trabalhador informal: a linha que separa duas histórias

Quem é CLT contribui para o INSS sem perceber, porque o desconto aparece na folha todo mês, sem que você precise decidir nada. Para quem é autônomo, freelancer, MEI ou informal, planejar a aposentadoria depende de uma decisão ativa — e é aí que a conta muda de dono.

No segundo trimestre de 2026, 37,4% dos ocupados no Brasil estavam na informalidade, segundo a PNAD Contínua do IBGE: mais de 38 milhões de pessoas sem nenhuma contribuição automática.

Os valores de 2026 são menores do que quase todo mundo imagina: o MEI recolhe 5% do salário mínimo, R$ 81,05 por mês, já dentro do DAS. O autônomo que não é MEI pode usar o plano simplificado, de 11% do mínimo — R$ 178,31 por mês, que garantem a aposentadoria por idade no valor de um salário mínimo.

Contribuir não é só planejar a aposentadoria

Aqui mora o mal-entendido mais caro do assunto: o INSS não é um cofre que só se abre aos 65 anos. Estar em dia dá acesso ao auxílio por incapacidade quando uma doença ou um acidente impede você de trabalhar, ao salário-maternidade e à pensão por morte para quem depende de você. A maioria desses benefícios pede um tempo mínimo de contribuição, 12 meses no caso da doença; em acidente, esse prazo não existe.

Um autônomo sem contribuição que quebra o braço fica sem salário e sem auxílio, enquanto as contas do mês continuam chegando. É por isso que planejar a aposentadoria aos 30 anos tem menos a ver com velhice do que com o próximo tombo de bicicleta.

“É cedo demais” e “é tarde demais”: as desculpas que se anulam

As duas desculpas mais comuns são opostas e derrubam uma à outra. “Aos 28 é cedo” erra porque o tempo é o único ingrediente que não dá para comprar depois: ninguém chega aos 60 e compra 20 anos de contribuição.

“Aos 45 é tarde” também não para em pé, porque as regras atuais pedem 15 anos de contribuição para mulheres e 20 anos para homens, com idade mínima de 62 e 65 anos — quem começa aos 45 chega lá, apertado, mas chega. Planejar a aposentadoria mais tarde não cancela o plano, só encarece a mensalidade.

O primeiro passo para planejar a aposentadoria é de graça

Antes de decidir quanto guardar, descubra onde você está: baixe o aplicativo Meu INSS, entre com a conta gov.br e abra o extrato de contribuições, o CNIS. Ali aparece, mês a mês, tudo o que já foi recolhido no seu nome.

Aqui no Clube Utua, acompanhamos de perto leitores que abrem esse extrato pela primeira vez e levam dois sustos no mesmo dia. Quem achava que não tinha nada descobre três anos antigos de carteira assinada ainda valendo; quem se achava tranquilo encontra buracos de meses em que o recolhimento simplesmente não aconteceu.

Só depois disso a pergunta “quanto guardar” faz sentido — e a resposta é sua. Este texto não indica plano de previdência, banco nem investimento.

O estranho de 70 anos tem o seu nome

Planejar a aposentadoria, para um MEI, custa R$ 81,05 por mês em 2026 — R$ 972,60 no ano, menos do que muita gente gasta em delivery num mês movimentado.

Na próxima vez que o DAS aparecer no celular e você pensar em deixar para o mês que vem, lembre-se de quem vai pagar essa conta: não é um estranho, é você, com 40 anos a mais e bem menos opções. O passo de hoje cabe em dez minutos: abra o Meu INSS e veja quantos meses de contribuição você tem. Se a resposta for zero e você for MEI, o boleto deste mês já resolve o primeiro. Que tal começar essa conta por aí ainda hoje?

Sobre o Autor

Paula Gargiulo
Paula Gargiulo

Jornalista especializado em Jornalismo Digital, com experiência em SEO, redação web, marketing de conteúdo e estratégias de conteúdo baseadas em dados. Ela é responsável pela estratégia editorial, produção de conteúdo e padrões de qualidade da UTUA, garantindo precisão, consistência, clareza e alinhamento com os padrões de comunicação editorial e financeira em todos os materiais publicados. Desde 2020, ela contribuiu com mais de 20.000 peças de conteúdo em mais de 60 países.